Aguarde...

cotidiano

Brasileiro na China conta como país superou o vírus e o medo

Os chineses registraram apenas 1 caso interno de transmissão de coronavírus nos últimos 4 dias e a vida começa a voltar ao normal

| ACidadeON/São Carlos

Foto. arquivo pessoal/Luís

O são-carlense Luís Enrique Ribeiro trabalha há 7 anos como professor de inglês na província de Henan, aproximadamente 350 km de distância de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus na China, iniciado em dezembro de 2019. Três meses depois das primeiras confirmações, o brasileiro comenta como o povo chinês enfrentou a epidemia e o pânico causado por ela.  

A China entra hoje no 4º dia consecutivo com apenas 1 caso  de transmissão interna do vírus, mas com outros casos importados de viajantes continuam a aparece, ainda em pequena escala. "Na cidade que eu moro já fazia três semanas que não tínhamos casos, mas uma pessoa que viajou para a Itália contraiu o vírus e contaminou a mãe e a esposa recentemente", contou.  

Com a drástica queda nos registros de doentes, a rotina do povo chinês bem como a de Luís começa a voltar ao normal. Contudo, ainda há restrições para evitar a propagação do coronavírus, as aulas continuam sendo online nas escolas e nas faculdades. O comércio voltou a operar em horários especiais e a população já se encontra em ambientes públicos.  

"No começo, depois de certo tempo, aqui na minha cidade as lojas voltaram parcialmente. Os comércios e restaurantes estão fazendo entregas, quitandas, conveniências, mercados. Os mercados estão abertos até as 18h. Agora, meu amigo que tem um restaurante abriu as portas ao público no dia 20 de março, das 12h às 22h. Não tenho certeza que todos os estabelecimentos voltarão ao mesmo tempo, mas a maioria está voltando desde sexta", acrescenta.   

Luís Enrique Ribeiro é são-carlense e dá aulas de inglês na China há 7 anos - Foto: arquivo pessoal


Quarentena   

Questionado sobre como foi o período de isolamento chinês, Luís relatou que foram 14 dias em que as pessoas permaneceram obrigadas a ficar dentro de casa, saindo exclusivamente por motivos essenciais.  

"Algumas pessoas insistiam em sair de casa, por isso o governo estabeleceu leis. Algumas pessoas foram presas por desobedecerem a ordem", ressalta o professor.  

Na China, o uso de máscara é obrigatório mesmo para quem não está sintomático. A medida é uma forma de garantia e segurança. Condomínios ficaram restritos a não aceitarem pessoas de fora em suas instalações internas.  

A sensação hoje é de alívio no país asiático, já que os hospitais voltaram a ter a demanda normal por enfermos. Por isso, médicos e equipamentos chineses estão sendo enviados para outros países a fim de combater os demais surtos de coronavírus.  

Rotina   



"A rotina está normal, as crianças estão brincando na rua, pessoas correndo dentro do condomínio. As lojas dentro do condomínio estavam abertas. Hoje eu estava dando aula e a polícia me ligou para sabe como eu estava, se estava tudo bem, se eu saí do meu apartamento. A rotina continua a mesma, mas todo mundo continua usando máscara porque, se relaxar, pode ter outro surto. Então a gente continua usando máscaras até que o governo diga que estamos livres do vírus" explicou.

Ele também disse que ainda não há uma data específica prevista para que o governo considere a situação normal e o país livre da epidemia de Covid-19 definitivamente. Entretanto, os rumores entre os chineses é de que as medidas restritivas vão se afrouxando naturalmente até setembro deste ano, quando o país deve voltar ao seu funcionamento normal e pleno.  

Conselho  

Para todos que moram no Brasil e tem de conviver com a situação atual, repleta de medos e incertezas, o conselho é a união do povo. Luís conta que não foi diferente na China.  

"No começo ninguém sabia o que era, todo mundo se desesperou. Mas a partir do momento que souberam o que devia fazer e o que não fazer, a China agiu de forma rápida, mesmo sendo drástica, impondo isolamento, sitiando cidades para não expandir mais o vírus. Os chineses se uniram muito. A China tem coisas ruins, mas eles [o povo] pensaram no país como um todo, mesmo sabendo dos defeitos, eles focaram nas qualidades. Cada um fez a sua parte para não aumentar mais o número de contagiado", finalizou.  

O professor garante que a única saída para a crise e para evitar que o pânico prevaleça é o respeito. Para ele, é importante entender que se deve sacrificar a liberdade para prevenir o contágio de outras pessoas. Do mais, será necessário paciência e disciplina durante a quarentena.

Mais do ACidade ON