29 de maio de 2024
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EP Agro

Do cultivo à criação de animais: entenda a importância da água para o setor agropecuário 

Sistemas agroecológicos associados às práticas conservacionistas contribuem para a preservação da água em propriedades rurais

A agricultura é o setor que mais consome água no Brasil segundo o Relatório

*Por: Marina Fávaro

Do cultivo de plantas à criação de animais, a água é um recurso essencial para a manutenção do sistema agropecuário. Pensando na preservação deste recurso, no ano de 1933, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água. A data é comemorada hoje, dia 22 de março.  

No sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), intitulado “Água Potável e Saneamento”, a ONU também faz menção à conscientização sobre esse recurso. Os 17 Objetivos chamam a atenção da comunidade internacional para preservar o recurso na Agenda 2030, um plano de ação para colocar o mundo em um caminho mais sustentável.  

Afonso Peche Filho, que é pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), ressalta que a água representa um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento dos sistemas agropecuários. “A água é um insumo natural que condiciona toda capacidade produtiva de culturas agrícolas e produções animais. Podemos dizer que a disponibilidade e qualidade da água influenciam diretamente na viabilidade do negócio”, disse.  

A agricultura é o setor que mais consome água no Brasil segundo o Relatório da Conjuntura de Recursos Hídricos da ANA, Agência Nacional de Águas. Atividades no campo usam pouco mais da metade, ou seja, 50,5% do volume total de água captada no país, se comparado com outras demandas, como o abastecimento humano com água potável e o uso na indústria. 

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O pesquisador pontua que a água impacta a cadeia agropecuária e, consequentemente, a produção de alimentos. Preservá-la é, de acordo com ele, essencial para o desenvolvimento do ecossistema. “O uso racional e com eficiência beneficia toda a sociedade, tanto rural como urbana”, destacou o pesquisador do IAC. 

O principal desafio é o uso racional da água nos meios rurais e urbanos. “A dimensão da disponibilidade hídrica abrange água disponível para o uso agrícola sem prejuízo para o uso urbano. O planejamento hídrico das propriedades também pode ser considerado um desafio para pesquisa e extensão rural”, pontuou. 

É por esse motivo que adotar práticas conservacionistas e ecológicas nas propriedades agrícolas é fundamental. “Sistemas agroecológicos associados a práticas conservacionistas requalificam o manejo produtivo, beneficiando o aumento de armazenamento, a biodiversidade e a qualidade de água que alimenta as estruturas hídricas de superfícies e subsuperfícies”, disse.  

São os casos, por exemplo, do manejo ecológico do solo, do plantio direto em nível e da rotação diversificada da cobertura vegetal do solo.  

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Manejo ecológico do solo: a utilização de práticas de conservação do solo, como curvas de nível, já que ele é a base da agricultura.  

Plantio direto em nível: a semeadura e plantio são realizados diretamente sobre os restos culturais da safra anterior sem revolvimento do solo. 

Rotação diversificada da cobertura vegetal do solo: a alternância de diferentes culturas no mesmo espaço ao longo do tempo. 

O pesquisador conclui que “o primeiro passo é adotar um ‘plano de gestão de águas na propriedade’. Num segundo passo, promover a requalificação eco hidrológica de ocupação e uso das terras. O terceiro passo é levantar a disponibilidade e a necessidade hídrica nas quatro estações do ano. E, por fim, obter informações numa boa análise climática da sua região”.  

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*Com supervisão de Marcelo Ferri

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