23 de julho de 2024
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Como está a guerra entre Israel e Hamas?

Joe Biden anunciou que vê neste momento a possibilidade de verificar se Israel e Hamas estão dispostos a fazer trégua

Presidente americano fez discurso em Washington (Foto: Ted Eytan/CC)

Nesta sexta-feira (31), os Estados Unidos reconheceram e endossaram a proposta de Israel para um cessar-fogo em Gaza. Em um discurso na Casa Branca, Joe Biden afirmou que o Hamas não é mais capaz de realizar outro ataque com as mesmas proporções do último 7 de outubro. Segundo o presidente dos EUA, o grupo teve seu poder de fogo reduzido após meses de ataques israelenses.

“Está na hora de esta guerra acabar, de o dia seguinte começar”, disse Biden.

O presidente dos EUA ainda previu a retirada das tropas do território palestino e a libertação dos reféns que estão nas mãos do Hamas. Para ele, o momento é propício, pois o Hamas sinalizou a vontade de dar uma trégua.

“Israel fez sua proposta. O Hamas diz que quer um cessar-fogo. Este acordo é uma oportunidade de provar que eles realmente estão falando sério.”, completou.

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Três fases

A proposta israelense seria dividida em três fases:

  • Cessar-fogo de seis semanas;
  • Retirada das tropas de Israel do território palestino;
  • Troca de idosos e mulheres reféns pela libertação de prisioneiros.

No entanto, ele afirmou que ainda existem detalhes a serem negociados entre os dois lados.

“Desde que o Hamas cumpra os seus compromissos, um cessar-fogo temporário se tornará, nas palavras da proposta israelense, o fim permanente das hostilidades”, disse Biden.

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Apesar da declaração do presidente americano, Israel não falou publicamente sobre a proposta de cessar-fogo apresentada ou sobre como este acordo seria diferente dos outros. Nos últimos meses, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, contradisse Biden em diversas ocasiões e, anteriormente, declarou que o objetivo de Israel é a destruição completa do Hamas.

Distanciamento

Os extremistas palestinos também nunca aceitaram qualquer pacto de trégua, declarando que os combates precisam antes terminar, para que depois os reféns sejam liberados e um acordo seja feito.

Biden tem sofrido uma pressão crescente por conta do apoio incondicional à campanha militar de Israel em Gaza. Os comentários de ontem do presidente foram os primeiros sobre a guerra no Oriente Médio desde que um ataque israelense incendiou um acampamento palestino em Rafah, ao sul de Gaza, e matou 45 pessoas, incluindo mulheres e crianças.

Uma análise feita pelo New York Times constatou que as bombas utilizadas por Israel foram fabricadas nos EUA. A situação levantou questões sobre a responsabilidade americana no número de mortos no conflito, que ultrapassa a marca de 36 mil. A situação tem gerado reflexos no país, e estudantes protestaram em campi universitários e nas ruas de diversas cidades americanas.

Demissões

Dentro do governo americano, o contorcionismo de Biden para apoiar Israel também vem causando estragos. Na semana passada, a Casa Branca teve de lidar com duas demissões de funcionários do Departamento de Estado insatisfeitos com as decisões do presidente.

A principal perda foi a de Stacy Gilbert, uma veterana diplomata com 20 anos de carreira, que trabalhava no Escritório de População, Refugiados e Migração. Ela teria reclamado, segundo funcionários do Departamento de Estado, que o governo falsificou um relatório, no início de maio, para absolver Israel da responsabilidade pelo bloqueio do fluxo de ajuda humanitária em Gaza, ignorando o parecer de seus próprios especialistas.

A decisão foi de alto risco, porque, de acordo com uma cláusula da Lei de Assistência Estrangeira, os EUA são obrigados a interromper a venda de armas e a assistência de segurança a qualquer país que tenha bloqueado a entrega da ajuda humanitária americana.

Questionado sobre as alegações de Gilbert, um porta-voz do Departamento de Estado, Vedant Patel, negou que o governo tenha falsificado documentos. “Apoiamos o relatório divulgado”, disse. “Não somos um governo ou um departamento que distorce os fatos, e as alegações são infundadas.”

Quem também pediu para sair foi Alexander Smith, da Agência dos EUA para o Usaid (Desenvolvimento Internacional), ele pediu demissão na segunda-feira após o cancelamento de última hora de uma apresentação sobre mortalidade materna e infantil entre os palestinos.

“Não posso fazer meu trabalho em um ambiente no qual pessoas específicas não podem ser reconhecidas como totalmente humanas, ou onde os princípios de gênero e direitos humanos se aplicam a alguns, mas não a outros, dependendo de sua raça”, escreveu Smith.

Baixas americanas

Desde o início da guerra em Gaza, nove funcionários do alto escalão do governo americano pediram demissão citando o apoio incondicional a Israel. Mas o problema é maior, segundo o ex-diretor de assuntos públicos e legislativos, Josh Paul, o primeiro a se demitir, em outubro. Ele disse que mais de 20 de pessoas haviam pedido demissão discretamente, sem uma declaração pública. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

*Com informações de Agência Estado

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