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BairrosDescubra como é ter um comércio na região do Jardim Proença, em Campinas

Descubra como é ter um comércio na região do Jardim Proença, em Campinas

Lojas de informática, banca de jornal, mercearias e bares fazem parte da história do comércio da região do Jardim Proença; conheça alguns

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De dentro para fora do comércio de informática entre um prédio e uma lavanderia, Renato Squarizi tem uma visão privilegiada da Avenida Princesa D’Oeste. Na loja, o empreendedor pode observar, dia após dia, as constantes mudanças do bairro.

Há 50 anos na região do Jardim Proença, em Campinas, Squarizi, que não é natural da cidade, tem orgulho de ser morador da metrópole. Ele vem de Valinhos e se mudou aos 2 anos. Atualmente, aos 58, ele afirma que já viu inúmeras transformações no bairro.

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“Atualmente, minha família é toda daqui [Campinas] e também tem bastante referência na região”,

diz o empreendedor.

No mundo empresarial, Squarizi tem boas referências na família. Segundo ele, outros familiares se aventuraram em comércios antes da loja de informática nascer. “Meus avôs e avós foram donos de mercados e bares e meu pai também trabalhou no comércio”. Antes da loja na Avenida, que fica na frente de onde a mãe dele mora, ele já teve uma lanchonete e um restaurante também. “A gente tem que estar sempre de olho no que está acontecendo. Seja em Campinas ou no mundo”, afirma.

Renato Squarizi atua na frente da movimentada Avenida Princesa D’Oeste, no Jardim Proença (Foto: Tudo EP)

Em todos os anos morando na região do Proença, ele tem memórias claras de quando tudo ainda estava se desenvolvendo. “Os pequenos comércios na região eram chamados de mercadinhos, lá se vendiam de tudo”. Renato faz alusão aos armazéns, que comercializavam alimentos e utensílios básicos às comunidades locais. “A coisa foi evoluindo rápido. Hoje, nós temos mercados grandes e de consumo rápido”, diz.

O segurança de um padaria local, Leandro Correa, que trabalha no bairro há 15 anos, confirma: “A minha impressão é que o bairro tem evoluído cada dia que passa”. Ele afirma que uma das principais mudanças, pelo menos no ambiente em que trabalha, é que a classe de moradores elevou. “Aqui é bem conservador. É um bairro de pessoas mais velhas, mas também de pessoas que vieram há pouco tempo. É agradável”, diz.

Na avaliação de Squarizi, os serviços oferecidos na região são satisfatórios. Tanto ao lado do bairro Vila Lemos, quanto do Jardim Proença, há ofertas de farmácias, padarias, bancas de jornal, lojas de óculos, veterinários, postos de gasolina e mais de uma opção de restaurante. De acordo com a Prefeitura de Campinas, o perfil do bairro é predominantemente residencial, mas há oferta de estabelecimentos comerciais distribuídos na região.

O casal de empreendedores Mavirose e Weber tem um comércio de produtos de limpeza há mais de 20 anos no Proença. Localizados na Avenida Monte Castelo, que concentra grande parte dos negócios da região, eles têm uma opinião sobre empreender no bairro. “Quando a gente mudou para cá, não tinha praticamente nada. Tivemos a honra de receber a Avenida na frente da nossa casa e hoje temos um ‘bum’ no comércio”.

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Eles foram um dos primeiros comerciantes da parte do bairro e alertam para uma mudança significativa de perfil no bairro. “Pelo menos aqui na avenida, você vê poucos moradores. Hoje tem mais comércios. Os moradores estão em outra parte”, diz Mavirose.

A MERCEARIA DO PROENÇA

Mais afastada da Avenida Princesa D’Oeste, Dona Mercedes tem quatro décadas de história com uma mercearia (Foto: Tudo EP

Dona Mercedes tem uma mercearia conhecida por grande parte dos moradores mais tradicionais do bairro Jardim Proença e não demorou para entender o motivo. “São amigos”, ela diz sobre os clientes. “Meus clientes aqui são como uma família”. No Proença, do outro lado da Avenida Princesa D’Oeste, e não tão distante do Estádio Moisés Lucarelli, há o comércio da empreendedora de 71 anos.

“Eu trabalho há 43 anos. Para mim, trabalhar aqui é uma benção. Adoro o que eu faço”, afirma. Atrás do balcão, há quadros e murais com imagens da própria família de Mercedes, entre os produtos do negócio. Atualmente, ela é viúva e vê no negócio quase uma casa.

“Eu trabalho com o público. Eu faço que faço e sou bem feliz com isso”,

afirma.

Da mesma maneira, entre os dois lados da Avenida Princesa D’Oeste, o comerciante Roberto Pedroso, ou Robertão da Banca, tem uma opinião formada sobre a freguesia fidelizada. “É uma família”, diz. “Somos quase como integrantes de várias famílias. Você é convidado para ir em casamento e festas de aniversário. Você sente que faz parte disso”, revela.

Ilhado na movimentada via, Pedroso atua há 35 anos e compartilha o carinho pelos clientes, assim como Dona Mercedes. Renato Squarizi, por outro lado, tem um palpite do motivo desta proximidade com a clientela na região. “Aqui é um bairro que tem pessoas de mais idade. Às vezes, eles me falam: ‘meu filho não me dá atenção’, e eles vêm aqui na loja e ajudamos com o que é preciso”, conta. “A gente vai acompanhando o crescimento e desenvolvimento das pessoas aqui”.

De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 99% de todas as empresas do país são classificadas como micro ou pequenos negócios. Ainda segundo os dados, 27% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional são resultados desses empreendimentos. Além disso, apenas em 2021, 3,9 milhões de novos negócios nessa categoria foram criados.

Segundo o site EmpresasAqui, no Jardim Proença, em 2023, pelo menos, 78% das empresas são micro negócios. Os dados revelam que 14% são empreendimentos de médio ou grande porte e 8% são classificados como pequeno porte.

Seja como for, empreender atualmente no Jardim Proença não parece uma tarefa simples. Tanto Mercedes, quanto Pedroso compartilham os desafios que encontram no dia a dia.

“Hoje é tudo digital. Poucas pessoas manuseiam papel. A banca perdeu 80% dos clientes. Ela só existe porque há pessoas tradicionais”,

diz Pedroso.

“Nós temos uma carga tributária muito grande, mesmo sendo um comércio pequeno”, afirma Mercedes. “O Proença é considerado um bairro nobre e o IPTU dele, eu considero alto. A conta de água e luz é puxada”, conta.

Uma dica para prosperar, segundo Squarizi, é saber se adaptar e entender o que acontece na localidade. “Eu vi muita coisa deste Proença. Além de vivenciar, eu busco conhecer a história”. Ele é administrador da página “Campinas de Antigamente”, no Facebook, e revela ser um entusiasta da pesquisa histórica da cidade. “É uma coisa importante para sempre melhorarmos a qualidade da vivência”.

Mercedes também diz o que é preciso para começar bem no Proença. “A pessoa tem que ter alguma bagagem ou experiência antes de iniciar. Aqui as contas são altas. Se você for alugar um salão, a despesa é alta”, explica. 

Vozes da Nossa Gente

Essa matéria faz parte do Projeto “Vozes da Nossa Gente”, que tem como foco no jornalismo hiperlocal e busca uma maior conexão com a comunidade. O “Vozes da Nossa Gente” pretende inspirar com boas histórias, que são contadas de maneira humanizada pelos moradores de dez bairros da cidade.

A cada duas semanas, uma região será o foco das pautas desenvolvidas pela equipe de jornalismo do portal, que produzirá, para cada região visitada:

  • Matérias especiais que serão publicadas no ACidade ON Campinas
  • Conteúdos interativos, que serão postados nas redes sociais do portal
  • Um mini documentário que será disponibilizado no canal do ACidade ON no YouTube.
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