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Ainda tem espaço para a homofobia no futebol?

Dia 17 de maio é comemorado o Dia Internacional da Luta Contra a LGTBFobia data em que alguns clubes decidiram se posicionar, outros preferiram o silêncio

| ACidade ON - Circuito das Águas

Na última sexta-feira, dia 14 de maio, o carismático Gil do Vigor, personagem marcante do último BBB, sofreu ataques homofóbicos ao visitar a Ilha do Retiro pela primeira vez. O pernambucano nunca escondeu o amor pelo Sport, e na sua visita ganhou camisa, um leão de pelúcia e fez sua famosa dancinha, o "tchaki tchaki".  


A visita, que tinha tudo para ser um sucesso visto que Gil virou um fenômeno, se tornou mais um triste caso da homofobia do nosso país. O conselheiro do Sport Flávio Koury, eu áudio vazado, criticou a dança de Gil do Vigor.
 

    ""Tem 1,2 milhão de pessoas achando que o Sport só tem viado, só tem bicha. Vai vender é camisa. A     viadagem todinha vai comprar. Vai ser lindo!" 


Em outro trecho da mensagem ele afirma que a dança é uma desmoralização. Uma ausência de vergonha na cara. Para Koruy, Gil ser gay e dançar em um estádio é uma falta de respeito. E eu pergunto, falta de respeito com quem Senhor Conselheiro?  


Falta de respeito para mim são as mais de 420 mil mortes na pandemia, muitas das quais poderiam ter sido salvas se tivéssemos vacina. Falta de respeito é gente passando fome, é falta de escola. Não uma dança, muito menos a orientação sexual de alguém.  


O ataque do conselheiro do Sport aconteceu três dias antes do Dia Internacional da Luta Contra a LGBTFobia. A resposta do clube foi logo no domingo, ao entrar na primeira final do Campeonato Pernambucano com o apelido de Gil, "do Vigor" ao lado do nome de todos os jogadores. E a comemoração do gol de Everaldo, foi a dancinha do "tchaki tchaki".  


Na segunda-feira, dia 17, diversos clubes se manifestaram sobre o dia, abrindo o espaço para a discussão e a inclusão.  


Dos 16 clubes que disputaram o Campeonato Paulista de 2021, nove se posicionaram. Entre eles os grandes de São Paulo, Red Bull Bragantino e Ponte Preta. Sete não fizeram menção da data. Entre eles o Guarani.  


Muita gente acha esse tipo de manifestação mimimi, mas ela é extremamente importante porque o futebol é um retrato da nossa sociedade machista, racista e homofóbica. Quando os clubes abrem esse espaço de inclusão, conseguimos imitar isso no nosso dia a dia.  


Para os clubes não tem nada de vergonhoso se manifestar contra a homofobia. Pelo contrário, abraça e acolhe o torcedor e aumenta a simpatia e respeito que é visto por todos. Pena que nem todos os dirigentes entenderam isso ainda. Pra finalizar, se não ficou claro no meu texto, não é só homem que gosta de mulher que ama e acompanha futebol. Homem que gosta de homem, mulher que gosta de homem e mulher que gosta de mulher, todas essas pessoas podem torcer. Porque o esporte é plural.

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