Publicidade

mundodosbichos

Ops!

Desde que me lembro por gente, sempre tive algum pet em casa. Só que não eram cães e gatos como a maioria das crianças. Cada animal teve um final nada apoteótico

| Mundo dos bichos -

Desde que me lembro por gente, sempre tive algum pet em casa. Só que não eram cães e gatos como a maioria das crianças. Eram peixes, pintinhos, patos, tartaruga tigre d`água e daí por diante. Cada animal teve um final nada apoteótico. Para ser bem franco, todos me causaram algum pequeno trauma que vire e mexe são relembrados nas sessões de terapia e hoje neste texto.  

Tudo começou com o peixe. Nem lembro quantos anos tinha. Era uma criança feliz porque os pais estavam me levando ao Mercadão Municipal de Araraquara para escolher um aquário. Até aí tudo ok! Após escolher os peixes, o senhor que nos atendeu arremessou os pequenos nadadores em um saco plástico com tanta força que um mergulhou direto para outra dimensão. E lá ficou, imóvel. O ser que cometeu essa brutalidade soltou em alto e bom som: "Ops!".

Passado algum tempo, eu e minha irmã ganhamos uma tartaruga tigre d`água que vivia ora no gramado de casa ora na piscina. Era verão, brincávamos no quintal até o jardineiro chegar, ligar o cortador de grama com lâminas afiadas e soltar timidamente: "Ops!". Lá se foi nosso bichinho de casco.

Ficamos algum tempo sem animais, mas queríamos um cachorrinho, pois tanto os meus amigos quanto os da minha irmã tinham algum cão ou gato em casa. Foi nesse período que meus pais chegaram em casa com dois patinhos. Tudo bem: quem não tem cão, se diverte com o pato - no caso, patos. Eram lindos. Divertidos. Agressivos, pois, eventualmente, o dedo de alguém era bicado. Os irmãos do Donald cresceram muito e havia pouco espaço em casa. Meus pais doaram para uma velha amiga da família que vivia em um sítio, mas com a condição de que pudemos visitar periodicamente. Após um natal, lá vamos nós visitar e cadê os patos? Lembro até hoje daquelas palavras: "eles estavam deliciosos. Ops! Falei o que não devia".

Entre a causa e consequência, havia aquele maldito "ops". Por mais acidental e casual que fosse, fiquei um tempo sem querer ouvir aquela expressão. Só que ultimamente ela voltou, não como antes: criaram versões 4.0 do velho "ops" para justificar fatos que não são nada acidentais, mas ainda querem parecer que são. Ou alguém acredita que a passagem da boiada, o aumento recorde do desmatamento, o despovoamento indígena e por aí vai são apenas "ops"?

Entre um "ops_4.0.mp3" e outro, rola muitos "obas" e din-din . E nós seguimos na luta para que o mar não vire sertão e os florestas um grande pasto cheio de merdops!



Mais notícias


Publicidade