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STF mantém proibição de grávidas em ambiente insalubre

Permissão para que grávidas pudessem continuar trabalhando em locais insalubres foi prevista na Reforma Trabalhista, em 2017

| FOLHAPRESS

STF negou recurso da AGU (Advocacia-Geral da União) na última sexta-feira (8) (Foto: Agência Brasil)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O STF (Supremo Tribunal Federal) manteve, em julgamento concluído na sexta-feira (8), o entendimento de que grávidas e lactantes não podem atuar em atividades insalubres, independentemente de laudo apresentado por médico de confiança.    

A confirmação ocorre alguns dias antes de a reforma trabalhista, que modificou essa regra, completar dois anos. Os ministros analisaram, em julgamento iniciado no dia 1º no plenário virtual, embargos declaratórios apresentados pela AGU (Advocacia-Geral da União).   

O recurso é utilizado quando uma das partes considera ter havido algum tipo de obscuridade na decisão. A AGU ainda tentou que os embargos fossem analisados em sessão presencial, mas isso não aconteceu. Sete ministros, além do relator, Alexandre de Moraes, rejeitaram o pedido da União.   

O advogado-geral André Luiz de Almeida Mendonça e a secretária-geral de Contencioso, Izabel Vinchon Nogueira de Andrade, pediram que o Supremo considerasse o impacto atuarial de uma concessão generalizada do salário-maternidade e destacaram o trabalho em hospitais como um dos que seriam afetados.   

A decisão do Supremo não trata especificamente do setor de saúde. O pedido de declaração de inconstitucionalidade foi apresentado pela Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos. Para a maioria dos ministros do Supremo, decisão protege grávidas e bebês.   

Representantes de hospitais, clínicas e laboratórios, porém, dizem que o segmento é o principal afetado pois, em muitos casos, esses espaços não têm área sem insalubridade.    

No pedido apresentado ao STF no fim de outubro, a AGU pedia também a modulação da decisão e apontava "abalo desproporcional para o mercado de trabalho e para as contas da previdência."   

Presidente da CNSaúde (Confederação nacional de Saúde), Breno Monteiro, diz que agora o setor buscará uma solução com o Ministério da Economia, mais especificamente na revisão das normas regulamentadoras, que possam ajustar a classificação de insalubridade nos diversos espaços.   

Em São Paulo, a A Federação de Hospitais, Clínicas e Laboratórios em São Paulo diz que a maioria dos estabelecimentos não terá como cumprir a regra.  A recomendação da confederação aos associados é a de que a decisão antecipa a licença-maternidade. "Nosso entendimento é esse, mas fizemos essa consulta ao INSS, que nunca respondeu", afirma.   


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