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Histórias para curar por dentro

Desde 2005 o projeto Conta Mais - Histórias em Hospitais leva alegria a crianças e adolescentes internados em cinco instituições

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Leonardo: Gerente comercial trabalha como contador de histórias há dois anos na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas. "Cada sorriso que a gente ganha é uma felicidade", conta (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

O hospital não costuma ser um lugar divertido. Mas, com imaginação e pitadas de carinho, temperadas com muita solidariedade e contação de histórias, um projeto do Centro de Voluntariado de Ribeirão Preto tem transformado os ambientes de cinco hospitais da região central.  

A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (UE-HC) está entre os que recebem o "Conta Mais Histórias em Hospitais", que desde 2005 forma voluntários para contar histórias a crianças e adolescentes internados. O objetivo é transformar a experiência em um momento mais alegre, agradável e descontraído, contribuindo para o bem-estar dos atendidos, de seus familiares e de toda a equipe envolvida no processo.  

"O Conta Mais surgiu com o objetivo de levar amor, carinho, afeto, atenção e alegria às crianças hospitalizadas", afirma Soraia Castilho Cunha, 54 anos, coordenadora do projeto e contadora de histórias há três anos. "Para a criança, a visita dos contadores é um momento de despertar algo diferente em sua rotina no hospital, já que o livro pode levá-la para onde quiser", completa.  

O projeto capacita uma média de 50 contadores por ano, através de curso com duração de quatro meses. De agosto de 2005 até abril de 2017, já foram alcançados mais de 58 mil crianças e adolescentes de Ribeirão.

Segredo  

Segundo Soraia, para ser um bom contador de histórias, o voluntário tem que ter amor, disposição e alegria. "Além, é claro, de comprometimento e responsabilidade, já que as crianças e adolescentes esperam ansiosos pela visita deles", frisa.  

Hoje, o Conta Mais mantém parceria com os hospitais Santa Lydia, Santa Casa, UE-HC e Casa de Apoio à Criança com Câncer (Gaac).
A partir de julho, atenderá também o Hospital das Clínicas, no Centro de quimioterapia de crianças e adolescentes. 

Compaixão transforma as pessoas 

O gerente comercial Leonardo Bianco de Andrade, de 34 anos, é contador de histórias há dois anos na UE-HC e se orgulha de fazer parte do projeto. "O trabalho voluntário muda o ambiente, mas muda principalmente a gente. E o Conta Mais mudou meu jeito de ver a vida. Tanto é que aprendi a dar mais valor às pequenas coisas do dia a dia", garante.  

Segundo ele, nestes dois anos de voluntariado, a cada dia que conta histórias aprende uma nova lição. "Quando a gente chega, percebe o brilho nos olhos das crianças de que algo diferente vai acontecer", diz. "Já tive experiências de crianças que não queriam que contasse histórias e, no final da contação, foram atrás de mim no corredor para me dar um abraço. Cada sorriso que a gente ganha é uma felicidade", completa.  

Leonardo afirma que a contação de histórias em hospitais despertou nele o sentimento de compaixão, "que é se colocar um pouquinho no lugar do outro e entender o que está passando. Acredito que se as pessoas tivessem um pouco mais de compaixão, o mundo seria bem melhor", frisa.   

Cleusa Aparecido Fávero Massocato, de 60 anos, está finalizando o curso de capacitação do "Conta Mais (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Animada  

A secretária Cleusa Aparecido Fávero Massocato, de 60 anos, está finalizando o curso de capacitação do "Conta Mais". "Sempre quis fazer um trabalho voluntário. E, como logo vou me aposentar, quero ter uma ocupação. Então, por que não ajudar as pessoas de alguma forma?", questiona.  

Na fase de estágio, Cleusa está adorando atuar no projeto. "É um trabalho muito bonito, que só leva alegria e amor às crianças hospitalizadas. Estou animada para iniciar o trabalho como contadora e levar alegria, atenção e aconchego para essas crianças", conclui. 

Virou livro 

Em abril de 2015, em comemoração aos 10 anos de atividades em Ribeirão Preto, o grupo do programa lançou o livro "História: um remédio que não dói". A publicação contém relatos dos voluntários contadores de histórias, da equipe hospitalar, de pais e pacientes atendidos.  

"Levar alegria a essas crianças, com uma simples história, traz um orgulho imenso. A alma fica tranquila", diz Leonardo Bianco de Andrade (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Projeto ajudou a superar dor  

Antes de se tornar coordenadora do projeto "Conta Mais", a educadora física Soraia Castilho Cunha já atuava como contadora de histórias.  

"Entrei no projeto, pois perdi um filho de leucemia, aos 6 anos, e queria muito saber qual era a reação de uma mãe ao perder um filho, porque acho que não vivi muito isso, joguei embaixo do tapete", conta, emocionada. 

"Hoje, estou aqui pela criança e pela mãe. E trago todo amor e alegria que precisam para enfrentar esse momento de luta", completa.  

Soraia se diz muito grata ao projeto. "Ao ver a minha situação em outra pessoa, pude ajudar e acolher esta mãe", conta a contadora, que adora ver o brilho no olhar da criança ao terminar. "É aí que percebo como foi bom o momento que tivemos", reforça.  

Por fim, Soraia garante que é um orgulho imenso fazer parte do projeto. "Tem coisa melhor do que poder contar a história e ouvir a história de cada uma dessas crianças? Eu desconheço", finaliza. 

Educadora física Soraia Castilho Cunha atua contando histórias (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

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