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Sem celular e sem vídeo, advogado pede acareação entre Najila e Neymar

A delegada Juliana Lopes Bussacos, da 6ª DDM, que conduz o inquérito policial após o registro do boletim de ocorrência, vai avaliar o pedido

| ACidadeON/Ribeirao

Neymar em partida pelo PSG (Foto: Divulgação/PSG)
O advogado Cosme Araújo, da modelo Najila Trindade, protocolou pedido de acareação no final da tarde desta quarta (19) na 6ª Delegacia de Defesa Mulher, no bairro de Santo Amaro em São Paulo. Najila registrou boletim de ocorrência no último dia 31 acusando o atacante Neymar, do PSG e da seleção brasileira, de agredi-la e estuprá-la em um hotel em Paris entre os dias 15 e 16 de maio.  

A delegada Juliana Lopes Bussacos, da 6ª DDM, que conduz o inquérito policial após o registro do boletim de ocorrência, vai avaliar o pedido de acareação entre Najila e Neymar, considerado inusitado nesse tipo de investigação de crimes sexuais. A premissa da delegacia da mulher é proteger a suposta vítima, sem que ela fique frente a frente com o acusado.  

Há duas semanas, antes de Najila e Neymar prestarem depoimentos, quando alguns veículos noticiaram a possibilidade de a delegada pedir uma acareação, Bussacos desmentiu o boato e deixou claro que não havia intenção.  

O próprio advogado da modelo não está confiante em uma reposta positiva. "A delegada (Bussacos) disse que tenho o direito de pedir acareação, não é proibido, mas que não concordaria. Mas se eu posso, vou fazer tudo o que tenho direito para defender minha cliente em uma ação onde quem está do outro lado é um jogador consagrado mundialmente", disse Araújo, que é de Ilhéus e veio até São Paulo atuar para a modelo.  

Araújo tomou essa medida após ouvir de Najila que o suposto vídeo de sete minutos, uma importante prova com imagens dela e de Neymar no hotel, desapareceu. Em seu primeiro depoimento no dia 7, Najila havia prometido a Bussacos entregar o celular no dia 10. Na terça (18), a Polícia Civil cumpriu busca e apreensão na casa da modelo e não encontrou o tal aparelho.  

Araújo disse, no mesmo dia, que o vídeo não seria suficiente para provar o suposto crime sexual. Ele afirmou que soube pela sua cliente que o vídeo não contém nenhuma imagem considerada por ele comprometedora: "No tablet e no celular não tem muita coisa além do que foi mostrado. Tem ela voltando na cama. Ele até tentou consolar. Ela disse 'não, ontem você até me bateu'. Ele pede para ela ficar calma", disse Araújo. 

Há duas semanas, um trecho de cerca de um minuto desse vídeo foi divulgado. Ela mostra uma briga entre Najila e o jogador. Araújo disse ainda que não teve acesso às imagens e que relatou apenas o que ouviu da sua cliente. "Eu fui contratado depois do sumiço do tablet e do celular".  

Araújo assumiu oficialmente o caso na terça (18). Segundo ele, Najila já não estava com celular e disse que o aparelho desapareceu no dia 7 depois de prestar depoimento. "Ela saiu para vir aqui [na delegacia] prestar depoimento e, quando saiu daqui, foi levada para o hospital, como todos sabem. Quando ela voltou [para casa], não teve mais acesso ao celular. Ela disse que o celular ficou ou no carro do ex-advogado ou na casa onde esteve depois ter saído do hospital", disse Araújo.  

Procurado pela Folha de S.Paulo, o ex-advogado de Najila, Danilo Garcia de Andrade refutou essa versão. 

"Como o celular estava no meu carro, se ela chegou à delegacia de viatura e foi levada da delegacia ao hospital de viatura? A imprensa viu isso", disse Andrade. "Ela já entrou em contradição várias vezes. Ela agora fala que perdeu o celular, que não sabe se esqueceu no carro ou casa de alguém. Reitero que esse celular nunca esteve na minha mão, o tablet tampouco". Ao deixar o caso, Andrade disse que não há como defender quem não entrega suas provas. 

Mesmo sem o vídeo, Araújo defende que tem totais condições de provar as acusações contra Neymar. "Entre quatro paredes, o que pesa é a palavra da mulher. Estou convencido de que houve crime sexual, crime contra a dignidade sexual. As declarações dela para a delegada são muito consistentes e elucidativas".

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