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As emoções afetam a tomada de decisão do investidor?

Utilizamos gatilhos mentais, atalhos que nos ajudam nas escolhas do dia a dia; E esses gatilhos modelam a forma de como investimos e consumimos

| ACidadeON/Ribeirao -

Helen Vogt, líder de Previdência na Blue3 (Foto: Divulgação)

Utilizamos gatilhos mentais, atalhos que nos ajudam nas escolhas do dia a dia. E esses gatilhos modelam a forma de como investimos e consumimos, assim como escolhemos qual caminho fazer para ir ao trabalho pela manhã, ou os movimentos que fazemos sem pensar, para escovar os dentes. 

Antigamente, a teoria Moderna de Markowitz defendia que os investidores tomam decisão de forma totalmente racional. E que a construção dos seus portfólios de investimentos era feita de maneira eficiente, com produtos de investimentos diversificados, para se ter um bom retorno, sabendo avaliar os riscos necessário para isso. Essa teoria entendia que os investidores têm acesso às informações para que as decisões sejam tomadas de forma racional.   

Se imaginava isso até que as finanças comportamentais e a teoria da perspectiva de Daniel Khneman (Nobel de economia 2002), em parceria com Amos Tversk, trouxessem um novo olhar para esta questão na década de 70. 

Os dois passaram anos estudando o nosso cérebro, e as formas que tomamos as decisões. Descobriram, assim, que as nossas escolhas de consumos e de como lidamos com o dinheiro são tomadas de forma rápida.  

Utilizamos gatilhos mentais que nos ajudam a simplificar nossas atividades rotineiras. Esses gatilhos, viram hábitos e alguns podem não ser tão saudáveis. Ao contrário, podem ser o motivo de não atingirmos os melhores resultados nos investimentos. 

Esses gatilhos de se apegar ao prejuízo, aversão à perda, ou até mesmo ficar estagnado ao invés de encarar uma mudança necessária. Também existe a reação de mudar a carteira só porque todo mundo está saindo da renda variável: "então vou sair também."  

A compra da ação X custou R$ 10 reais há um ano, e agora ela está valendo R$ 9. O investidor racional estuda a empresa, para entender seus múltiplos e resultados, analisando o máximo de informações possíveis. Já o investidor que está com um viés de ancoragem, só lembra que o preço inicial foi R$10 e fica esperando ela passar disso para vender. Sem considerar custo de oportunidade ou o risco.   

Outro gatilho muito comum é chamado de disponibilidade. Uma Informação recebida recentemente pode gerar uma impressão de que aquele evento vai se repetir novamente e te impede de comprar algum ativo de um setor especifico.  Assim como uma notícia de acidente de avião faz com que alguém desista de uma viagem aérea. Mesmo que as estatísticas provem o contrário. 

A representatividade é um viés onde o investidor olha a rentabilidade passada de um fundo de investimento, e acredita que ela pode se repetir no futuro.  

Sabe aquele pensamento: "sempre fiz deste jeito e deu certo, então vou continuar assim na zona de conforto"? É chamado status quo. Ficar parado por medo de mudança, sem interessar-se por conhecer outras possibilidades, pode fazer com que a gente perca muitas oportunidades. É o caso de muitos que continuam na poupança, existindo alternativas bem melhores atualmente e com muita informação nos jornais e em vários canais importantes de comunicação sobre o assunto. 

Outras atitudes em relação ao mercado são: 

- Movimento de manada: Todos estão vendendo as suas ações e por este motivo vender também parece ser o mais adequado, mesmo sem entender os motivos destes movimentos e se faz sentido mesmo realizar prejuízo. A empresa perdeu mesmo seu valor? Ou apenas a precificação de mercado que está refletindo uma oscilação momentânea?   

- Desconto hiperbólico: Não tem dinheiro agora, mas escolhe pagar em 36 meses com juros, não vai nem sentir aquela "parcelinha". Se tivesse esperado, poderia ter adquirido dois ou três itens iguais. Ou seja, o benefício no presente é hipervalorizado e o futuro avaliado depois.  

- Aversão a perda: Realizar pequenos ganhos para manter posições perdedoras, sem ouvir recomendações ou informações que te ajudem na tomada de decisão. Por vezes, a dor da perda é tanta que faz com que a pessoa acabe assumindo mais risco, para tentar recuperar rápido seu prejuízo, e a situação piora. 

Estes exemplos acontecem no nosso cotidiano e afetam as nossas decisões financeiras, pensando nisso selecionei alguns passos fundamentais para você não cair nas ciladas destes gatilhos mentais:
 
- Invista mensalmente: reservar 30% do salário para investir é um número desafiador para quem está começando, o importante é dar um passo de cada fez. Então, estabeleça metas até chegar ao nível desejado de poupança mensal;
 
- Constitua uma reserva de emergência: para quem tem uma situação estável no emprego e possui salário fixo, a reserva de emergência pode ser um valor que cubra de três a seis meses das suas despesas mensais. Quem é autônomo, ou possui os rendimentos variáveis, é aconselhável um valor que cubra as despesas de 12 meses;
 
Esteja bem assessorado: encontre alguém que você confie, para te auxiliar nesta caminhada de construção de patrimônio e aprendizado, estude e entenda onde está investindo;
  
Tem uma frase que eu já ouvi algumas vezes, mas não concordo com ela. "Quem não tem parcela para pagar, não consegue adquirir nada na vida".  Faça uma parcela pra você mesmo! Todo o mês vá se pagando, o imediatismo de consumir para pagar depois custa caro.
 
Faça o seu dinheiro trabalhar para você e fuja de pagar juros. Empréstimos só se a dívida te ajudar a constituir um negócio que lhe gere aumento de renda.
 
Uma vida mais tranquila e sem tanta pressão dos boletos e contas para pagar é possível, vivendo um degrau abaixo, adotando algumas práticas minimalistas. Com disciplina e organização, cultive bons hábitos de consumo e fique atento para os gatilhos mentais, perceber é o primeiro passo para a mudança de atitude.

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