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Campanha 'Fevereiro laranja' conscientiza a população sobre a leucemia

A doença matou 327 pessoas entre os anos de 2004 e 2014 em Ribeirão Preto

| ACidadeON/Ribeirao

Arquivo pessoal
O funcionário público Flávio Spagnoli, de 44 anos, se curou da doença após um autotransplante de medula óssea (Foto: Arquivo pessoal)

 

Fevereiro é mês de Carnaval, marchinhas, fantasias e samba, mas também é o mês de conscientização sobre a leucemia, doença que matou 327 pessoas entre os anos de 2004 e 2014 em Ribeirão Preto, de acordo com o DataSUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde).

"Nas leucemias agudas, as células progenitoras, localizadas na medula óssea, começam a se proliferar de uma forma muito acelerada, impedindo a maturação de outras células do sangue", explica a hematologista e hemoterapeuta Sarah Cristina Bassi, do InORP (Instituto Oncológico de Ribeirão Preto).

Com isso, o paciente pode ter anemia, fadiga, palidez, falta de ar, sangramentos, hematomas, pontos vermelhos na pele, febre, gânglios inchados ou baço aumentado.

"A pessoa deve procurar um médico para fazer um hemograma. Se o resultado apresentar alguma alteração, ela será submetida a um mielograma", diz a hematologista. "Quanto antes a doença for descoberta, melhores serão as respostas ao tratamento", acrescenta.

Ao ser diagnosticado com leucemia, o paciente passa por quimioterapia e, em alguns casos, é necessário fazer um transplante de medula óssea. Mas, para isso, é preciso encontrar um doador compatível.

"Em média, as chances de o paciente encontrar um doador compatível são de uma em cada 100 mil pessoas. Por esse motivo é importante que as pessoas procurem o hemocentro para se cadastrarem no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea)", afirma Sarah.

A causa da leucemia ainda é desconhecida. Segundo a hemoterapeuta, o paciente pode desenvolver a doença tanto em razão de uma alteração genética quanto pelo contato com tabaco, benzeno, radiação ionizante, ciclofosfamida e cloranfenicol. "Não é porque sua mãe teve que você também vai ter. Geralmente são alterações cromossômicas adquiridas, e não herdadas", esclarece a médica.

Weber Sian / A Cidade
A hematologista Sarah Cristina destaca a importância do Redome para os transplantes (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Cura

O funcionário público Flávio Spagnoli, 44 anos, descobriu uma leucemia promielocítica aguda em maio de 2008. "Fui jogar bola e voltei para casa cansado, cheio de manchas roxas pelo corpo. Achei que fosse por causa do futebol, mas o cansaço e os hematomas não passavam", conta.

Flávio procurou, então, um médico, fez um hemograma e foi avisado sobre a suspeita de leucemia. No HC-RP (Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto), ele fez o mielograma e recebeu o diagnóstico de leucemia.

"Fiz quimioterapia durante dois anos. Sabia que era um tratamento muito agressivo. Achava que ia morrer", comenta.

Em junho de 2010, veio a notícia de que Flávio poderia fazer um autotransplante de medula óssea. Neste procedimento, as células saudáveis da medula são retiradas e congeladas. Em seguida, o paciente passa por uma quimioterapia muito forte para eliminar as células anormais e, depois, as células saudáveis são reimplantadas em sua medula.

O funcionário público se curou e, hoje, leva uma vida normal. "Sou um vitorioso. Tem gente que fala que quer ganhar na Mega-Sena. Eu não. Pra que ganhar na Mega-Sena se já ganhei uma vida nova?", questiona.

Agradecido por ganhar uma segunda chance, Flávio deu aos filhos os nomes de dois médicos que cuidaram dele no HC: Fernanda e Diego. "Enquanto estive doente, eles foram a minha família. Sou muito grato por tudo que eles fizeram por mim", destaca.

 

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