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Julio Chiavenato: Agora são três

Pode ser o Airton Guedes, o Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz ou simplesmente o 05, que aparecem no resultado do exame que o 01 diz que fez

| ACidadeON/Ribeirao

Jornalista e escritos Julio Chiavenato (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Quem é o presidente do Brasil?  

Temos várias opções. Pode ser o Airton Guedes, o Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz ou simplesmente o 05, que aparecem no resultado do exame que o 01 diz que fez. De uma coisa temos certeza: nenhum deles "pegou" o covid-19. Então, estamos tranquilos. Contamos com vários super-homens a conduzir a nação para a vala comum. 

Quem garante que o Airton, o Rafael e o 05 é (são) o(s) presidente(s) é Rui Yutaka Matsuda, comandante logístico do Hospital das Forças Armadas, onde os três, na figura heroica de Bolsonaro, se apresentaram para a coleta de sangue enviada ao laboratório conveniado Sabin.
Aquele que aparece nas redes sociais e no cercadinho como presidente, o Jair, também conhecido pela alcunha de Mito, disse, algures e alhures, que talvez, quem sabe?, um dia tenha pegado o coronavírus, a tal gripezinha. Como ele tem suas dúvidas, mandou ao comandante Matsuda o Airton, o Rafael e o 05 se oferecerem para a coleta de material para exame. 

O que interessa é que deu negativo. E daí?  

Daí que os impichimistas ficam chupando o dedo. Se o presidente não tem sequer resfriado pode continuar fazendo seu show. Agora fortalecido por uma espécie de blindagem sanitária legal com vários pseudônimos, como garante a lei para quem pode e manda. Criou-se um novo dilema: como impichar um presidente com passado de atleta? O homem vende saúde e solta perdigotos à vontade, manda os jornalistas calarem a boca e tira de letra o vídeo do Moro, passando pito em general. Negou, mas depois da gravação não pôde mais mentir e confessou que disse mesmo que vai interferir na PF e ponto final - ou estão achando que deixaria a "famiglia" e os parsas se ferrarem? Além disso, conta com um acampamento armado por uma ex-feminista, ali no quintal do Planalto. E tinha o ministro da Saúde, um tal Teich, sobre (ou sob) fritura: o cara não fede nem cheira e o que ele fazia o capitão desfazia - então, pegou o boné.

Mas daí, morre muita gente. O problema é dos coveiros, como bem avisou o nosso mito mitômano. Para os mortos existem os cemitérios e se faltam covas a escavadeira abre valas comuns. Todos morreremos um dia, ensinou-nos os presidentes (o Airto, o Rafael e o 05) e quem fica com 'mimimi' só pode ser comunista a atrapalhar os CNPJs do Brasil, que foram aconselhados a fazer guerra contra os governadores. Grana é o que interessa, o resto não tem pressa: vamos liberar geral e mandar o povo consumir. Como bem disse a rainha da sucata, Hitler e Stalin mataram mais gente. E você, que reclama, não está vivo e leve como a atriz sucateada? É melhor jair se acostumando. E quer saber?, cala a boca.
 

Anita entra na política

Anita, a cantora, está aprendendo a gostar de política. Disse que não entende o que é esquerda e direita, mas "está cagando" para quem a critica. Para nos tranquilizar informou nas redes sociais que por enquanto não será candidata a presidente da república. Ela diz que recebeu mensagens de "amigos estudados" que também não sabem nada de política e começam a aprender vendo suas "lives" no You Tube, com a jornalista Gabriela Prioli, da CNN. O programa que inaugurou a série começou com uma pergunta de Anita: "O que são os três poderes"? Gabriela explicou, Anita entendeu e aproveitou para dizer que Bolsonaro não pode "cagar pra quem morreu". A moça tem futuro. 

PS: Nesse tempo sombrio a chulice está em cartaz e reproduzir certas falas sem os palavrões enfraquecem o enredo da patuscada. Ficou normal...
 

A distância do ensino

Em São Paulo, estado mais rico do Brasil, metade dos alunos do ensino básico não têm lápis e papel nas suas casas. Quase 60% da turma do médio não têm acesso à internet pelo computador, só por meio de precários smartphones. Em muitos casos a escola é um pretexto para a refeição que falta no lar. Sem contar a má qualidade do ensino. Para a maioria dos alunos das escolas públicas é impraticável o ensino à distância - o trocadilho é triste: eles estão à distância do ensino. 


Ad absurdum

Na hora de tirar sangue
o presidente são três,
e o povo, exangue,
aceita a absurdez. 


Será que muda?

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato. (Barão de Itararé, 1895-1971)

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