Publicidade

cotidiano

Educação financeira é um tema muito importante e não vem de berço

E quando você tem filhos, fica mais clara a necessidade de se abordar este assunto e tem vezes que nem sabemos como fazer isso

| ACidadeON/Ribeirao -

Helen Vogt, líder de Previdência na Blue3 (Foto: Divulgação)
Ao mesmo tempo em que entendemos o quanto é importante ter educação financeira, entendemos que ainda há muito o que explorar nessa área. No entanto, possivelmente as gerações anteriores tenham pecado ainda mais do que nós. Quando conversamos e pesquisamos sobre o tema com as pessoas a nossa volta, vemos que as percepções são muito parecidas. A experiência financeira é aprendida, na maioria das vezes com os tropeços da vida, erros e acertos do dia a dia. 

E quando você tem filhos, fica mais clara a necessidade de se abordar este assunto e tem vezes que nem sabemos como fazer isso, dá aquele medo e insegurança, não sabemos pois não recebemos este tipo de educação na infância, falar de dinheiro ainda é um tabu na maioria das famílias, as pessoas não falam quanto ganham umas para as outras, e existe um preconceito muito grande com a riqueza.  

Imagina falar sobre isso com as crianças? Já ouvi comentários como, deixem as crianças serem crianças, elas não precisam se preocupar com isso agora. E desta maneira perdemos um tempo precioso que poderia ter sido usado para criar hábitos saudáveis nelas, neste momento em que elas aprendem com maior facilidade e levam para a vida os ensinamentos obtidos.  

Eu notei que precisava começar a falar sobre o tema com o meu filho quando ele tinha 4 anos de idade. No supermercado ele pediu, mãe compra esse chocolate pra mim? Eu disse, filho desta fez a mãe está com o dinheiro contato, não vai dar. Ele colocou as duas mãozinhas na cintura e me disse, é só passar no cartão de crédito.  

Neste momento, me assustei e vi que sempre me preocupo tanto com a educação financeira das pessoas a minha volta, e ainda não estava abordando o tema com o meu filho e precisava fazer isso com urgência. Quando ele nasceu fiz um plano de previdência, considero uma ótima alternativa para longo prazo e uma forma simples pois debita direto em conta e essa economia vai ajudar com as despesas da faculdade.  

Mas essa organização é minha, ele não fazia parte e nem sabia sobre isso. Eu precisava fazer algo na prática que trouxesse para o cotidiano dele este assunto. Comecei a mostrar os alimentos no supermercado, quanto eles custavam e colocava um valor que ele podia gastar, desta maneira ele começou a entender o valor das coisas e fazer as suas escolhas, como: será que levo o salgadinho ou o chocolate?  

Ele gostou tanto que me perguntava. Mãe você acha que isso é caro? Acho que isso está barato né? E as pessoas no corredor olhavam para ele e achavam uma fofura. Comecei a dar uma mesada e isso ajudou a mostrar que os juros compostos davam filhotinhos, e percebeu a vantagem de economizar todos os meses parte da mesada. Ele tem oito anos agora e está sempre aprendendo, tentamos inserir o tema sempre que possível. Estes dias mostrei a planilha de orçamentos da casa, como as organizo e assim a gente vai ensinando um pouco mais de cada vez.  

Sobre os tipos de investimentos que podem ser escolhidos para compor essa reserva inicial de investimentos das crianças, não importa tanto o tipo, interessa mais, o hábito de poupar e aos poucos eles vão entendendo, que podem diversificar em classes de ativos diferentes, com riscos e rendimentos variados. O mais importante é não fazer por eles, ensinar o caminho e ajudá-los a se interessar pelo assunto de maneira leve e lúdica. 
 
*Por Helen Vogt, Sócia e Líder em Produtos e Alocação em Previdência da Blue3

Publicidade