ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

cotidiano

Fábrica desativada vira abrigo de moradores de rua e foco de incêndios

Grupo nas redes sociais pede ajuda aos órgãos públicos e antigos donos para conter os problemas, que vão da insegurança à saúde pública

| ACidadeON/Ribeirao

Um movimento nas redes sociais, que já reuniu 1.485 membros em menos de três meses, pede a limpeza da antiga fábrica de papel e papelão da Vila Virgínia, na zona Oeste de Ribeirão Preto, e o reforço na segurança do prédio que é inexistente, segundo moradores do entorno.

O local foi invadido por moradores de rua e usuários de drogas, que usam os galpões já depredados como casa. Em 2016, os donos do imóvel, entre a rua Abílio Sampaio e o córrego da avenida Caramuru, decretaram falência e encerraram as atividades.

O fogo recorrente, que aumenta conforme o clima ou quando é estimulado por andarilhos com materiais recicláveis, chama a atenção para a extensão dos problemas, que vai da falta de segurança à saúde pública.

"Já reclamamos na Câmara, Prefeitura, secretarias, Ministério Público e com as polícias, mas não recebemos suporte algum. Os problemas, inclusive, só aumentam. Essa fumaça é tóxica e tem feito mal para muita gente", afirma o morador e empresário Wanderson Bragança, de 34 anos. Em contrapartida, a Prefeitura se posicionou com uma ação de tutela de urgência (leia mais abaixo).

Em maio deste ano, ACidade ON acompanhou um incêndio de grandes proporções no local. O Corpo de Bombeiros foi chamado e o tenente Michel Aparecido Monroe explicou que os produtos usados anteriormente pela produção, juntamente com fios de cobre, provocaram o incêndio.

Nesta quinta-feira (5), as chamas estavam apagadas em meio ao acúmulo de entulho, plástico e vegetação, mas a fumaça permanecia. A parte de trás da fábrica é dominada por uma área verde, também preenchida, agora, com restos de comida, sapatos e roupas descartados pelos desabrigados e, até, um caminhão abandonado.

Insegurança

A dona de casa Érica Beatriz Gaioli, 38, destaca a insegurança que a invasão dos moradores de rua transmite ao bairro. "A minha rotina mudou completamente, porque não tenho mais coragem de ir à padaria, por exemplo, com celular ou dinheiro. Só cartão de crédito e a chave de casa".

Ela diz, ainda, que espera uma posicionamento das autoridades e antigos donos em relação à limpeza do local, instalação de cercas e fiscalização. "Eles [usuários irregulares do local] usam caminhos para ter acesso que nem mesmo eu sabia, que moro a vida inteira aqui. E acredito que outras pessoas também, já que, em maio, quando entrei no grupo de protesto, havia 600 membros. Agora, não para de crescer", concluiu.

Outro lado

Por meio de nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que "ajuizou, em 27 de junho deste ano, uma ação declaratória de abandono da Indústria e Comércio de Papel e Papelão e Marcelo Zuccolotto Galvão Cesar, uma vez que a mesma se encontra em ruínas e em completo estado de abandono", escreveu, via assessoria de imprensa.

Os pedidos incluem a concessão de liminar para permitir que agentes públicos entrem no imóvel, inclusive com ordem de arrombamento, para limpeza e atos executórios de preservação do local até o julgamento definitivo do processo, além de julgá-lo vago, ficando na posse do município. "Mas não houve manifestação da Justiça a respeito do pedido de tutela de urgência", finalizou.

Polícia Militar  

Já a Polícia Militar pontuou que o planejamento e execução do policiamento de toda a cidade é pensado para coibir crimes e delitos. No local mencionado não é diferente.  

"Neste ano, somente uma ocorrência de roubo foi registrada no local e, diante da reclamação dos moradores, enviaremos um Relatório de Averiguação de Infração Administrativa ao poder executivo municipal para providências quanto a limpeza, melhoria na iluminação pública e isolamento do acesso às ruínas existentes", escreveu em nota.  

Além disso, ressaltou que uma reunião foi realizada entre PM e tutores do Programa Vizinhança Solidária do bairro, com membros do Conseg Oeste, a fim de transmitir orientações aos moradores sobre ações de prevenção primária de segurança.

Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Facebook

Cadastrados

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentário (obrigatório)
0 comentários

Veja também