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Seis foram presos e quatro permanecem foragidos na Operação Cinderela

Ao menos 38 transexuais foram resgatadas de 18 endereços, em Ribeirão Preto; os acusados aliciavam as vítimas pela internet

| ACidadeON/Ribeirao

Detalhes da operação foram divulgados durante entrevista coletiva (Foto: Francielly Flamarini / ACidade ON)
 

Cinco pessoas, que não tiveram os nomes divulgados, foram presas preventivamente na manhã desta quarta-feira (13), durante a Operação Cinderela, que investiga casos de exploração sexual e situação análoga a escravidão em Ribeirão Preto. Um homem, também alvo de mandado de prisão, já cumpre pena por outro crime. Quatro pessoas já são consideradas foragidas pela Polícia Federal.  

Os investigados, ligados a dez grupos atuantes na cidade, que lideravam - e delimitavam - determinados territórios para prostituição, são acusados de aliciar ao menos 38 transexuais pela internet, vindas de outros Estados, com a promessa de transformação corporal.  

A ajuda oferecida, no entanto, resultava em dívidas de hospedagem, alimentação e demais mudanças. A situação de cada uma das vítimas e período de atuação delas ainda serão apurados, de acordo com as informações passadas pelas autoridades, em coletiva de imprensa. 

A delegada da PF Luciana Gabrim disse, ainda, que há relatos de mortes, envolvendo homicídios e suicídios, por conta da pressão e 'descumprimento do trato' entre as partes.  

"As vítimas já chegavam endividadas, pois as passagens eram pagas pelos aliciadores. Elas eram obrigadas a usar drogas, adquirir bens de consumo, pagar uma taxa para exercício da prostituição e hospedagem. Em seguida, davam início ao processo prometido. Era um dos presos, inclusive, que aplicava silicone industrial nelas [...]. Aquelas que não conseguiam pagar eram castigadas fisicamente e moralmente; recebiam multas e tinham seus objetos subtraídos. Já houve mortes em virtude da cobrança de dívidas, aplicação do líquido e algumas tiraram a própria vida por conta da pressão", explica a responsável pela investigação, iniciada em agosto do ano passado.  

Menores de idade também estariam envolvidos no esquema, incluindo uma jovem do Pará desaparecida desde 2016. Os trâmites teriam sido iniciados pelos líderes das organizações em 2013 e ainda não foi confirmado se há correlação com o tráfico internacional de pessoas, como na Operação Fada Madrinha, deflagrada em Franca.  


Ajuda às vítimas  

O Procurador da República André Menezes, que também acompanhou as diligencias em 18 endereços e participou da entrevista coletiva, definiu a ocorrência como um clássico caso de escravidão moderna, em que a corrente não era física.  

"Agora, o Ministério Público buscará ajuizar as denúncias e a responsabilização penal desses agentes, com as ações focadas em Ribeirão Preto. A coleta do material pode apontar ramificações em outras localidades. O objetivo, contudo, é desarticular os núcleos do município neste momento", explica.  

Os acusados responderão majoritariamente por tráfico de pessoas e redução a condição análoga de escravo. As penas podem chegar de quatro a oito anos de reclusão no primeiro crime e dois a oito anos no segundo.   

Já Cristiane Sbalqueiro, Procuradora do Trabalho, ressaltou que o Brasil precisa de políticas públicas para todos os habitantes, principalmente aos mais vulneráveis. Por isso, as vítimas terão a condição de escolher o que farão após o resgate. 

"Vamos atuar para permitir que essas pessoas tenham um trabalho digno em situação de liberdade e segurança. Não basta apenas tirá-las desse meio, mas também mostrar que transexuais podem trabalhar onde quiserem. Se isso não acontecer, vamos continuar relatando casos como esse. [...] Com o aprofundamento das investigações, vamos buscar desconstituir esse mercado, além dA repressão na área cívil para essas condutas, inibindo o prosseguimento ", finaliza.  

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