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Transexual denuncia discriminação em clube de Ribeirão

Vítima de 36 anos alega ter sido impedida por uma funcionária de se trocar no vestiário feminino; ela gravou um vídeo e registrou o caso na Polícia Civil

| ACidadeON/Ribeirao

 *Notícia atualizada às 18h do dia 16 de janeiro de 2020

A transexual Adelayde Ribeiro Netto da Silva, de 36 anos, denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de discriminação em um clube no Parque São Sebastião, zona Leste de Ribeirão Preto.  

A vítima registrou um boletim de ocorrência (BO) nesta quarta-feira (15), porém o fato teria ocorrido na manhã do último dia 29 de dezembro, quando Adelayde disse ter ido ao local como convidada por amigos para usarem a piscina.

De acordo com a vítima, ela teria ido se trocar no vestiário feminino do clube e achado estranho a falta de armários, quando teria começado a conversar com uma visitante. 

Durante a conversa, uma funcionária do clube teria entrado no vestiário e Adelayde perguntado sobre o motivo de não haver armários naquele local.  

Segundo a vítima, a funcionária teria dito que apenas nos banheiros masculinos tinham armários e que o seu local seria lá.  

No BO Adelayde relatou que a funcionária teria exigido que ela saísse do vestiário feminino e que teria sido irredutível com ela.

A transexual, que afirmou já ter sido vítima de preconceito outras vezes, decidiu ligar a câmera do celular quando tentava buscar explicações da funcionária.  

Durante a filmagem, um outro funcionário do clube chega e permite a entrada dela no vestiário feminino. O homem explica que a funcionária seria recém-contratada e que não saberia dos procedimentos do clube.  

Ao ACidade ON, Adelayde disse que tentou contato com o clube após o ocorrido, mas que não obteve retorno. Por isso, ela decidiu registrar o caso na polícia e afirmou que também pretende levar o fato ao conhecimento da Justiça.

"As pessoas só vão mudar a partir do momento que terem prejuízo. Processando, talvez aprendam a nos respeitar. Luto por mim e pela minha causa. Em toda a minha vida convivo com situações como esta", declarou, em tom de revolta.  

O caso foi registrado como preconceito de raça ou de cor, na CPJ (Central de Polícia Judiciária), no Centro da cidade, para investigação da Polícia Civil.  

Outro lado

O Clube dos Comerciários, do Sincomerciários (Sindicato dos Empregados no Comércio de Ribeirão Preto),  se posicionou através de nota. Confira ela na íntegra abaixo: 
 
"No dia 29/12, houve divergência no vestiário feminino do Clube dos Comerciários, envolvendo um convidado e uma funcionária. No ocorrido, a funcionária sugeriu o uso do vestiário masculino para a pessoa em questão, por conta dos armários e também por sua aparência, que exibia falta de identificação feminina.
No vídeo apresentado, não ocorre nenhum tipo de agressão, seja ela verbal, física ou discriminatória. Até mesmo porque, para capacitação de nossa equipe, encontros e palestras com a ONG Arco-íris são realizados rotineiramente. Coincidentemente, foi realizada palestra sobre direitos LGBT e LGBTfobia pela própria ONG na sede do Sincomerciários no último dia 15 de janeiro de 2020, com outra programada para sábado (18/1), no Clube dos Comerciários. Para esta palestra em questão, convidamos Adelayde Ribeiro Netto da Silva, para dar voz à causa juntamente com o presidente da ONG, Fábio De Jesus.
Nós, do Sincomerciários, reiteramos que sempre respeitamos e respeitaremos pessoas LGBT ou qualquer grupo social.
Estamos a disposição para diálogos e esclarecimentos para este jornal e quaisquer meios de comunicação, sempre com transparência e objetividade." 


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