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Relógio da Praça XV de Novembro é lugar de chorinho, cultura e Alê

Ele é um dos idealizadores do projeto Choro da Casa, que leva a música tradicional brasileira para o alcance de todo público

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Alê leva a música brasileira para todo público através do Choro da Casa (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Difícil quem passe sem uma pausa. Em meio à Praça XV de Novembro, bem embaixo do relógio, coração de Ribeirão Preto, o chorinho toma forma. Faça chuva ou tempo firme: toda segunda-feira, a partir das 20h30, o grupo de músicos se reúne por ali. 

Hoje, já somados quatro anos desses encontros abertos, parte do público é formada por quem passava e não resistiu a uma pausa, como conta Alexandre Gonçalves Peres, 34 anos: "Muita gente nem sabia o que era o chorinho, estava passando, gostou e hoje frequenta toda semana". 
 
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Ele é um dos idealizadores do projeto Choro da Casa, que leva a música tradicional brasileira para o alcance de todo público, sem cobrar ingressos, em meio à praça XV.  

Bem por isso, não havia como ser diferente. O relógio da praça, com todo o cenário central que o rodeia, o calçadão da cidade, é o lugar escolhido por Alê para celebrar o aniversário de Ribeirão. "Tem muita história aqui. E uma história musical mesmo. Coisas lindas aconteceram nesse quarteirão inteiro". Com sua música, ele (e todo grupo) dá continuidade a essa história cultural. E reafirma a função do espaço público como um lugar de todos. 

Alê ainda tem outros motivos para celebrar! Não é só o chorinho que encontrou embaixo do relógio seu lugar. O ponto é também encontro para roda de samba às quintas, apresentações mensais do maracatu. Ele está presente em tudo. "Sempre que eu posso, estou por ali. É muito importante o uso do espaço público como ponto de cultura."  

Trajetória musical  

Alê é ribeirão-pretano, nascido e criado na Vila Tibério, crescido entre os locais que fazem parte da cidade. O encantamento pela música começou ali, no quarteirão paulista. Seu pai o levava para assistir concertos no Theatro Pedro II e logo o menino já sonhava em passar da plateia para o palco.  

Aos 12 anos, começou a tocar violão. O pai, ressabiado com tanta empolgação, comprou um instrumento simples. Seria animação de criança, com tempo determinado?  

Não foi. Alê foi crescendo em meio à música e, quando chegou o momento da faculdade, não teve dúvidas do que queria fazer. Foi para o conservatório de Tatuí se formar músico.  

Até então, porém, não conhecia o chorinho. Estava matriculado no curso de guitarra quando assistiu a uma apresentação de choro dos professores e se encantou. "Foi uma emoção muito grande. Muito forte", decidiu que seria chorão e passou a estudar cavaquinho. "O chorinho é a escola do músico brasileiro. Eu pensava: enquanto não aprender a tocar chorinho muito bem, não vou partir para outras coisas."  

Quando voltou para Ribeirão, já formado, em 2010, conta que não havia grupos de choro. Passou a integrar um grupo de samba, mas a ideia de trazer o chorinho consigo continuou forte. Começou a incluir o ritmo no repertório e foi amadurecendo o estilo. Em 2012, ajudou a organizar a primeira edição do Festival de Choro de Ribeirão Preto, que em 2019 completa oito anos de roda. O grupo "Choro da Casa" se formou aí! 

Já na primeira edição do festival utilizaram os espaços públicos do Centro como palco. E continuaram assim, ano a ano. Quatro anos atrás, decidiram tornar os encontros fixos, às segundas-feiras, no relógio na praça XV, que se tornou o lugar de Alê.  

Palco de surpresas  


Tocando na Praça XV, em meio ao calçadão, Alê já viveu experiências diversas. "Vem gente de todo tipo, de todas as idades". Os moradores em situação de rua que vivem por ali também aproveitam a música. Se emocionam, dançam. É cultura para todos. 

" A gente torna acessível uma música que é nossa identidade. As pessoas se identificam. E elas não vão ouvir chorinho com tanta facilidade nos meios tradicionais", Alê afirma. 

Cada roda, então, é única. A cada encontro, um público diferente e, até mesmo, uma composição musical distinta. A roda é aberta a quem quiser participar, o que traz gratas surpresas. Alê conta que, em um encontro desses, apareceram músicos do Rio de Janeiro para integrar o choro. Relembra também o dia em que apareceram mais de 20 músicos e roda ficou enorme, sonora. 

O público também surpreende. Já juntaram mais de 50 pessoas e, toda semana, recebem visitantes de cidades da região. "Batatais, Sertãozinho, Araraquara: sempre tem gente de fora", ele diz. Além da música, o encantamento de quem participa é com o espaço onde ela é feita. "É gostoso tocar em um ambiente aberto, cercado de natureza, a gente sente essa energia", nas palavras de Alê.  

Ali, em palco aberto, encontram também uma forma ampla e direta de divulgação: "Se ficarmos só dentro dos teatros, não seremos conhecidos e o chorinho também não. É na rua que as pessoas vão ver o choro, a capoeira, o samba. E, para o chorinho, a rua é um habitat natural".  

Entre acordes, vão escrevendo na praça, coração de Ribeirão, mais um capítulo dessa centenária história. É cultura que encanta e transforma. 
 

Praça XV e a esplanada do Theatro Pedro II são cartão postal da cidade (Foto: Renato Lopes / Arquivo ACidade)
Praça XV: coração de Ribeirão  

Construída em 1890, a Praça XV, no Centro de Ribeirão, é o marco zero da cidade, onde foi instalada sua primeira igreja matriz, em 1868. O local passou por inúmeras transformações ao longo dos anos. Em uma delas, inclusive, houve a demolição da igreja que ocupava a praça, em 1905. Em 1900 foram construídos o coreto e o chafariz. 

O monumento do relógio foi instalado em 6 de setembro de 1939, como parte de um plano de embelezamento da cidade. Gilberto Nóbrega fez a proposta, atendida pela Associação Comercial e Industrial.  

Em frente à praça, está localizado o chamado "Quarteirão Paulista", que engloba o Theatro Pedro II, o Centro Cultural Palace e o Edifício Meira Júnior, que abriga a Choperia Pinguim. A Cervejaria Paulista financiou o projeto de construções no local por volta de 1930, que se tornou polo econômico e cultural de Ribeirão Preto.

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