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Trânsito e chuva também não se entendem muito bem

Especialista elenca série de medidas para minimizar os efeitos das enchentes; Confira a coluna de Vicente Golfeto

| ACidadeON/Ribeirao

O professor Vicente Golfeto é colunista do portal ACidade ON (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Não é só trânsito e álcool que não combinam. A verdade é que trânsito e chuva também não se entendem muito bem. Quando a chuva é torrencial, acusada desta maneira pelos índices aferidos pela pluviometria (e estamos falando as daquelas que ocorreram não apenas em Ribeirão Preto) os problemas, na verdade, se acentuam. E ficam, em consequência, muito maiores. Como exemplo trágico de algo semelhante, nós podemos citar o que ocorreu no vizinho município de Franca, historicamente conhecida como a Franca do Imperador. Foi exatamente nesta cidade que moça foi levada pela enxurrada palmar e singular de dias atrás. Apesar de ser socorrida a tempo, a jovem veio a falecer. 

Fortes chuvas, ocorridas no dia 27 último, voltaram a castigar Ribeirão Preto e muitos municípios da região. Na verdade, e para sermos mais precisos, Ribeirão Preto foi apenas uma das cidades em que a pluviometria atingiu níveis impressionantes. Em consequência, houve inundação que deixou o trânsito muito complicado em vários pontos de todas as cidades em que a pluviometria atingiu números recordes. As águas chegaram a invadir residências e até postos de saúde e escolas. Como a chuva foi mais forte no horário considerado de pico no trânsito (justamente quando as pessoas voltavam para a casa) o que se notou foi aquela lentidão irritante que todos nós já tivemos oportunidade de vivenciar quando transitamos por artérias e rodovias no momento de chuva forte. A lentidão, em casos como este, vem sempre acompanhada de aumento do perigo, dos riscos implícitos a diversos fatores.
 
Conforme nós já tivemos oportunidade de comentar, é preciso elencar algumas medidas que necessitam (quando articuladas entre si) ser importantes itens de uma política efetiva de combate às enchentes, sabendo que todas elas tiveram causas humanas apesar de terem começado como cheias naturais sobretudo em época em que os poetas chamam de chuva de verão. Assim, elencamos abaixo algum dos itens que reputamos importantes. São eles: 

1: instituir-se o planejamento regional. Sabe-se que cada município que apresente ativo demográfico superior à vinte mil pessoas, nos termos de lei federal, precisa ter o seu plano diretor estratégico próprio;  

2: a unidade de planejamento regional, não por acaso, diga-se de passagem, é a bacia hidrográfica ampla que abrange os municípios que compõem a região focada. No nosso caso, se o foco for a microrregião, é preciso que levemos em consideração que ela coincide com os trinta e quatro municípios que perfazem o que se conhece como região metropolitana;  

3: quando se trata de avançar no sentido de se atingir a macrorregião, que coincide com o que, geograficamente, entendemos ser o nordeste paulista, é importante que saibamos o nome de cada um dos oitenta e cinco municípios que compõem esta referida macrorregião;  

4: é preciso conhecer, inicialmente, e com detalhes, se possível, a altitude média de cada um dos municípios que formam, de início, as trinta e quatro cidades que compõem a microrregião focalizada. É preciso que definamos o que seja altitude, em termos geográficos. Altitude é a distância vertical medida entre um determinado ponto e o nível médio do mar. E latitude, o que é? Latitude é o ângulo entre o plano do equador à superfície de referência;  

5: cada um dos municípios tem a sua hidrografia própria. Cada um desses itens hidrográficos é parte da bacia hidrográfica total, mencionada no segundo item. A partir daí, identificam-se as microbacias (composta de córregos, nascentes de água, ribeirões e pequenos riachos), estas, muitas vezes, pertencentes há mais de um município apenas;  

6: a partir da identificação e do conhecimento da micro e da macro-hidrografia, com detalhes, começamos a planejar os processos de micro e macrodrenagem necessários para iniciar, pelo menos, o equacionamento dos problemas.
 
Na sequência do texto, nós identificamos cada uma das baixadas e das planícies que compõem as microbacias, situadas principalmente dentro do perímetro urbano de cada uma das cidades. Neste âmbito, focalizamos Ribeirão Preto.  

Aliás, outro local que sofreu com a força da água foi o hospital de base no conhecido bairro "Adão do Carmo Leonel", em Ribeirão Preto. Se houvesse uma fotografia aérea abrangente no momento em que a chuva atingiu o seu mais elevado índice, o seu pico, nós ficaríamos sabendo quais as áreas que precisam ter atenção especial. A zona Oeste foi, mais uma vez, uma das mais castigadas. Mesmo após cessar a chuva (também citamos, para entendimento, mais um exemplo) a avenida dos Andradas, no Parque Ribeirão, continuava alagada. Claro que estamos diante de uma realidade que apresenta muitas faces, como se fosse uma figura geométrica que nós denominamos de poliedro. 

 Através desta mesma realidade, nós temos uma fotografia parcial do grande problema a ser enfrentado. É claro que todos eles deverão estar incluídos nos planos de micro e macrodrenagem. Mas, conforme mantra da Física, nós sabemos que "nós só conhecemos aquilo que podemos medir". A partir daí, podemos começar ter certeza de que nós conhecemos a profundidade do problema. Para tanto, precisamos de ter consciência da necessidade e termos ciência total dos recursos orçamentários alocados.  

Evidente que esses recursos monetários não poderão ser apenas aqueles que foram alocados no orçamento anual. Para tanto, precisamos levar em consideração os recursos de um orçamento plurianual de investimentos. É exatamente o que estamos falando e que identifica o que é um problema tático, que pode ser resolvido através de um governo apenas, de um problema estratégico, normalmente problema de Estado. Quando o problema é do Estado, no caso do município, o documento financeiro necessário é o O.P.I., acrônimo de orçamento plurianual de investimentos. 


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