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A cultura como um bom negócio

Atualmente, o setor cultural representa 2,64% do PIB, com 0,8% de pessoas ocupadas em atividades criativas, significando cerca de um milhão de empregos diretos; Confira a coluna de Lilian Rosa

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Lilian é presidente do IPCCIC e coordena a pós-graduação da FAAP (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Mais de 50% da população brasileira realizam práticas culturais. Essas pessoas fazem parte de um grupo que conquistou recursos suficientes para acrescentar ao seu bem-estar, bens que vão além dos itens da cesta básica. Passou a fazer parte de suas vidas o hábito de ir ao cinema, ao museu e a galerias, de ouvir músicas, de ir a shows, ao teatro e de ler livros. São os chamados "praticantes culturais".  

Quando viajam, eles tendem a ser reconhecidos como turistas culturais, pois têm, na cultura, uma importante motivação. Além disso, agridem menos o ambiente que visitam e consomem mais os produtos locais. Contudo, o mais importante: esse grupo tende a se emocionar e aprender mais sobre a cultura dos locais que visita, voltando para casa mais universalista, mais tolerante e mais empático com as diferenças.  

De acordo com o BNDES, em 2015, a cultura movimentou R$155 bilhões no país. Em 2017, os setores econômicos criativos constituíram 3,5% da cesta de exportação brasileira. Atualmente, o setor cultural representa 2,64% do PIB, com 0,8% de pessoas ocupadas em atividades criativas, significando cerca de um milhão de empregos diretos. São, aproximadamente, 200 mil empresas e instituições e 10,5 bilhões de impostos diretos gerados. As estimativas indicam que, até 2021, o crescimento da área no Brasil será de 4,2%, ficando acima da média mundial.  

No Espírito Santo, por exemplo, de acordo com o IBGE, no primeiro trimestre de 2018, 8,2% do total de pessoas ocupadas no estado realizaram atividades criativas, ficando em 15º lugar no ranking nacional. O estado do Rio de Janeiro é o 1º. da lista, com 11,5%, seguido por São Paulo, com 10,6%. Na região Sudeste, 5,1% das pessoas ocupadas se dedicam ao setor criativo.  

O dinamismo do setor está aumentando a medida que cresce a demanda por cultura. Isso significa que investir em expressões culturais é, certamente, um bom negócio para todos.  

No caso do livro e da literatura, isso também é uma realidade. A cada R$1,00 gasto no setor, há um retorno de R$1,69. Em pesquisa que mapeou os hábitos culturais em 12 capitais brasileiras (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo) os resultados mostram que a leitura é a atividade cultural favorita de 68% da população, seguida de cinema (64%) e de shows (46%).  

Mesmo sendo um dos setores com maior dinamismo na atualidade, muita gente ainda desconhece o potencial da literatura e da cultura de uma maneira geral. Esse é o caso dos jovens, cuja participação neste setor diminuiu. Além disso, tem ocorrido o aumento do percentual de informalidade.  

O que é possível fazer?  

No âmbito do governo, os representantes políticos e os gestores públicos precisam conhecer as cadeias criativa, produtiva, distributiva e mediadora da cultura, diagnosticando os pontos que podem ser fomentados visando gerar trabalho e renda. Quanto aos empresários e investidores, existe a necessidade de olhar para a cultura como um setor econômico pungente. Para aqueles que buscam oportunidades de trabalho, é preciso buscar qualificação, tornando sua atividade criativa cada vez mais profissionalizada, sendo capaz de oferecer serviços de excelência ao consumidor.  

Ao final, é fundamental a compreensão da dimensão econômica da cultura como aquela que é capaz de gerar retornos sociais, culturais e, principalmente, contribuir para o desenvolvimento do país.

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