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Mercado de emprego de Ribeirão Preto sob a ótica do saldo

Quando o foco é a realidade de Ribeirão Preto, chegamos a construir um quadro em que o saldo de empregos variou muito nos últimos treze anos.

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Professor Vicente Golfeto (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
O pivô, um verdadeiro eixo, em torno do qual gira a crise econômica mais profunda, que chamamos tecnicamente de recessão, é o mercado de emprego de mão-de-obra. Levantados estes números (verdadeiro nervo-do-dente de qualquer crise econômica), nós avaliamos as consequências no âmbito estritamente social. 

Quando o foco é a realidade de Ribeirão Preto, chegamos a construir um quadro em que o saldo de empregos (diferença entre admissão e demissão) variou muito nos últimos treze anos.  

Este período, de 2007, ano a ano, até 2019, sempre de janeiro a setembro, mostra que foi em 2010 o exercício econômico-social em que o saldo de empregos atingiu o máximo. E este máximo representa o teto de 11.360 empregos gerados e preenchidos.  

No outro extremo, quando vivemos a maior crise, o fundo-do-poço apresentou saldo negativo de 3.433 empregos amputados. Anunciando uma redução nesta crise, nós tivemos 2015 e 2016. Em 2015, houve uma amputação de 3.433 e, em 2016 também foi verificado saldo negativo de 1.354 empregos. 

A partir de 2017, anunciou-se, como um clarim, o início do fim da crise mencionada quando foram criados, de janeiro a setembro, conforme dissemos, 755 empregos. Em 2018 chegou-se a 5.399. Quando parecia que estávamos caminhando para um número maior, eis que em 2019, até agora, foram criados apenas 3.547 novos empregos.  


Detendo-nos dos detalhes, verificamos que o processo recessivo muitas vezes continua e perdura no mercado de trabalho, menos por falta de oportunidades de trabalhar e mais por falta de condições, no nível de conhecimento, para se pleitear um lugar dentro de uma empresa pública ou privada. Aí fotografa-se o que chamamos de apagão de mão-de-obra.  

A crise, muitas vezes, esconde uma realidade mais triste e mais profunda, além de mais cruel. É que pode haver oportunidade para trabalhar mas, mesmo com vaga existente, muitas empresas não encontram mão-de-obra em condição de ocupar estas vagas. A realidade da educação do Brasil aponta no sentido de que, não raro, existe carência de mão-de-obra preparada mas o desempregado não tem condições de entrar neste mercado seleto por falta de qualificação e de habilidade profissional.

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