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Ativos, alegres e nada convencionais: a nova terceira idade

Pessoas com mais de 65 anos desafiam estereótipos e redescobrem o prazer de viver em atividades nada convencionais

| ACidadeON/Ribeirao

Marcia leva a vida leve mesmo aos 66 anos (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
Que a idade chega para todos, não temos a menor dúvida. Porém, será que nós estamos preparados para encarar o envelhecer com coragem suficiente? Muita gente não gosta nem de pensar nisso, visto que o idoso ainda é encarado de forma estigmatizada e questões como previdência e saúde levantam dúvidas sobre o que nos esperam no futuro.

Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente os idosos somam 28 milhões no Brasil, porém, deverão chegar a 43 milhões até 2031. E acompanhando o crescente número de pessoas com mais de 60 anos, também vemos um aumento na expectativa de vida. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), espera-se que sejam 80 anos para mulheres e 73 anos para homens. 
 

SEM PARAR 

Mesmo com um cenário com mais perguntas do que resposta, algumas pessoas dão um banho de otimismo em relação à própria idade. É o caso da arquiteta Marcia Okamura que, prestes a completar 66 anos, considera a idade uma aliada.

Com uma rotina de deixar qualquer novato no chinelo, Marcia desenvolve seus projetos à mão, acompanha obras o dia todo, vai à lojas com os clientes e dorme apenas cinco horas por noite. Aos fins de semana, gosta de ir a festas e barzinhos. "Esse é o porquê de ainda estar essa barriga aqui", diverte-se

É que, além de tudo, Marcia é praticante assídua de Crossfit há três anos, quatro vezes por semana. Para ela, o exercício é tão importante quando encarar a vida com otimismo. "Por pior que esteja a situação, a gente tem que olhar para o lado bom das coisas. E sempre tem um lado bom", diz.

Entre levantamentos de peso, agachamentos e circuitos, Marcia conta que tem um casal de filhos e que é casada há 45 anos. "Se não tiver bom humor, a gente não aguenta não. Se não for assim, caímos num ciclo negativo com a idade que é muito difícil sair". E ela lembra do marido que também tem um estilo de vida ativo. "Só que ele é da corrida. De fim de semana a gente toma umas juntos". 
 


É PRECISO ESTIMULAR A PREVENÇÃO DE DOENÇAS

Márcia é aluna do educador físico Átila Alexandre Trapé, que tem doutorado focado em treinamento para pessoas acima de 40 anos. Para ele, ainda falta estímulo para o público mais velho se dedicar a algum tipo de atividade física. "Não basta construir um parque na cidade. É preciso também políticas públicas para mostrar a importância do exercício e ainda ações para segurança de todos".

Ainda de acordo com Átila, o processo de envelhecimento é muito heterogêneo e pode ser completamente diferente para duas pessoas com a mesma idade, porém com hábitos de vida diferentes.

"Tem idoso acamado com muitas dores e tomando inúmeras medicações. Isso gera um ciclo vicioso de falta de estímulo, pouca motivação e deterioração da saúde de onde é difícil sair. Por isso vemos tantos casos de pessoas que sofrem uma queda e vêm a óbito", explica. Segundo o professor, quanto menos a pessoa se movimenta, menos ela quer se movimentar e menos o corpo tem condições de se recuperar de lesões. 

Átila é especialista em fortalecimento muscular para pessoas com mais de 40 anos (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

SUCESSO NA INTERNET AOS 88

E pra quem acha que internet é coisa para os jovens, Neuza Schereibe, de 88 anos, é um tapa na cara. Digital influencer, ganhou o apelido de "Dona Custosa": por ser uma pessoa de personalidade, digamos, custosa e hoje mostra sua rotina nas redes sociais.

Dona Custosa sempre arrancou elogios por onde quer que passasse, seja pelo zelo em se produzir, pelas combinações de cores dos seus looks, ou pelo sorriso que sempre estampa o rosto. A filha, Veruska, então deu uma mãozinha para que essa grande inspiração atingisse mais e mais pessoas através do Instagram.

Natural de Piracicaba, Dona Custosa veio a Ribeirão para um tratamento com um reumatologista, pois sentia dores horríveis. E por aqui ficou. Há seis meses com o perfil ativo no Instagram, já arrebanhou quase 6 mil seguidores e os convites para eventos de lojas e boutiques não param de chegar. "Todo dia acordo de manhã, tomo meu café e já vou ver correndo quantas pessoas mais estão lá no meu Insta", conta.

Segundo a filha Veruska, não é todo pedido de parceria que a mãe aceita. "Se ela não se identifica com a marca, com o propósito da empresa, ela não divulga não". Para ela, D. Custosa tem sido uma voz da terceira idade, para pessoas que têm poder de compra, sabem o que querem. "Tem sido um sonho fazer esse trabalho junto com ela".

A vaidade da digital influencer é algo que vem da infância e permaneceu na terceira idade. Faz unhas e cabelo toda semana, sem falta e costuma escolher os looks do dia sempre no dia anterior. "Uso o que eu gosto, não o que está na moda. Eu já conheço minha cartela de cores, então nada melhor para eu escolher o que quero usar. Mas mesmo assim acho que estou dentro da moda", diz. "E a lingerie também tem que ser bonitinha, igual a parte de baixo e de cima!"

E o casamento de 61 anos, também é moderno e vai muito bem, obrigada. Enquanto o marido mora em Piracicaba, ela diz não se incomodar com a distância. "Ele vem pra ca, eu vou pra lá. Tenho muita saudade, dá vontade de beijar, abraçar, me arrumo pra ele. Nada melhor do que um bom relacionamento".

Para Dona Custosa, envelhecer é amadurecer e saber perdoar é fundamental. "Temos que viver o hoje porque ninguém sabe quanto temos pela frente, e o passado não tem como mudar. Só de saber que estou aqui no mundo é uma felicidade. Tudo de bom que tenho em mim quero passar para as pessoas. Me sinto muito feliz".

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