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Economia

Turbulência exige postura conservadora, avaliam economistas

Especialistas são unânimes ao dizer que momento exige optar por investimentos com menor risco

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Matheus Urenha / A Cidade
Merlo : "O investidor deve optar pela renda fixa, porque apesar de render menos, existe uma garantia" (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

Em um momento de tanta turbulência e incertezas, economistas e consultores financeiros são unânimes ao recomendar o conservadorismo nos investimentos, como palavra de ordem para evitar futuras perdas e contornar a crise.

O assessor de investimentos Luiz Fukuhara reforça que as melhores alternativas para investidores conservadores são ativos de renda fixa.

“Hoje existem CDBs que remuneram 14% ao ano pré-fixado, títulos do Tesouro Nacional pagando inflação + 5,75% ao ano e até mesmo LCA e LCI, com ótimas taxas e isentas de IR para pessoa física”, enumera.

“O investidor deve optar pela renda fixa. Apesar de render menos, existe uma garantia. Muito diferente da renda variável, como as ações da Bolsa de Valores, sujeitas às variações do humor do mercado”, emenda Edgard Merlo, economista da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade)-USP.

Merlo afirma que, havendo um novo governo, existirá ao menos uma situação de falta de previsibilidade nos próximos 30 dias. “Nesse período estarão sendo anunciados novos nomes para o governo e feitos os primeiros ajustes na economia”.

O economista e consultor financeiro José Rita Moreira reforça o coro e sustenta que a postura a ser adotada agora é o conservadorismo.

“A realidade de hoje pode ser diferente da de amanhã. Mesmo que o Temer assuma, não é do dia para noite que vai mudar o perfil da economia do País”, destacou.

Moreira orienta investir dinheiro neste momento em aplicações mais seguras, como caderneta de poupança, CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou RDB (Recibo de Depósito Bancário). “Mesmo que o investidor deixe de ganhar mais, preservaria o patrimônio até uma sinalização positiva do governo”.

Ousadia

Por outro lado, há os investidores mais ousados , que podem, neste momento, querer investir na Bolsa. “É um perfil de ousadia. Pode acontecer de a Bolsa subir muito se a economia melhorar”, diz Moreira.
Ele orienta esperar antes de tomar alguma decisão momentânea sobre investimentos. “É preciso ver se haverá redução de ministérios, se a taxa de juros vai cair, se será retomado o financiamento da indústria. Por enquanto não há definição. O novo governo pode ter boa vontade, mas o modelo de governo pode não permitir mudanças”, conclui.  

Arte / A Cidade

 

Dólar reflete instabilidade

Especialistas ouvidos pelo A Cidade são unânimes ao orientar quem deseja comprar dólar neste momento para que faça a aquisição da moeda norte-americana aos poucos.

“Se preciso viajar nos próximos meses e vou comprar US$ 10 mil, eu sugiro comprar um terço disso porque, se a partir de agora começar a subir, eu já comprei uma parte. Por outro lado, se cair, não gastei tanto. A sugestão é esperar para ver o que vai acontecer”, orienta o consultor financeiro José Rita Moreira.

Mesmo assim, Moreira não crê, mesmo se a economia voltar aos trilhos, que o dólar caia frente ao real.

“Não deve haver grandes variações. De 2011 a 2013 o governo segurou o dólar. O valor que está hoje não é artificial”, afirmou.

O economista Edgard Merlo também aconselha comprar o dólar aos poucos, para estar menos sujeito às variações da moeda. “Quanto mais estabilidade houver, o dólar tende a cair”, conclui.

Evento orienta sobre investimentos

Mais de 50 alunos da FEA-USP participam, neste sábado, da segunda edição do projeto Finanças em Dia no parque Luís Raya, das 15h às 18h.

Divididos em grupos e sob supervisão do professor Marcelo Ambrozini, os estudantes ficarão à disposição de interessados em tirar dúvidas ou conhecer mais a fundo as opções de investimentos e fontes de financiamento existentes no mercado.

Banners com informações também ficarão expostos, ilustrando diversos produtos financeiros, como crédito imobiliário, planos de previdência complementar, consórcio, seguros, Tesouro Direto, CDB, investimento em ações, entre outros. “Queremos levar conhecimento para a comunidade de Ribeirão sobre opções de investimentos financeiros e fontes alternativas de financiamentos”, explica o professor.  

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo e-mail marceloambrozini@yahoo.com.br.

Análise>>>Habilidade política contará muito

“Não penso que a recuperação econômica ocorrerá rapidamente, mas poderemos ver a volta dos investimentos e a retomada da confiança do empresariado. Um governo de coalizão e um Banco Central mais ortodoxo são condições necessárias para a retomada do otimismo, mas não são suficientes para aprovar reformas estruturais necessárias. A habilidade política contará muito para o Brasil voltar aos trilhos. Em momentos de grande turbulência e sem conseguirmos traçar um horizonte de longo prazo, a tarefa de cada poupador é pesquisar e comparar cada um dos produtos financeiros disponíveis nos mais diversos bancos e corretoras”.

Luiz Fukuhara, assessor de investimentos

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