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Economia

Pesquisar preços dos medicamentos ajuda a economizar

Estudo do Procon-SP mostrou variação de preços em remédios, que chega perto dos 300% em Ribeirão Preto

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Milena Aurea / A Cidade
Auxiliar administrativo diz que nunca compra sem antes fazer várias consultas, mesmo em farmácias mais distantes (foto: Milena Aurea / A Cidade)

 

Com a economia instável, as pessoas têm mudado seus hábitos de consumo e aderido às pesquisas de preços antes das compras para economizar. E, quando o assunto é medicamentos, a economia pode ser ainda maior.

Prova disso é a pesquisa comparativa de preços realizada pela Fundação Procon-SP, em maio, que revelou uma diferença de até 272,34% nos medicamentos genéricos em Ribeirão Preto e de 73,39% nos de referência.

O estudo envolveu nove drogarias distribuídas pelas cinco regiões da cidade, em que foram pesquisados 64 medicamentos, dos quais 33 de referência e 31 genéricos.

Segundo a coordenadora da regional do Procon-SP em Ribeirão, Preto Solange Silva Prado, muito mais do que destacar regiões ou drogarias da cidade, a pesquisa visa despertar no consumidor o exercício da escolha consciente. “O mercado em Ribeirão tem bons preços, só falta o consumidor ir atrás deles”, disse.

Variação de preços

É exatamente isso que o auxiliar administrativo Reginaldo Pereira de Jesus, de 20 anos, faz. “Pesquiso muito. Remédio custa caro no Brasil, então enquanto tiver a possibilidade de economizar, vou procurar”, afirma. “Até porque, os valores variam muito de uma farmácia para outra”, reforça.

Ele conta que costuma pesquisar nas farmácias do Centro, por serem próximas ao trabalho. “Mas, se precisar ir mais longe também vou”, frisa.

Já a auxiliar de lavanderia Daiana Pereira, de 32 anos, pesquisa somente quando tem tempo. “Em caso de emergência ou para poupar tempo é bem mais fácil pedir para entregar em casa”, comenta.

Obrigatório

Para o consultor financeiro Carlos Henrique Piassa, o consumidor deve pesquisar em qualquer tipo de compra. “Mas, quando se trata de medicamento e saúde, essa pesquisa torna-se obrigatória”, frisa. “Ainda mais quando se trata de pessoas que usam medicamentos controlados e de uso contínuo, em que o peso disso no orçamento pode ser enorme”, completa.

Por isso, para controlar o orçamento, Piassa indica priorizar os medicamentos genéricos - já que em Ribeirão eles são, em média, 54,57% mais baratos do que os de referência -, e também se informar se o laboratório oferece programas de descontos.

“Assim, o impacto no orçamento é menor e sobra dinheiro para outras despesas”, finaliza.

Prática deve ser ampliada

O economista e professor da FEA/USP-RP Alexandre Nicolela reforça a importância da pesquisa em toda relação de compra.  

“Com relação aos medicamentos, a pesquisa deve ser feita em farmácias distintas e na mesma farmácia, isso porque o mesmo princípio ativo pode ter preços variados em diferentes laboratórios”, explica.

Segundo o economista, o dólar é um componente importante nessa diferença de preços. “Muitos laboratórios importam os princípios ativos, e assim, a moeda estrangeira passa a ter uma influência muito grande nos valores praticados”, afirma.

Já com relação aos genéricos, Nicolela afirma que há laboratórios que se destacam no mercado e têm preços mais elevados. “Até pela maior procura dos produtos”, conclui.

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