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Economia

Um futuro tranquilo exige disciplina e planejamento

Para especialista, quando se consegue visualizar o futuro com clareza, os cortes são mais simples

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Milena Aurea / A Cidade
Fernanda com os filhos Miguel e Angelina: todos têm sua previdência privada (Foto: Milena Aurea / A Cidade)

Quando o assunto é privação de consumo, costuma-se ouvir que “vida de aposentado não é fácil”. Porém, a estabilidade financeira é possível e depende mais de você do que imagina.

“Refletir sobre o futuro é fundamental. Quando se consegue visualizar com clareza, os cortes de desperdícios são mais simples”, afirma o planejador financeiro Leonardo Facchini. “Isso porque não se trata mais de fazer sacrifícios, mas de entender que são trocas para equilibrar o presente com o futuro, para que o resultado seja a maior qualidade de vida possível”, completa.

Na família da jornalista Fernanda Braga, de 32 anos, a preocupação com o futuro é uma constante. “Via isso muito forte no meu pai, que era autônomo, pagava o INSS e também uma previdência privada”, conta.

Segundo ela, o complemento da aposentadoria pública foi fundamental quando o pai precisou cuidar da saúde. “A velhice é uma fase que não se consegue prever se terá saúde ou não”, diz.

Para a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, quanto mais velho, mais caros são os planos de saúde – e maior a propensão a ter problemas que necessitem de remédios caros e cirurgias. “Tudo isso deve ser pensado ainda quando jovem.”

E este foi o caminho seguido por Fernanda. “Além do INSS, pago uma previdência privada há oito anos. E meus filhos, Miguel e Angelina, também possuem as deles”, diz.

A jornalista explica que faz aportes mensais e que este é um dinheiro que a família não mexe. “Para as crianças, fizemos pensando no futuro delas”, frisa. “E para mim e meu marido foi pensando na velhice, como complemento da aposentadoria pública”, reforça.

Ainda dá tempo

Para Facchini, em qualquer idade é possível pensar no futuro. “Claro que, quanto mais cedo, mais fácil e mais gorda pode ser a aposentadoria”, frisa. “Sempre é hora de construir o futuro financeiro”, completa.

A dica é procurar informação. “Assim, poderá refletir sobre como deseja estar ao se aposentar para depois adequar as finanças ao contexto desejado.”

O importante é começar

O planejador Leonardo Facchini afirma que não há regra para quem quer guardar dinheiro. “O importante é começar e ir adequando de acordo com o contexto de vida”, diz. Para ele, as pessoas não devem se prender a um valor ideal de investimento. “Dificilmente a vida futura pode ser definida por números exatos”, frisa. Já o consultor Carlos Henrique Piassa afirma que cada pessoa deve fazer um plano de previdência básico, dentro dos valores economizados por mês. “A dica que é que economizem de 8% a 12% do salário para investir em previdência”, comenta. O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, lembra que a aposentadoria tranquila depende de um planejamento adequado e seguido com disciplina. “Deve ser pensada desde o primeiro emprego,. Ainda que ganhe pouco, é possível guardar uma parte se houver organização”, alerta.

Envelhecer é tendência

“É claro que é importante pensar no futuro. A pessoa estará se retirando do mercado e a aposentadoria pública não garante a manutenção de rendimentos. Hoje, o envelhecimento da população é um problema mundial e que provoca o descompasso na previdência, pois há menos gente pagando e mais usufruindo – e, em algum momento, o governo terá que ajustá-la para essa nova realidade. A partir daí, se faz necessário gerar um complemento para a aposentadoria pública, investindo em outras formas de ativos que consigam gerar rendimento seguro e constante, como é o caso das previdências privadas ou investimento em imóveis. Este é um investimento para usufruir lá na frente. Mas, antes de decidir por um fundo, é necessário pesquisar e comparar para encontrar um bom e com taxas de administração não tão elevadas.”

Edgard Monforte Merlo
Economista e professor da FEA/USP-RP

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