Sai a máquina grande e cara, entra a solução digital em busca de lucro

José Damico pensou em levar mais informação e produtividade ao homem do campo: nasceu a Scicrop

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    • Gabriela Castilho
Renato Lopes / Especial
De acordo com José DaMico, tudo na 'fazenda inteligente' da Scicrop foi pensado para levar lucro ao pequeno produtor ? desde o celular de baixo custo para repassar os dados via bluetooth às informações mais eficientes da produção à colheita do produto (foto: Renato Lopes / Especial)

 

Segundo dados do Censo Agropecuário de 2006, o Brasil conta, atualmente, com cerca de cinco milhões de estabelecimentos rurais. Destes, 4,6 milhões são referentes a produtores com menos de 50 hectares e apenas 0,9% são referentes àqueles com mais de mil hectares. Ainda de acordo com esses dados, 80% dos alimentos consumidos pelos brasileiros vêm da agricultura familiar.

Foi com base nesses dados que o empreendedor José Damico co-fundou a startup Scicrop, que oferece uma plataforma integrada de Smart Farming com Big Data Analytics de forma acessível ao agricultor familiar.

A empresa oferece dispositivos de baixo custo que coletam e analisam dados em tempo real de clima, solo, manejo, pragas, doenças, logística e mercado. Tais informações permitem que o produtor obtenha melhor performance na produtividade, otimização de custos com insumos e implementos, além de predição e mitigação de impactos.

“Ter acesso a essas informações permite que ele [produtor rural] gerencie sua produção e faça um planejamento, o que faz com que as perdas caiam tanto a ponto de ter lucro – algo que simplesmente não acontece com o pequeno produtor”, explica.

Pensando também na dificuldade em conseguir internet de qualidade em determinados locais das plantações, a Scicrop também disponibiliza um celular de baixo custo que sincroniza todos os dados com a estação implantada no terreno por meio do bluetooth. O sinal funciona a até 30 metros de distância do aparelho principal.

“Tivemos essa ideia pensando em facilitar a vida do pequeno produtor e transformar as tecnologias mais acessíveis a ele. Essas grandes colheitadeiras, grandes máquinas são sensacionais e eu sou fascinado por elas, mas elas não fazem parte da realidade daqueles que abastecem o mundo”, conclui. 

Agricultura digital

Fernando Martins, CEO da Agrotools, debateu sobre a lavoura conectada, a utilização da agricultura digital dentro e fora da porteira. A empresa tem registros de 1.200 camadas de dados do território, uma tecnologia exclusiva que armazena informações de 3,8 milhões de propriedades rurais brasileiras, sendo 1,1 milhão delas no mais alto nível de produção. “Temos um banco de dados mais preciso que o Ministério da Agricultura e o Incra, coletando imagens de satélite há dez anos”, afirmou Martins. Com essas informações, a empresa pode disponibilizá-las para produtor, governo, mercado financeiro, trades, empresas de insumos e até supermercados. No entanto, Martins comentou que essa quantidade de informações ainda não é bem trabalhada pelo agricultor. Pesquisa nos Estados Unidos mostra que 83% dos agricultores que utilizam equipamentos de última geração sentem-se perdidos com tantos dados – no Brasil, não existe pesquisa neste sentido. “Ainda faltam dados de manejo do agricultor brasileiro, que precisa passar informações, é um paradigma a ser quebrado”, diz.

Renato Lopes / Especial
Fernando Martins, CEO da Agrotools (foto: Renato Lopes / Especial)

 


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