Prejuízo incalculável para o Comercial de Ribeirão Preto

Rebaixado pela quarta vez em seis anos, Leão atinge o pior momento de sua história e terá de disputar a última divisão

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Milena Aurea / A Cidade
E AGORA, BAFO? Atacante Mateus Totô, formado no clube, esteve no elenco que chora a queda para a última divisão do Paulista (foto: Milena Aurea / A Cidade)

 

O passado assombra o presente. Há seis anos, em abril de 2012, o Comercial tinha o seu rebaixamento no Paulistão matematicamente confirmado. Começava ali um calvário que nunca será apagado da história comercialina. Série A2, Série A3 e, agora, a Segunda Divisão, equivalente à quarta e última série do Estado. Quedas sucessivas. Quatro rebaixamentos em seis anos e um prejuízo financeiro e moral incalculável.

“Foi incompetência de todos nós, dimensionamos mal a competição”, declarou o presidente do Conselho Deliberativo, David Isaac. O rebaixamento foi consumado no último domingo, quando o time empatou com o Flamengo por 1 a 1, em Guarulhos, e fechou a A3 em 15º lugar.

Na avaliação de Rangel Scandiuzzi, presidente do Comercial entre 2010 e 2011, a queda para a Segundona pode ser considerada uma tragédia anunciada. “Era algo que infelizmente sentíamos que poderia acontecer”, analisou. De acordo com o ex-dirigente, o Comercial precisa de uma reformulação drástica para voltar aos tempos de glória. “O Brenno não é o único culpado, mas é preciso ter pessoas no clube que conheçam futebol, não adianta querer ser presidente para contratar jogador. A forma de fazer futebol mudou muito, na época que ele dirigiu o Comercial pela primeira vez [entre 1978 e 1980], o clube tinha receita e credibilidade”, lembrou Scandiuzzi.

Apesar do momento caótico, Isaac não vê o Comercial encerrando as atividades. “Ficamos 25 anos fora da primeira divisão, nem por isso acabamos, é preciso reavaliar a filosofia.” 

Thiagão condena parte do time

Titular do Comercial em 18 dos 19 jogos na Série A3 do Paulista, o zagueiro Thiagão não escondeu sua insatisfação com o rebaixamento para a última divisão. Em entrevista ao A Cidade, o jogador não poupou os companheiros de time e criticou a postura deles fora de campo, com envolvimento com bebidas.

“A maior dificuldade foi que muitos atletas não conseguiram se controlar com a bebida fora de campo. Qualquer um conseguia ver nos jogos o comprometimento de alguns, por outro lado, outros [atletas] apresentavam  uma passividade enorme. O elenco tinha qualidade, mas como equipe éramos uma m...”, desabafou o jogador.  Sem citar nomes, Thiagão revelou à reportagem que boa parte dos  jogadores do elenco passava o tempo livre consumindo bebida alcoólica.

“O problema era a bebida mesmo, cada um tem o direito de fazer o que quiser na folga, mas para muitos era folga todo dia. Espero que o clube faça uma avaliação de cada atleta para que alguns não sejam injustiçados por causa de outros. Tenho uma família para sustentar como outros que se dedicaram durante o campeonato”, concluiu.

O presidente Brenno Spinelli condenou as declarações do jogador. “Se alguém cometeu algum deslize foi sem o nosso conhecimento, creio que seja uma forma do Thiagão se eximir”, afirmou Spinelli.

Derrocada teve início em 2012

O inevitável, infelizmente, aconteceu. A queda do Comercial para a última divisão do Estado fecha um ciclo de rebaixamentos e sofrimentos para o torcedor comercialino. A derrocada do Alvinegro começou com o descenso da Série A1 para a A2, em 2012.

Em 2014, o Leão amarguraria mais um rebaixamento. Afundado na crise financeira, o Comercial caiu para a Série A2 um ano após ter voltado à elite. Em 2015, outra triste campanha. Ainda sob gestão da Lacerda Sports, o Leão terminou a Série A2 na 17ª colocação e foi rebaixado para a A3. E lá ficou até o último domingo, quando protagonizou o maior vexame em seus 106 anos de história.

“Temos a consciência da gravidade do momento. As direções mudam, as dificuldades foram tantas que chegamos a esse desfecho”, declarou Brenno Spinelli, que seguirá na presidência do Comercial até outubro deste ano.

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Divulgação / AA Flamengo
ÚLTIMO ATO: Empate com o Flamengo rebaixou o Comercial no domingo (foto: Divulgação / AA Flamengo)

 

 


4 Comentário(s)

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GIULIANO CESAR

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Bom Dia Eu acho que no comercial fc tem que ter uma mudança geral a partir da presidencia e seus acessores tem que ter gente que conheça de futebol e nao pessoas amadoras igual temos

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ALESSANDRO FACCIOLLO CRUZ

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bom dia , infelismente esse breno spinelli é ultrapassado , arrogante e prepotente , fora !!!!!!!!!! , precisamos de uma empresa e um pessoal profissional e capacitado para tocar nosso comercial , veja a ferroviaria e o novorizontino . força leão , vc jamais vai acabar .

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Reinaldo Gonçalves

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Futebol deve ser encarado como uma empresa, com um bom diretor, bom gerente e funcionários capacitados à exercer suas funções. Sem rentabilidade a empresa vai à falência e os clubes mal administrados são rebaixados. O Comercial irá ficar inativo 12 meses, tempo suficiente para reunir empresas e empresários para assumir com a responsabilidade financeira para reerguer o Leão do Norte.

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Carlos Roberto Caruso

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Quem acabou com o pouquinho que restava do CFC, pós Lacerda, foi a arrogância do ditador Brenno Spinelli. Melhor agora, se transformar num time de bases, formador de jogadores, pois assim não seremos mais piada para os adversários.