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Política

Operação Sevandija encaminha a quinta colaboração premiada

Empresário Ricardo Arruda negocia com o Gaeco; ele movimentou em suas contas R$ 1,6 milhão dos honorários de Zuely

| ACidadeON/Ribeirao

Delatores na Sevandija

A Operação Sevandija encaminha para o quinto acordo de colaboração premiada. O delator da vez é o empresário José Ricardo Arruda, dono de empresas de revenda de veículos. Por suas mãos passaram, direta ou indiretamente, R$ 1,6 milhão em cheques emitidos por Zuely Librandi, relacionados aos honorários advocatícios.  

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apuram a participação de Arruda na lavagem de dinheiro do advogado Sandro Rovani, que utilizou empresas e amigos para ocultar a origem ilícita dos recursos.  

Em 10 de maio deste ano, Arruda firmou um acordo de confidencialidade e sigilo com o Gaeco, "inaugurando uma etapa preliminar de colaboração premiada".  

Desde então, semanalmente o empresário troca informações com promotores de Justiça, esclarecendo as origens e destinos do dinheiro que circulou em suas contas.  

Segundo o documento, Arruda deverá "identificar e responsabilizar o maior número de autores, mensurar os danos, mapear os caminhos trilhados e os mecanismos adotados para escoar os valores desviados e, com isso, recuperar os produtos e os proveitos auferidos".  

Além dos recursos dos honorários, o empresário recebeu em suas contas R$ 240 mil em cheques emitidos pela empresa Carvalho Multisserviços, terceirizada da Prefeitura que também era utilizada por Sandro para trocar cheques.

Ofensiva 

A delação de Arruda faz parte da ofensiva da Sevandija para rastrear os recursos que teriam sido desviados da Prefeitura e identificar os laranjas utilizados para lavar o dinheiro.  

Esta nova fase foi inaugurada com a Operação Houdini, deflagrada em 28 de maio. Ela focou, exclusivamente, na movimentação de R$ 1 milhão coordenada por Sandro Rovani, com ajuda de sua filha, do advogado Marcelo Gir Gomes e do empresário Paulo Roberto Nogueira. Em 21 de junho, o Gaeco denunciou o quarteto por lavagem de dinheiro. Sandro e Marcelo já estão presos. 

Outro lado 

A Cidade procurou o advogado Luciano Quintanilha, que negocia a delação de Arruda, mas sua secretária informou que ele estava em reunião e não houve retorno da ligação. A reportagem ligou na revendedora de veículos SemiNovos Multimarcas, de Arruda, e uma mulher informou que ele não iria se manifestar sobre a Sevandija. A Carvalho Multisserviços sempre negou irregularidades e afirmou que colabora com as investigações.   

O advogado Julio Mossin, que defende Sandro Rovani, disse que o cliente "nega qualquer irregularidade nas transações, posto serem negócios particulares de ambos, não se traduzindo, em momento algum, em crime".   

Depoimento  

Em depoimento prestado ao Gaeco em agosto do ano passado, antes de iniciar os procedimento de delação, Ricardo Arruda assumiu que recebeu "diversos cheques" do escritório de Zuely Librandi, repassados por Sandro Rovani, mas negou saber que eram relacionados a ilegalidades.
Ele afirmou que Sandro era seu amigo de "longa data", e que recebia os cheques para "desfrutar de crédito fácil e sem burocracia". Como garantia de empréstimo, ele disse que emitia outros cheques, com valor maior, para compensar os juros. 

Benefícios para o delator 

O juiz poderá, a requerimento das partes:
 
Conceder o perdão judicial;
Reduzir em até 2/3 a pena privativa de liberdade;
Substituir a prisão por medidas restritivas de direitos (perda de bens, prestação de serviços comunitários, limitações de saída aos finais de semana);
Se a delação for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade ou será admitida a progressão de regime.

*O Ministério Público poderá deixar de denunciar o colaborador à Justiça, caso ele não exerça papel de liderança na organização criminosa.
 

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