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Celular de amante derrubou esquema de propina para Marco Antonio

Fotografias e conversas rastreadas pelo Gaeco no celular de Telma Regina foram o ponto de partida para deflagração da fase Callichirus

| ACidadeON

 

Celular de Telma apreendido pela Sevandija tinha fotos dela com Marco Antonio na praia de Bertioga (Foto: Reprodução)

Fotografias e conversas rastreadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no celular de Telma Regina Alves, amante de Marco Antonio dos Santos, foram o ponto de partida para derrubar um novo esquema de corrupção envolvendo o homem forte da ex-prefeita Dárcy Vera (sem partido).  

Elas originaram a deflagração, na manhã de terça-feira (13), da quinta fase da Operação Sevandija, denominada Callichirus. Telma e dois outros alvos foram presos pela força-tarefa, que descobriu mais R$ 2 milhões em propinas repassados pela empresa Aegea para Marco Antonio.  

Desse montante, R$ 1,1 milhão teriam sido transferidos, segundo o Gaeco, enquanto ele já estava atrás das grades de Tremembé.  

Com o esquema, Marco adquiriu um apartamento de luxo em Riviera de São Lourenço, praia de Bertioga.  

Quando a Operação Mamãe Noel, segunda fase da Sevandija, foi deflagrada em 2 de dezembro de 2016, com foco no núcleo dos honorários advocatícios, o celular de Telma foi apreendido.  

Naquela ocasião, Marco Antonio era réu acusado de receber R$ 1,1 milhão em propina da Aegea por meio de transações camufladas com a empresa de Luiz Mantilla, então diretor técnico do Daerp e colaborador premiado da Sevandija. Respondia, também, pelo esquema dos honorários advocatícios e terceirizados da Atmosphera.  

A análise do celular revelou um montante de propina paga pela Aegea ainda maior.  

No aparelho o Gaeco encontrou mensagens de Telma convidando uma amiga, em 29 de dezembro de 2015, para o apartamento em Bertioga.  

O celular tinha armazenado fotos de Marco Antonio e Telma no apartamento, registradas dois dias depois da conversa, além de outras de ambos curtindo a praia ao longo de 2016, antes da Sevandija ser deflagrada.  

A varredura do Gaeco também encontrou diversos contatos do celular de Telma apara uma mulher registrada como "Cleusa Faxina Riviera", indicando se tratar da mulher responsável pela limpeza e organização do apartamento.

Empresa laranja  
Telma também trocou mensagens com um contato identificado como "Imóveis Riviera", indicando se tratar do responsável pela venda do apartamento.  

Com área privativa de 175 m² na rua Alameda do Monjoleiro, área nobre de Bertioga, o imóvel foi adquirido em dezembro de 2015 pela empresa MPM Consultoria em Projetos e Engenharia, sediada em Mauá.

Essa empresa é de propriedade de Murilo Pires, preso nesta terça-feira acusado de ser laranja de Marco Antonio. Segundo o Gaeco, ela não possui funcionários e praticamente toda a sua receita nos últimos anos foi proveniente de repasses da Aegea.

A Aegea é pivô de um dos esquemas de corrupção revelados pela Sevandija. Segundo as investigações, Marco Antonio, enquanto superintendente do Daerp, fraudou licitação para que a empresa assinasse em 2015 um contrato de R$ 68,4 milhões com a autarquia para perfuração de poços, construção de reservatórios e troca de redes de água. Meses depois, o contrato foi aditado em mais R$ 15,3 milhões . 

Para a empresa de Murilo, a Aegea repassou R$ 2 milhões em transações bancárias. Apesar de no contrato a MPM Consultoria em Projetos e Engenharia ser a compradora do imóvel em Bertioga, na prática ela era laranja de Marco.  

Em depoimento ao Gaeco, o corretor de imóveis responsável pela venda afirmou que a escolha do apartamento e o valor da oferta foram tratados diretamente por Marco Antonio, e não por Murilo.  

A compra foi acordada por R$ 1,6 milhão, dos quais R$ 1,4 milhão foram pagos pela MPM entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016.  

O contrato não foi registrado em cartório, ficando arquivado na imobiliária.  

Fachada do prédio onde Marco Antonio comprou apartamento em Bertioga (Foto: Reprodução)
Venda
Marco Antonio foi preso pela primeira vez em setembro de 2016, solto dois meses depois e preso novamente em dezembro de 2016. Conseguiu novo habeas corpus no mesmo mês, mas retornou para Tremembé em março de 2017, onde está até hoje.  

Nesse meio tempo, a Sevandija acredita que ele orientou Murilo a vender o apartamento de Bertioga para poder ocultar o patrimônio.  

Em fevereiro de 2017, um novo negócio foi feito, também por contrato particular. Dois casais adquiriram o imóvel do litoral e deram em pagamento R$ 450 mil e mais um flat de luxo na Vila Olímpia, em São Paulo, avaliado em R$ 1,1 milhão.  

Esse flat tem 116 m², com direito a cobertura privativa, no condomínio Villa Funchal Bay Apartaments.  

Da transação, R$ 300 mil fora pagos ao antigo proprietário do apartamento em Bertioga e R$ 150 mil ficaram com Murilo e, portanto, Marco Antonio. 

Depois, Murilo deu o flat em São Paulo como garantia de crédito para um financiamento de R$ 200 mil junto a uma instituição bancária em abril de 2018. Para a Sevandija, foi uma forma de levantar dinheiro.

Outro lado
Na tarde desta quarta-feira, Murilo e um gerente financeiro da Aegea, Andre Luiz Teixeira Martuchi, ambos presos, prestaram depoimento à Sevandija, mas preferiram ficar em silêncio.  

Telma será ouvida na próxima semana. ACidade ON não conseguiu localizar sua advogada.  

Marco Antonio sempre negou a prática de crimes ou irregularidades ao longo dos processos.  

Em nota, a Aegea afirmou que "desconhece qualquer irregularidade em relação às investigações que ocorrem em Ribeirão Preto", diz que "segue padrões de compliance internacionalmente aceitos e atua com transparência, ética e integridade" e que "se mantém à disposição das autoridades".

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