Aguarde...

Política

A luta para ampliar os espaços femininos na política

Na disputa pelos executivos municipais, 87% dos candidatos eram homens e 13% mulheres. No legislativo, a diferença diminuiu: 34% de mulheres e 66% de homens

| ACidadeON/Ribeirao

Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa - Presidente do IPCCIC e da Academia Ribeirão-pretana de EducaçãoCoordenadora de Pós-graduação da Faap (Foto: Weber Sian / ACidade ON)
  
Mulher na política

De acordo com o site generonumero.media, nas eleições de 2020, apresentaram-se 179.692 candidatas, representando 34% do total. Houve um tímido crescimento, em relação a 2016. A quantidade de mulheres que se candidatou à prefeitura aumentou em 0,1%. Já para as câmaras municipais, o aumento foi de 1,3%. A disparidade ainda é relevante. 

Na disputa pelos executivos municipais, 87% dos candidatos eram homens e 13% mulheres. No legislativo, a diferença diminuiu: 34% de mulheres e 66% de homens. Em Ribeirão Preto, foram duas candidatas e sete candidatos à prefeitura. Para o legislativo, a população do município elegeu três mulheres e 19 homens.  

A luta para ampliar os espaços femininos na política, e atuar nas tomadas de decisão, no país, tem como marco a criação do Partido Republicano Feminino, por Deolinda de Figueiredo Dalto, em 1910. Naquele momento, o Movimento Sufragista crescia embalado pelo fortalecimento da emancipação intelectual e social das mulheres. 

Os primeiros resultados apareceram no Rio Grande do Norte, primeiro estado brasileiro a reconhecer o alistamento eleitoral feminino, em 25 de outubro de 1927. Um mês depois, o estado nordestino teria a primeira concessão para o voto das mulheres. A consequência não poderia ser outra: o município potiguar de Lajes/RN teve a primeira prefeita eleita, Luiza Alzira Soriano Teixeira. Com 60% dos votos, o The New York Times a citou como a chefe do executivo municipal pioneira em toda a América Latina. 

Em seu discurso de posse, Alzira apontou os ventos da mudança: "As conquistas atuais, a evolução que ora se opera, abre uma clareira no convencionalismo, fazendo ressurgir nova faceta dos sagrados direitos da mulher". 

Quem era Alzira? Esposa, casada aos 17 anos; mãe de três filhos; viúva. Administradora do próprio negócio rural. Para candidatar-se, lançou mão da legislação estadual do Rio Grande do Norte, de 1927, que dizia que, desde que o candidato reunisse as condições necessárias (idade e bens, principalmente) poderia votar e ser votado, sem distinção de sexos. 

Também do Rio Grande do Norte, Joana Cacilda Bessa foi a primeira mulher eleitora de Pau de Ferros e a primeira a ser eleita para o Conselho de Intendência Municipal, com 725 votos. O cargo equivaleria ao de vereadora, nos dias de hoje. 

A experiência pioneira potiguar demoraria 4 anos para tornar-se realidade nacional. Somente em 1932, o código eleitoral definiu como eleitor todo cidadão com mais de 21 anos. Com a ressalva de que o voto feminino não era obrigatório e dependia da autorização do marido. Somente com a Constituição Federal de 1934 é que se consagrou o princípio da igualdade entre os sexos. Nesse ano, a primeira deputada federal pisava no Congresso Nacional. Era Carlota Pereira de Queirós. Dois anos depois, Berta Lutz tornava-se a primeira deputada estadual, pelo Rio de Janeiro. 

Depois de mais de um século da luta feminina por uma participação ativa na política nacional, constatou-se que ainda havia muito trabalho a fazer pela equidade de gênero na política nacional. O nível de participação feminina no legislativo e executivo de um país é um indicador confiável do amadurecimento da democracia. Quanto mais postos ocupados, no governo, por mulheres, mais se evidencia uma cultura política igualitária. O equilíbrio da participação entre mulheres e homens no sistema governamental normalmente reflete a mesma condição de escolhas e oportunidades na sociedade. 


*Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa - Presidente do IPCCIC e da Academia Ribeirão-pretana de Educação Coordenadora de Pós-graduação da Faap


Mais notícias



Mais notícias do ACidade ON