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Wagner confirma rateio de propina para Dárcy

Ao MP, presidente do Sindicato dos Servidores de Ribeirão Preto admite participação em esquema ilícito

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Mastrangelo Reino / A Cidade - 16.ago.2016
Promotores possuem depoimento em vídeo de Wagner detalhamento o planejamento da propina referente aos honorários advocatícios (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade - 16.ago.2016)

 

Em depoimento de delação premiada, Wagner Rodrigues, presidente licenciado do Sindicato dos Servidores municipais e candidato derrotado à prefeitura de Ribeirão Preto pelo PCdoB, assumiu ter participado de articulações para acertar o pagamento de propina à prefeita Dárcy Vera (PSD) e ao seu braço direito, Marco Antonio dos Santos.

Na noite desta segunda-feira (17), a EPTV revelou que Wagner afirmou, em depoimento à Sevandija no dia 8 de setembro, que se reuniu em março de 2012 com Zuely Librandi e Sandro Rovani no escritório da advogada. Do encontro, segundo o sindicalista, ficou acertado que Dárcy receberia R$ 4 milhões e Marco Antonio R$ 2 milhões como propina da liberação dos honorários advocatícios referentes ao “acordo dos 28,3%”.

A Cidade apurou, porém, que em conversas posteriores com promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) Wagner confirmou um valor ainda maior: R$ 5,9 milhões líquidos iriam para a prefeita.

Esse montante consta, inclusive, na “contabilidade da propina” apreendida pela Sevandija no escritório de Sandro Rovani no dia 14 de setembro, após informação prestada pelo próprio Wagner, conforme A Cidade informou na edição de 20 de setembro.

Wagner disse, aos promotores, que confirmava os valores dessa planilha, divulgada à época pela EPTV.

Procurada, a advogada da prefeita nega que ela tenha recebido propina.

Segundo Wagner, o sindicato receberia, para viabilizar o acordo com os servidores, R$ 11,8 milhões em propina. O sindicalista, que pediu afastamento da entidade em 2 de outubro devido à Sevandija, diz que esses valores não chegaram a ser pagos a ele.

Trâmites

A delação ainda aguarda homologação da Justiça. Os depoimentos são gravados em vídeo e áudio, conforme prevê a legislação, e são sigilosos. Nas conversas, ele dá detalhes de como o acordo da propina evoluiu até a prefeita – inclusive com reuniões dentro do Palácio Rio Branco.
O primeiro passo para a delação foi dado em 6 de setembro, quando Wagner foi à Polícia Federal depor em cumprimento de mandado de condução coercitiva.

Arte / A Cidade

 

MP desconfia de valores

A Sevandija investiga indícios de que o valor dos honorários que a prefeitura se comprometeu a pagar a Zuely, R$ 69,9 milhões, foi inflacionado pelo Palácio Rio Branco para aumentar o valor de propina pago a Marco Antonio e Dárcy Vera.

O valor total que seria devido foi estipulado por “auditoria interna” da prefeitura, tendo por base a diminuição do juros anual pago à parcela dos servidores de 6% para 3%. Entretanto, a análise teria levado em consideração, em 2012, valores que já haviam sido pagos desde 2008.

Arte / A CidadeInterceptações da Sevandija mostram, inclusive, preocupação de Zuely e Dárcy quando o promotor de Cidadania, Sebastião Sérgio da Silveira, abriu inquérito para apurar necessidade de auditoria nos valores do acordo.

Acusados negam

A advogada de Dárcy, Claudia Seixas, negou que a prefeita tenha recebido os valores e disse que ainda não teve acesso ao depoimento de Wagner.

“A prefeita está fazendo sua defesa nos autos e colaborando com as investigações. Vale ressaltar que as acusações presentes na delação premiada precisam ser comprovadas com provas materiais, e não apenas declarações”, disse Claudia.

O advogado de Wagner, Daniel Rondi, disse que não poderia se posicionar em razão do caráter sigiloso das investigações, mas que seu cliente está colaborando com a Sevandija.

Laerte Carlos Augusto, que assumiu a presidência do sindicato dos servidores com o afastamento de Wagner, disse que iria se inteirar das denúncias e que a instituição emitiria uma nota nesta terça-feira (18).

“Mas o sindicato não recebeu nenhum valor do acordo dos honorários”.

O advogado de Sandro Rovani, Júlio Mossin, diz que irá se manifestar após analisar a delação de Wagner, ainda não homologada pela Justiça. Ele ressaltou, porém, que a “delação precisa vir acompanhada de provas, senão se trataria tão somente de uma confissão, que deve ser analisada com todo o conjunto probatório”.

Luiz Bento, advogado de Zuely, afirmou que não tinha ciência do conteúdo da delação de Wagner nem do encontro citado pelo sindicalista.

Em depoimento à Polícia Federal, Zuely confirmou o pagamento de R$ 2 milhões de propina a Marco Antonio e alegou que eventualmente pagava despesas pessoais deDárcy, como o cartão de créditos, e sacava até R$ 20 mil para essa finalidade. Afirmou, ainda, ter entregue cheques, no valor de R$ 90 mil, a Sandro, que seriam depois repassados a Wagner. 

Comentários

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3 comentários
  • Marietta Capronni
    18/10/2016 17:38:36
    Essa história ilustra bem, no âmbito municipal o que acontece no estadual e federal: criminosos sindicalistas esquerdopatas assaltando o sacrificado contribuinte ! É o PC do B e assemelhados a serviço do crime organizado, com advogada e tudo !
  • Antonio
    18/10/2016 16:06:10
    E qual dia esses corruptos vão ser presos? E o nosso dinheiro que dia vão devolver?
  • David Oliveira
    18/10/2016 13:42:06
    Como pode um sujeito que esta atolado até o pescoço em corrupção ter concorrido ao mais alto cargo do executivo em nossa cidade? Francamente sinto vergonha! Vergonha de ver estampado nas paginas dos jornais tamanha falta de carater!!!!

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