18 de abril de 2024
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EP Agro

Bioprodutos na cultura do feijão geram até 214% de retorno

Estudo foram feitos com a cultivar feijão carioca Pérola nos estados de GO e MG; confira os resultados e avaliações

pé de feijão
Pesquisa foi conduzida em sistemas comercial e familiar (Foto: Flickr)

A Embrapa Arroz e Feijão realizou uma avaliação econômica sobre a aplicação de produtos biológicos em coinoculação, no lugar de fertilizantes nitrogenados, na produção de feijão nos estados de Goiás e Minas Gerais.

As taxas de retorno ficaram entre 190% e 214%, mas com aumento de 5% de custo, para lavouras comerciais; e 113% para agricultura familiar, com aumento de 8,5% em comparação aos tratamentos realizados em coinoculação. (leia mais abaixo)

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Pesquisa

O estudo abrangeu três safras do usado feijão carioca Pérola em sistema irrigado por pivô central nos seguintes municípios:

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Goiás

  • Cristalina
  • Itaberaí
  • Santo Antônio de Goiás

Minas Gerais

  • Paracatu
  • Unaí

Enquanto em Goianésia (GO), o experimento foi feito em área de agricultura familiar com irrigação por aspersão.

A coinoculação consiste na adição de mais de um microrganismo benéfico às plantas, com vistas a maximização de sua contribuição. Nessa pesquisa, para inoculação, usaram dois produtos comerciais, contendo:

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  • Rizóbios (Rhizobium tropici) – microrganismos responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN)
  • Azospirillum brasilense – bactéria conhecida por sua ação promotora de crescimento de plantas

O rizóbio foi usado na configuração de inoculante turfoso (pó contendo a bactéria) preparado em solução para o tratamento de sementes, com duas doses aplicadas por hectare. Já do Azospirillum, utilizou-se da seguinte forma:

  • Uma e duas doses de produto por hectare aplicadas na semente
  • Duas e três doses por hectare via pulverização foliar na fase vegetativa da lavoura

Para fins de comparação com a adubação nitrogenada, foi adotado fertilizante nitrogenado na forma de ureia, sendo 80 quilos por hectare, distribuídos

  • 20 quilos por hectare na semeadura
  • 60 quilos por hectare aos 25 dias após a emergência das plantas

Avaliação

Na avaliação, foram usados os preços e índices de mercado por conta da produção de grãos dos diferentes tratamentos.

O pesquisador Enderson Ferreira, um dos coordenadores do trabalho, viu como positivo o retorno financeiro sobre a substituição, especialmente, em um dos tratamentos realizados. “O melhor desempenho foi obtido no tratamento de sementes com rizóbio e três doses de Azospirillum pulverizadas nas plantas. Isso resultou em taxas de retorno de 190% em Goiás e 214% em Minas Gerais, para lavouras comerciais; e de 113% em Goiás para agricultura familiar, o que torna rentável economicamente a coinoculação”, disse.

Viabilidade Econômica

Estimou-se nessa pesquisa o custo total de produção, com cálculos semelhantes para ambos os sistemas de agricultura – familiar e comercial –, tendo como diferencial a inserção da irrigação por aspersão no familiar. Foram envolvidos no processo os seguintes custos:

  • Manejo da lavoura
  • Adubação do solo
  • Defensivos
  • Energia elétrica
  • Mecanização
  • Colheita e atividades pós-colheita
  • Seguro da lavoura
  • Assistência técnica

O socioeconomista e pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Wander, além de falar nas diferenças do custo total de produção, relatou que este processo avaliativo é muito importante para o produtor rural porque os adubos nitrogenados compõem grande parte dos custos de produção. Explicou que, como esse insumo é importado, sua cotação é o dólar, estima-se que o custo de o usar seja cerca de 14% de todo operacional de produção.

“Embora existam relatos de substituição parcial ou total da adubação nitrogenada, há pouca informação disponível sobre a vantagem econômica do uso de coinoculação em substituição a fertilizantes nitrogenados. Por isso, pesquisas como essa são importantes para os agricultores e para melhorar a eficiência das lavouras. O resultado que alcançamos evidencia que a coinoculação é uma opção lucrativa para todos os produtores de feijão, sejam pequenos, médios ou grandes”, complementou Alcido.

*Sob supervisão de Marcos Andrade

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Janaína Boaventura
Estagiária no Tudo EP e a A Cidade ON, é graduanda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Adentrou no Grupo EP em 2024 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.
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