18 de abril de 2024
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EP Agro

Unicamp encontra molécula que controla a vassoura-de-bruxa 

Há mais de 20 anos grupo de pesquisa da universidade estuda fungo que devastou a cacauicultura no Nordeste do país

Vassoura-de-bruxa é uma das pragas da cacauicultura (Foto: Pixabay)

*Marina Fávaro

Deformação e apodrecimento são as principais consequências causadas pela vassoura-de-bruxa, que é uma das pragas da cacauicultura. Ela é causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa que penetra os tecidos da planta.  

Segundo Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, que é o professor que coordena o Programa Genoma Vassoura-de-bruxa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o fungo é responsável por dessincronizar o ritmo da planta. É como se a planta tivesse um determinado ritmo e o fungo mudasse isso.  

Nos anos 2000, os pesquisadores do Programa iniciaram o sequenciamento genético do fungo. Realizar o sequenciamento significa estudar o DNA, ou seja, compreender as moléculas responsáveis por apresentarem as informações genéticas do organismo. “O nosso Programa tentou aplicar hormônios e diferentes manejos de campo, mas isso não estava dando resultado”, disse.  

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Paralelamente a tudo isso, lá na Bahia, em Ilhéus, o cacauicultor Edvaldo Sampaio começou a testar novas formas de combater a vassoura-de-bruxa que chegava às suas fazendas. O cacauicultor obteve resultados positivos e, em 2006, ele e o professor Gonçalo se encontram para compartilharem conhecimento. “Com o conhecimento do cacauicultor, a gente conseguiu encontrar um método para conviver com a doença, mas a gente queria eliminar”, pontou.  

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“Em 2020, com base nos conhecimentos sobre sequenciamento genético e metabolismo bioquímico, encontramos um alvo: a oxidase alternativa, enzima que faz parte da cadeia respiratória em plantas. A gente imaginou que ao inativar esse gene, a gente conseguiria controlar a doença. Desenvolvemos uma droga para inibir o alvo, depois, testamos e ela funcionou muito bem em laboratório”, explicou o pesquisador.  

“Eu percebi que a molécula que nós tínhamos desenvolvido era muito parecida com uma molécula que estava no mercado, sendo vendida na agricultura como nematicida. Nós pegamos essa molécula – que estava formulada como nematicida, mas também com ação fungicida – fizemos os experimentos em campo e aí conseguimos fazer o controle. Foi genial!”, explicou o pesquisador. Trata-se da molécula carboxamida.  

De acordo com o professor, para que a droga funcione, é preciso combiná-la com uma outra droga, já que existem duas vias no metabolismo do fungo. “A inativação de apenas uma delas não funcionaria, então o nosso trabalho levou a entender isso e a desenvolver uma combinação de moléculas capazes de bloquear o fungo. Isso já está sendo usado por alguns cacauicultores na Bahia, ainda de forma muito limitada e experimental”, disse.

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*Com supervisão de Marcelo Ferri

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