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O último tango de Messi deve ser dançado no Manchester City

O reencontro do argentino com os arquitetos do melhor Barcelona de todos os tempos é uma história que merece ser contada

| ACidadeON/Araraquara

 

Messi oficializou o seu desejo de deixar o Barcelona. (Foto: Divulgação/Barcelona)

A derrota acachapante do Barcelona para o Bayern de Munique por 8 a 2 foi o tremor que faltava para promover o maior abalo sísmico do mundo do futebol no século XXI: Messi quer deixar a Catalunha.  

Para entender o que levou o argentino a considerar um novo futuro para si fora do clube em que foi formado, é preciso contar a história dos últimos anos.  

Já há quatro temporadas que o Barcelona deixou de ser competitivo nos jogos célebres. Em 16/17, derrotas por 4 a 0 para o PSG e por 3 a 0 para a Juventus; em 17/18, derrota por 3 a 0 para a Roma; em 18/19, derrota por 4 a 0 para o Liverpool. O massacre alemão foi o ponto final de um texto trágico que já vinha sendo escrito.  

As saídas de Xavi, Iniesta e Neymar, a demissão inexplicável de Ernesto Valverde, o conflito público com Éric Abidal, a contratação contestável de Quique Setién e o constrangedor Barçagate, escândalo descoberto em que dirigentes do Barcelona contrataram uma empresa para difamar seus jogadores (entre eles, Messi) nas redes sociais, são episódios que dão contornos vexaminosas para esse triste enredo.  

Há quem fale de futebol sem assistir aos jogos e por isso responsabiliza Messi pela queda de desempenho do Barcelona.  

Na temporada do 8 a 2, são 31 gols e 26 assistências em 41 jogos disputados. Artilheiro e líder em assistências do Campeonato Espanhol, dos 110 gols do Barcelona em 19/20, 51,8% contaram diretamente com a participação de Messi.  

Se os blaugranas conseguiram chegar em algum lugar nos últimos anos, foi graças ao melhor jogador de sua história. 

Por isso, se a saída de Messi for concretizada, não estamos falando de um ídolo que abandona o clube por estar vivendo um momento de penúria. Na realidade, como capitão da nau barcelonista, o argentino desistiu de liderar um barco inundado em que ele parece o único disposto a tirar os litros de água de dentro da embarcação. Falta reciprocidade por parte dos outros tripulantes.  

O camisa 10 do Barcelona não duvida apenas que o clube conseguirá elaborar um projeto esportivo competitivo em alto nível para as próximas temporadas, mas, sobretudo e com todos os motivos para isso, que a atual gestão seja capaz de fazê-lo. 

Aos 33 anos, Messi quer viver o último ciclo da sua carreira em um ambiente que possibilite que ele continue brigando pelos mesmos 34 títulos que já conquistou com o Barça. Continuar na Catalunha, atualmente, seria se manter à serviço daqueles que destruíram o Barcelona, sem garantia alguma de que algo seria diferente.  

Sua possível saída do Barcelona vem produzindo um leque amplo de especulações, contudo, a hipótese que parece possuir contornos mais realistas conta do seu desejo de jogar no Manchester City. Por lá, Messi reviveria a parceria com o treinador que fez dele o principal jogador de um dos melhores times da história do futebol.  

Entretanto, entre os conhecidos de Messi, não é só Guardiola que está no City. Txiki Begiristain, Ferran Soriano, Manel Estiarte, entre outros personagens que transformaram o Barcelona em "mais que um clube", estão agora na Inglaterra empenhados em fazer dos citizens uma potência europeia.  

Hoje, não me parece que haja lugar melhor para que Messi dance o último tango de sua carreira. 

Se o argentino for para o Manchester City, a cobrança por resultados será estratosférica e a distorção resultadista entenderá como o mais puro fracasso qualquer coisa que não termine com um título da Champions League. Porém, o reencontro de Messi com os arquitetos do melhor Barcelona de todos os tempos é uma história que merece ser contada.  

Além disso, Messi e Guardiola já aprenderam que não conseguem vencer sozinhos.

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