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O mundo do futebol se despediu do seu maior artista

Até porque, se somos feitos à imagem e semelhança de Deus, ninguém melhor do que Maradona e sua trajetória errante para ser a divindade do futebol

| ACidadeON/Araraquara

Maradona foi campeão mundial com a Argentina em 1986. (Foto: ARCHIVO EL GRAFICO/GETTY IMAGES)
Hoje (25), o mundo do futebol se despediu do seu maior artista.  

Em campo, Maradona inventou a magia. Ainda aos 15 anos de idade, apresentou ao seu país, com a camisa do Argentino Juniors, uma sensibilidade para jogar futebol que ainda não havia sido vista na história do esporte. Desde então, o menino que queria ser Deus já estava anunciando que, nos textos que se escrevem dentro das quatro linhas, o seu livro seria especial.

Jogou pelo Boca Juniors, onde é ídolo, e também pelo Barcelona, já preparando o terreno para que o seu sucessor, Lionel Messi, pudesse brilhar com as cores blaugranas. Contudo, o grande momento da sua carreira foi vivido durante a década de 80, quando inventou o mundo com duas camisas azul celestes: a do Napoli e a de sua seleção.

Com o time italiano, foram sete anos transformando o universo do catenaccio, assim como Deus criou o nosso em sete dias. Por lá, dos cinco títulos que venceu, três deles nunca mais se repetiram: foram dois troféus do Campeonato Italiano e uma Liga Europa, o único título continental da história napolitana. Com a Argentina, venceu a Copa do Mundo de 1986 e, para além da conquista, premiou os apaixonados por futebol com a maior atuação individual já vista em todas das as edições de Copa do Mundo. Além disso, contra os ingleses, vingou a Guerra das Malvinas com o gol mais bonito que já havia sido marcado até então e também com a mão mais antológica de todos os mundiais. 

Esse encontro azul celeste, entre Argentina e Napoli, viveu seu grande momento na Copa do Mundo de 1990, disputada em território italiano. Na cidade do sul da Itália, o camisa 10 e capitão da seleção Argentina enfrentou a anfitriã do mundial nas semifinais e, pelo amor que só ele era capaz de criar, fez com que parte do estádio San Paolo se voltasse contra a seleção do próprio país e torcesse por Maradona. Passaram os argentinos que, na final, foram derrotados pelos alemães. Por um fio, Maradona não foi bicampeão mundial.

Entretanto, os títulos e os números dizem muito pouco sobre Maradona. Não à toa, o maior ídolo da história da Argentina venceu apenas um campeonato do seu país, em 1981, com o Boca Juniors. Na realidade, o que Dieguito foi e sempre será deveria nos servir como alerta de que as taças empilhadas nos armários e os índices estatísticos de performance não são nada perto do encanto que os nossos olhos são capazes de perceber. Isso é futebol e é por isso que Maradona se tornou o Deus desse céu azul celeste.

Até porque, se somos feitos à imagem e semelhança de Deus, ninguém melhor do que Maradona e sua trajetória errante para ser a divindade do futebol. Porque, se Pelé é o melhor jogador da história do futebol, Maradona é o maior personagem do ludopédio em todos os tempos, justamente por ser demasiadamente humano.

Por fim, a partir de agora, toda vez que a bola rolar em qualquer canto desse planeta, na pelada da quarta-feira à noite ou na final da Copa do Mundo (até porque, a Copa do Mundo era a sua pelada...), a única pergunta importante será: seja onde estiver, ao assistir esse jogo, Maradona está sorrindo? Em nome da paixão do futebol, nós devemos isso a ele.

Obrigado por tudo e por tanto, Dios.

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