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O principal título da Ferroviária, em 2021, foi resistir

A Ferroviária, que está à léguas de ser uma potência econômica, ainda se manteve na elite competitiva do futebol feminino

| ACidadeON/Araraquara -

A Ferroviária foi eliminada pelo Santa Fé na Copa Libertadores. (Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária SA)

 

O tricampeonato da América ficou para depois. A Ferroviária foi eliminada pelo Santa Fé, da Colômbia, nos pênaltis, e deixou a Copa Libertadores nas semifinais. Agora, a equipe disputará o terceiro lugar contra Nacional, do Uruguai e pode voltar para o Brasil com um lugar no pódio e premiar sua invencibilidade. Já o time colombiano, peregrinará para Montevidéu e tentará o impossível contra o Corinthians, em busca da Glória Eterna.

Durante a competição, o escrete afeano passou por maus bocados e a eliminação aconteceu, justamente, quando a sua melhor versão estava ganhando forma. Contra o Sol de América, na estreia do clube no torneio, vimos uma Ferroviária foi monótona e inofensiva na primeira etapa. No segundo tempo, com Luana e Sochor dentro das quatro linhas, reorganizando o sistema tático atacar com três meio-campistas e duas atacantes, com a intenção de irromper os espaços, o jogo fluiu e a bola beijou o barbante três vezes.

Contudo, nos enfrentamentos seguintes, com o Deportivo Cuenca e o próprio Santa Fé, a estagnação foi um sintoma. Com a posse de bola, a monotonia voltou, com uma mobilidade insuficiente no meio-campo, sem que o time criasse chances de gol e que culminou em uma equipe desorganizada coletivamente. Como consequência, no momento defensivo, com uma Ferroviária despreparada para se proteger, as adversárias contra-atacavam e usavam a bola longa com facilidade. O cenário mudou contra o Cerro Porteño.

O posicionamento de Luana, como primeira mulher do meio-campo, iniciando as jogadas de ataque com as zagueiras, em uma linha de 3, permitiu que a saída de bola grená fosse menos suscetível à marcação pressão. Concomitantemente, Rafa Mineira, Sochor e Suzane puderam ser encontradas em zonas livres e em melhores condições para jogar. Em diversos momentos, a movimentação do trio atraía a defesa rival, deixando os corredores laterais desmarcados para que Carol Tavares e Barrinha avançassem. A conclusão dos lances era responsabilidade de Raquel e Laryh e suas infiltrações na área.

No reencontro com o Santa Fé, o enredo se repetia até que, um passe equivocado de Gessica induziu Luana a cometer um pênalti. Em desvantagem no placar, a ansiedade impediu que a Ferroviária pensasse o jogo e se não fosse Luciana -- o detalhe que sempre faz a diferença --, o dano sofrido no primeiro tempo poderia ter sido ainda maior. Nos 45 minutos que restavam, a produção ofensiva diminuiu, quando Roberta Batista tentou com Laryh e Raquel pelos lados e Ludmila, que substituiu Suzane, como centroavante. Foi a genialidade de Rafa Mineira quem deu o empate para as Guerreiras Grenás.

Nas penalidades, o Santa Fé foi impecável, enquanto Monalisa bateu mal e o destino foi injusto com Raquel, a melhor jogadora da Ferroviária no torneio.

Essa foi a terceira eliminação seguida do clube em semifinais. Contra o Corinthians, as desclassificações aconteceram no Brasileirão e no estadual. Agora, contra o Santa Fé, a queda é na Libertadores. Entretanto, destaca-se que, no ano em que os grandes times do futebol masculino mais investiram no futebol feminino -- ocasionando, inclusive, uma bolha inflacionária dentro da modalidade --, a Ferroviária, que está à léguas de ser uma potência econômica, ainda se manteve na elite competitiva do futebol feminino

Ontem (17), o histórico Avaí/Kindermann, vice-campeão brasileiro no ano passado, precisou encerrar suas atividades no futebol feminino. O São José, que é tricampeão da América, nunca mais foi protagonista.

Por isso, o principal título da Ferroviária, em 2021, foi resistir em ser gigante. Esse é o campeonato que o clube disputará daqui para frente. 

Vida de Coach

Sobre o colunista

João Túbero Gomes da Silva é cientista social em formação, cronista esportivo e torcedor da Ferroviária. Busca pensar o futebol em sua complexidade, nas mais variadas vertentes que o jogo sintetiza em si.

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