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Ibope volta às ruas para mapear o avanço do coronavírus

Depois de muita polêmica e fake news, Prefeitura de Araraquara recebe notificação do Ministério da Saúde e autoriza a sequência da pesquisa

| ACidadeON/Araraquara

Pesquisadores do Ibope foram abordados pela polícia em Araraquara, na semana passada (Foto: Redes Sociais/Arquivo)
 
Depois de muita polêmica e em meio à fake news, os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope/Inteligência) voltam às ruas de Araraquara para realizar a pesquisa que pretende mostrar como o novo coronavírus está avançando no Brasil.  

Na semana passada, um grupo de pesquisadores que passava pelo bairro Jardim América, zona leste da cidade, acabou sendo impedido de continuar o trabalho. Moradores tinham feito denúncias para a Vigilância Sanitária porque desconfiaram do projeto e a Prefeitura, que não tinha sido informada sobre a pesquisa, impediu a sequência da coleta de dados.  

O IBOPE confirmou a pesquisa e informou que o Ministério da Saúde tinha ficado responsável por informar aos municípios sobre a pesquisa, o que não tinha acontecido.   

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REPERCUSSÃO
O caso ganhou repercussão porque não só em Araraquara teve problemas. Em algumas cidades os pesquisadores foram detidos, em outras agredidos. Houve ainda relatos de que o material para fazer os testes foi destruído e as equipes tiveram de abandonar a cidade e desistir da pesquisa. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), responsável pela coordenação da pesquisa, foram perdidos cerca de 800 testes, que foram apreendidos, abertos ou quebrados.  

Em Araraquara, os pesquisadores já podem retornar às ruas. A informação foi confirmada pela secretária municipal de Saúde, Eliana Honain.  

"Recebemos ontem [domingo], via digital, ofício do Ministério da Saúde e da empresa Ibope Inteligência solicitando autorização para realização de pesquisa que pretende medir o nível de imunização da população a doença, com coleta de sangue. Agora, a pesquisa está autorizada", diz ela.

ENTENDA
O estudo é feito pelo Ibope sob coordenação do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde e seu custo estimado é de R$ 12 milhões. O objetivo é verificar como o vírus está se propagando em todo o Brasil para criar políticas públicas mais eficientes de combate à pandemia.  

Um total de 2,6 mil pesquisadores vão entrevistar e aplicar testes rápidos de covid-19 em pouco mais de 33 mil moradores de 133 cidades em todos os estados do país. Daqui a duas semanas, os pesquisadores voltarão a campo para realizar mais 33 mil testes e, duas semanas depois, mais 33 mil. Ao final das três rodadas, terão aplicado cerca de 100.000 testes.  

ATENÇÃO
O entrevistador deverá usar equipamentos de proteção, como óculos, máscara e luvas, e visitará as pessoas em suas casas. Coletará uma gota de sangue de um dos moradores de cada domicílio e colocará o material em um aparelho que fará a análise. Se der positivo, o entrevistador deverá testar todos os moradores dessa casa.  

Com os testes rápidos, será possível saber o percentual de pessoas que têm anticorpos contra o novo coronavírus, ou seja, que já entraram em contato com a doença. Porém, têm uma limitação: só detectam a doença se a pessoa estiver infectada há, pelo menos, 7 dias. Ou seja, muitas pessoas que fizerem o teste podem ter resultado negativo, mas estar infectadas e continuar sem saber disso.  

Cada rodada de teste apresentará o retrato de um momento. O plano do Ministério da Saúde é que a comparação dos resultados das diferentes rodadas mostre a velocidade com que o vírus está se espalhando pelo país. Esse tipo de informação poderá ser útil, por exemplo, para balizar uma decisão sobre medidas de relaxamento do distanciamento social.

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