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A arte "explosiva" de Liz Under

Multiartista araraquense acaba de ser selecionada para exposição coletiva em Portugal

| ACidadeON/Araraquara

 
 

Liz Under e seu grafite na Via Expressa (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Um grafite na Avenida Maria Antônia Camargo de Oliveira, a Via Expressa, próximo ao Terminal Central de Integração, em Araraquara, mostra uma família sem teto com máscaras de oxigênio acompanhada da emblemática frase do músico Chico Science: "A cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe e o debaixo desce."  

A crítica social grafitada é obra da multiartista Liz Under, araraquarense que mistura grafite, pop arte, feminismo, gravura, política, entre tantas outras possibilidades em sua obra. 

Aos 23 anos, a artista foi selecionada para a exposição coletiva "Arte Resistência num Brasil de Retrocessos", em Lisboa, Portugal, no Festival Feminista de Lisboa, organizada pela artista Judith Cavalcanti. Foram 15 mil artistas inscritas e dessas apenas 25 foram selecionadas. Liz participa com a pintura "Uma vez Pagu, sempre Pagu", em referência a Patrícia Galvão, militante política brasileira.  

A artista gosta de desenho e pintura desde pequena, mas foi na adolescência que passou a estudar a arte mais a fundo. Aos 18 anos, ela foi para Salvador fazer uma imersão onde estudou litogravura, uma técnica de gravura que envolve desenhos sobre uma matriz (pedra calcária) com um lápis gorduroso.  

Hoje, faz parte do movimento artístico "Mulher artista, resista", e sua arte traz muitas representações do universo feminino, sendo, no mínimo, uma obra de impacto, força e também de ruptura.  

"Comecei a grafitar depois que assisti um documentário sobre o Bansky e hoje desenvolvo projetos de intervenção urbana interativa, um mix de arte de rua, performance, roda de conversas, multiartístico", diz.     

Artista Liz Under traz muitas representações do universo feminino em usa obra (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Explosão artística 
Uma marca presente da multiartista são os "splashes", ou "explosões", que são as figuras gráficas dos quadrinhos e da arte pop para representar algo que explodiu (alguém dando um soco, lançando um poder mágico etc). Ela costuma misturar esse elemento com paisagens realistas ou figuras pops para descarregar também um pouco de sua "raiva".  

"Comecei a enxergar possibilidades nessas explosões, como são invasivas, agressivas e como isso é tão atual. Eu sou uma artista que precisa liberar raiva e a maneira que encontro é fazendo arte. Posso ter raiva de qualquer coisa, como a atual situação do país, esse estado de exceção, e coloco na minha obra de forma catártica", enfatiza. 

A artista também participa do XVI Território da Arte de Araraquara, com uma oficina de lambe-lambe que resultará em uma exposição em junho com o tema "O que te incomoda". 

 


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