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Economia

Abertura de empresas cai 24% em Araraquara no primeiro semestre

Nos períodos mais crítico da pandemia, meses de março e abril, a queda foi ainda maior, de 42,4%, no compartido com o mesmo período de 2019

| ACidadeON/Araraquara

Centro de Araraquara é o local favorito dos novos empreendedores (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
  
A pandemia da covid-19 acarreta uma forte crise econômica em todo o País e em Araraquara não é diferente. Um dos resultados, são muitas empresas encerrando as atividades por dificuldades.

Dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) referentes ao momento mais crítico da quarentena, entre março e abril, indicam queda de 42,4% no número de aberturas de empresas em comparação com o ano passado. Em 2019, nos meses março e abril foram abertas 71 empresas, contra 39 no mesmo período, deste ano.

Marcelo Cossalter, pesquisador do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara diz que o resultado deve ser interpretado com cautela.
 
"Porque imagina-se que no decorrer dos próximos meses existem aquelas empresas, aqueles negócios que estão sendo sustentados via crédito e empréstimos e se não houver uma retomada do consumo por parte das famílias pode ser que essas empresas não consigam se sustentar mais, porque há um limite de endividamento dessas empresas", afirma.
 
A crise deixa em evidência também a dificuldade dos pequenos e médios negócios em manter em dia suas responsabilidades com aluguéis, salários e fornecedores. Sem faturamento, esses empresários não possuem condições mínimas de funcionamento. O pesquisador fala que o resultado negativo é ainda maior nos setores de comércio e serviços.
 
 "Quando a gente analisa o total de demitidos de janeiro a junho, 91% das pessoas demitidas vieram do setor de comércio e serviços. Todos os setores registraram demissões, com exceção da agropecuária e indústria, que tiveram poucas admissões, mas o comércio e serviços são os mais afetados. Esse saldo maior nesses setores também reflete o tipo de mão de obra empregada, porque são pessoas que possuem uma qualificação menor, por se tratar de trabalhos menos especializados", diz.
 
Os dados ainda revelam que no primeiro semestre, deste ano, a cidade abriu 449 novos estabelecimentos e encerrou 277, registrando saldo positivo de 172 empresas. No mesmo período de 2019, o saldo positivo foi o mesmo, porém, a variação diferente. É o que explica o pesquisador .
 
"O saldo é o mesmo 172, mas a variação da abertura e do fechamento, há uma queda tanto na abertura, quanto no fechamento de 2020 em comparação com 2019. Então isso traduz a redução da atividade econômica, isso significa que tem menos atividade econômica, menos pessoas empreendendo, na dinâmica econômica mesmo", ressalta.

O levantamento aponta que, neste ano, em média, Araraquara registrou abertura de 72 empresas por mês, o resultado é 24% menor que o registrado no mesmo período de 2019, quando o município teve 94 aberturas mensais. Marcelo Cossalter, fala que este é um cenário comum e esperado.
 
"O saldo de movimentação no primeiro semestre em média foi de 24% menor do que o registrado no ano passado, mas nós temos abertura e fechamento de empresa todos os meses, esse é um movimento que é comum, mesmo no município, a gente observa isso em todos os meses", explica.
 
Dos 56 bairros onde ocorreram aberturas de empresas na cidade, no mês de junho, 35,7% estão concentrados na região Central da cidade, 12,5% na região da Vila V
Xavier, 5,4% no Jardim dos Manacás e demais localidades com números mínimos no período. Segundo o pesquisador, este levantamento deve se repetir nos próximos períodos pra que fique claro a preferência dos empreendedores por região.
 
"Obviamente o Centro é o local preferencialmente conhecido pelo volume e circulação de pessoas, onde as pessoas querem consumir acabam pesquisando lá para ver a diversidade de estabelecimentos, então acho que o Centro tende a ser um local preferencial para os empreendedores", finaliza.

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