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"O machismo é um tremendo problema cognitivo, além de uma falta de charme sem igual", diz Márcia Tiburi

Filósofa e escritora ativista fez bate-papo sobre o feminismo no Sesc Araraquara nesta quarta (27)

| ACidadeON/Araraquara

 

 

 

A filósofa e escritora feminista Márcia Tiburi esteve no Sesc Araraquara na quarta-feira (27) expondo as ideias de seu novo livro "Feminismo em Comum para Todas, Todes e Todos". Tiburi conversou com o ACidadeON sobre o livro e sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). No final do bate-papo com a plateia no Sesc, onde se abrem perguntas à filósofa, ela propôs uma "atividade didática" e só cedeu espaço de fala às mulheres presentes. O gesto foi respeitado e aplaudido.  


ACidadeON: Aristóteles já dizia que todo homem é um animal político. Você, que é filósofa, está agora se candidatando ao governo do Rio de Janeiro. O que te levou a se candidatar e a escolha pelo PT? 

Márcia Tiburi: A minha chegada ao PT é uma novidade e o convite que eles me fizeram é um sinal de ousadia, renovação e autocrítica do partido. Inovação, para quem gosta dessa palavra. O Brasil passa por uma imensa crise social, política, econômica e que também é uma crise de paradigma. Acho que nós, a sociedade, as cidadãs e o cidadão comum que desejam renovar a democracia, precisam ocupar os partidos, o congresso e os espaços de poder; não para repetir o poder mas para transformá-lo. Se pensar no caso das mulheres é apavorante essa questão, essa desproporção: no parlamento temos 10 % mais ou menos ocupando os cargos, são poucas mulheres presentes no parlamento, e são 90% de homens. E que homens são esses? Eles não representam o Brasil. Se pensarmos em termos de congresso nacional, senado, assembleias nos Estados, são muito poucas mulheres presentes. E a prova que essa política tradicional não tem mais nada a nos dizer é ver o que aconteceu com o Brasil até agora.


ACidadeON: E o que você pensa dessa candidatura, está confiante? 

Márcia Tiburi: Acho bem interessante essa experiência, pois sou mais uma dessas pessoas "intrusas" na política. Sou mulher e feminista, não sou um "político tradicional" num contexto em que o machismo capitalista e racista destruiu o Brasil. Temos mais de 500 anos de história de machismo, racismo, oligarquias e uma elite do atraso comandando o país. Eu e toda essa gente nova, de mulheres, de mulheres negras, pessoas trans e LGBTs que estão entrando hoje na política, somos uma grande diferença nesse sentido de sermos um contingente imenso da população brasileira que não tinha lugar na política. Precisamos produzir outro tipo de política, inclusive esse é um desafio de candidaturas como a minha, de mulheres feministas que lutam por direito de todas, e pela segurança de direitos. Nutro uma perspectiva de transformação embasada que leve em conta as singularidades que compõem nosso país, e uma luta contra o racismo estrutural que precisa ser combatido e enfrentado com lucidez, contra o machismo e anticapitalista.

ACidadeON: No seu novo livro "Feminismo em comum Para todas, todes e todos" você fala do machismo como uma "miséria espiritual". Recentemente, alguns episódios com teor machista e sexista envolveram brasileiros atacando verbalmente mulheres russas na Copa. Como enfrentar essas situações, há diálogo?  

Márcia Tiburi: Nesse caso vem o papel da cultura, da educação, das religiões, o papel social das instituições, e precisamos falar da família. A família brasileira precisa fazer uma autocrítica, junto com a escola, junto com as religiões e cultura. Todos nós precisamos fazer uma autocrítica e pensar como a sociedade brasileira forja cidadãos tão perturbados. Cidadãos que nos envergonham e que são ao mesmo tempo vítimas de uma herança.  O machismo é um legado muito infeliz, porque é um legado simbólico e físico que os homens (não todos) praticam contra as mulheres. É um legado espiritual muito infeliz pois é a miséria do espírito que se coloca em cena mais uma vez, como nesse gesto na Rússia. Eles transformaram as mulheres russas em bonecos de um discurso ventríloquo. Ao mesmo tempo não foram eles que inventaram esse discurso, são os pobres coitados que repetem um discurso pronto, como todo machista que muitas vezes é também um fascista. Existe um machista ignorante, que não teve acesso, ou que se segura na própria prepotência em todas as classes sociais, mas tem também esse machismo que é fruto de uma entrega do sujeito a uma perspectiva que não é a sua: ele se entrega porque não consegue pensar em nada melhor. A maior parte dos machistas brasileiros copiam e colam um discurso, são carentes de cognição e de capacidade de desenvolver perspectivas mais complexas. A meu ver o machismo é um tremendo problema cognitivo, além de uma falta de charme sem igual. 

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