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Na primeira infância, a aprendizagem se dá pelo lúdico. Que tal um teatro de fantoches?

Com fantoches e capacitação dados pelo Grupo Primavera, educadores de quatro creches filantrópicas de Pedreira trabalharão tecnologia com 380 crianças

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Léia Simioni, arte-educadora do Grupo Primavera, é responsável pela capacitação dos educadores no Projeto Teatro de Fantoches | Foto: Divulgação
Com a retomada das aulas presenciais devido à queda do número de casos de Covid-19, muito se tem falado sobre a perda do conteúdo escolar para alunos dos ensinos fundamental e médio. Quase não se fala dos reflexos da pandemia sobre os alunos da educação infantil. A aprendizagem para essa turminha se dá por meio de atividades lúdicas. O brincar já foi tema abordado pelo Alma Inclusiva, com o título "Brincadeiras nos incluem e nos tornam o que somos", por proporcionar um desenvolvimento completo e prazeroso, especialmente na primeira infância.

Voltei a este tema porque creches de Pedreira e de Osasco utilizarão fantoches para o aprendizado de seus alunos. A organização da sociedade civil (OSC) Grupo Primavera, de Campinas, irá capacitar 20 educadores sociais de Pedreira e 40 de Osasco que atuarão no Projeto Teatro de Fantoches. Irei me ater ao município pedreirense para exemplificar o poder dessa proposta pedagógica.

Em Pedreira, educadores de quatro creches filantrópicas - Centro Integrado Municipal de Educação Infantil (Cimei) "Walkyria Thomazini Cavicchia", Cimei "Maria Cecilia Betiolli Lima", Cimei "Fornari Novo" e Creche Santo Antonio - trabalharão com os fantoches junto a 380 crianças matriculadas. Todas as creches são conveniadas com a Secretaria Municipal de Educação. Esta é a 12ª edição do projeto, já realizado em 17 cidades brasileiras.

Os educadores da cidade integrarão a segunda turma a receber capacitação on-line neste ano. A primeira turma, capacitada no primeiro semestre de 2021, contou com 119 educadores sociais de Campinas, de acordo com a assessoria de imprensa do Grupo Primavera. Os educadores aprenderão a utilizar corretamente os bonecos para que transmitam às crianças os conteúdos previstos para cada idade, de forma lúdica e dinâmica. 

Léia Simioni, arte-educadora do Grupo Primavera, apresentando um dos fantoches feito pela oficina de criação da entidade | Foto: Divulgação
Ainda há vagas em Pedreira

Aprovado pela Lei Rouanet e este ano com o patrocínio das empresas DHL, Buckman e CI&T e apoio do grupo Nisfram, o projeto contará com quatro sessões que totalizarão 12 horas de capacitação on-line pelo Google Meet entre os dias 11 de agosto e 27 de outubro. Há ainda 15 vagas e os educadores interessados de Pedreira podem enviar e-mail para josiane@gprimavera.org.br .

Cada educador social receberá um kit completo de 16 bonecos, produzidos na oficina de criação do Grupo Primavera. "Este ano, abordaremos temas ligados à tecnologia, em especial neste período em que as crianças têm mais contato com celular e computadores", explicou Ruth Maria de Oliveira, gestora executiva do Grupo Primavera, por meio da assessoria de imprensa.

Para saber mais sobre o Projeto Teatro de Fantoches, clique aqui para ler na íntegra o texto da assessoria de imprensa do Grupo Primavera, onde há informações sobre a entidade. Também convidei a Josiane Brito, coordenadora de produção do Grupo Primavera e a Ana Paula Vieira Araújo, coordenadora pedagógica do Cimei "Walkyria Thomazini Cavicchia", para contarem um pouco do projeto. Assista ao vídeo abaixo.    Já escolas/entidades particulares que queiram realizar o projeto podem entrar em contato com o Grupo Primavera pelo e-mail josiane@gprimavera.org.br para pedir orçamento e verificar a viabilidade de data para a capacitação. Segundo Josiane e Ruth, trabalhar com fantoches não é somente manipular o boneco, cantar uma música ou mesmo brincar com eles. 

"Envolve técnicas de narração oral cênica, entendendo o processo de interatividade com o público e a criatividade na construção e adaptação de histórias", explicou Ruth, por meio de sua assessoria. Só este ano, a oficina de criação do Grupo Primavera produziu 3.500 fantoches. 

Importância do educador 

Você pode estar pensando: então basta apenas eu, como pai e mãe, brincar com a criança em casa para o seu desenvolvimento? Não é bem assim que funciona na realidade brasileira, mas isso é muito importante. "Estabelecer o vínculo por meio da troca de olhares entre a mãe e a criança durante a amamentação, por exemplo, transmite segurança e sensação de amparo", de acordo com o Ministério da Cidadania

Não é bem assim porque nem todos têm tempo disponível para brincar com seus filhos, especialmente as pessoas mais vulneráveis. Muitas babás deixam os seus filhos para cuidar dos filhos de outras mulheres. Outro ponto é que os educadores receberam formação para isso. Não basta eu pegar um boneco e sair brincando com minha filha, por exemplo, sem usar a ludicidade de forma correta ou até mesmo repassando a ela preconceitos que muitas vezes são desapercebidos por mim mesma.  

Por isso, sou contra o ensino domiciliar, já que, no Brasil, quem é rico pode conseguir isso via judicialização. Para mim, isso não pode se transformar em política pública num país tão desigual e que não consegue recursos suficientes para implementar o Plano Nacional de Educação. Em outros países, o "homeschooling" é regulamentado e tem recursos destinados para fiscalizar e acompanhar este aprendizado em casa.  

Mas, esse tema é assunto para outro post. Para quem tiver interesse, sugiro a leitura de uma matéria, clicando aqui, da Rede Nacional da Primeira Infância, uma articulação nacional de organizações da sociedade civil, do governo, do setor privado, de outras redes e de organizações multilaterais que atuam, direta ou indiretamente, pela promoção e garantia dos direitos da Primeira Infância.

Janela de oportunidade 

O lúdico é essencial nos primeiros anos de vida de uma criança, pois influencia significativamente seu desenvolvimento e aprendizado. Esse aspecto precisa ser considerado na apresentação da atividade às crianças e atentando para a idade delas, segundo Heloisa Helena Oliveira de Azevedo, professora permanente e pesquisadora em regime de dedicação integral, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).  

Atuando na linha de pesquisa Formação de Professores e Práticas Pedagógicas, Heloisa é autora de várias publicações e gravou um vídeo ao Alma Inclusiva para falar do tema. Assista abaixo.   

Para a professora Marli das Dores Ramos, que atua na educação infantil e ensino fundamental da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, "brincar é observado como um processo de construção, é uma sucessão de decisões e regras. Para brincar é preciso se comunicar e interpretar papéis. Ora como observador ou organizador, ora como personagem que explicita, questiona e enriquece o desenrolar de uma trama, entre colegas e entre crianças e objetos. E é exatamente essa interação que desenvolve o pensamento lógico, facilitando o aprendizado na educação infantil". 

Voluntária da Associação Moebius do Brasil (AMoB) - já falei sobre essa síndrome e para ler é só clicar aqui-, Marli afirmou que "sem o lúdico, o aprendizado acontece de forma mais difícil, mais repetitiva, cansando a criança e tirando seu foco".

Quer ler na íntegra a opinião de Marli sobre a importância do brincar no aprendizado? É só clicar aqui. Por falar na AMoB, a novidade é que o site da entidade foi totalmente repaginado. A nova versão entrou no ar no último dia 2. Clique aqui para conhecer o site da entidade, onde encontrará informações e tratamentos sobre a síndrome. 

Reprodução do site repaginado da AMoB, que entrou no ar no último dia 2
Brincar, independentemente da condição física da criança 

"As crianças precisam brincar, independentemente de suas condições físicas, intelectuais ou sociais, pois a brincadeira é essencial a sua vida. O brincar alegra e motiva as crianças, juntando-as e dando-lhes oportunidade de ficar felizes, trocar experiências, ajudarem-se mutuamente; as que enxergam e as que não enxergam, as que escutam muito bem e aquelas que não escutam, as que correm muito depressa e as que não podem correr."  

O trecho acima é do texto assinado por Renata Lobo Catusso, coordenadora da ACESA Capuava, e por Vanessa Ferreira Alves, psicopedagoga clínica e institucional da ACESA Capuava. Elas aceitaram o convite do Alma Inclusiva para falar sobre a relação do brincar com a aprendizagem. Leia aqui o texto completo. 

A ACESA Capuava (Associação Cultural Educacional Social e Assistencial Capuava) é uma associação de utilidade pública sem fins lucrativos e que auxilia pessoas com deficiência e em situação de exclusão social, através do atendimento interdisciplinar nas áreas de educação, saúde, cultura e serviço social. A entidade fica em Valinhos. 

Para elas, "o brincar simbólico pode ser entendido como um sistema muito complexo de fala através de gestos que comunicam e indicam os significados dos objetos usados para brincar". Acrescentaram que "é somente na base desses gestos indicativos que esses objetos adquirem, gradualmente, seu significado". "A origem do simbolismo pode estar no caminho que passa do subjetivo para o objetivo." 

Por tudo que foi falado, concordo com a frase da Renata e da Vanessa: "Brincar é uma função vital, tão necessária quanto o sono e a alimentação." Por isso, uma educação infantil de qualidade tem papel fundamental no desenvolvimento de crianças, principalmente para as que se encontram em situação de vulnerabilidade, einfluencia positivamente a vida delas quando adultas. Viva a educação! Viva o brincar!

Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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