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Scarlett Johansson dá adeus à Natasha Romanoff em "Viúva Negra"

A atriz se despede da heroína após participação em oito longas-metragens, realizados nos últimos 11 anos

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Atriz Scarlett Johansson no filme "Viúva Negra" (2021) (Foto: Divulgação)
A atriz Scarlett Johansson se despede da heroína Natasha Romanoff após interpretar a personagem em oito longas-metragens do universo da Marvel Comics ao longo de 11 anos. Em 'Viúva Negra', a espiã da Shield faz uma viagem para o seu passado ao reencontrar antigos conhecidos, que se tornarão seus aliados em uma batalha contra o seu maior inimigo. Sob a direção de Cate Shortland, o filme conta com diversas cenas de ação e uma sátira a um elemento explorado em projetos anteriores da personagem.

A trama tem início em Ohio, no ano de 1995. Na época, Natasha era uma jovem com uma vida relativamente comum, vivendo no subúrbio dos Estados Unidos. Com cabelos azulados, pais carinhosos e uma irmã caçula, ela passa as suas tardes passeando de bicicleta e caçando vagalumes no quintal de sua casa. Entretanto, quando a partida se torna inevitável, os quatro integrantes da família precisam unir suas forças para deixar o que costumavam chamar de lar. 
 
Ever Anderson como versão jovem de Natasha em "Viúva Negra" (2021) (Foto: Divulgação)

Em seguida, o filme avança para 2016, quando Natasha Romanoff está sendo procurada pelo governo norte-americano após um evento inesperado durante uma missão em Wakanda. Sem conexão com os demais Vingadores devido uma briga interna, a heroína parte sozinha para um refúgio seguro na Noruega. Com uma nova identidade, Natasha inicia uma nova etapa de sua vida. Entretanto, durante um passeio pela parte mais movimentada da cidade, ela é atacada por um soldado forte e que deseja algo que ela recebeu pelo correio de um endereço que tinha em Budapeste.

Após se livrar do combatente, ela parte para Budapeste em busca de respostas e encontra uma peça importante do seu passado, a espiã russa Yelena Belova, interpretada pela talentosa Florence Pugh. À medida que as duas se unem, novas ameaças surgem para tentar impedir que ambas concluam a missão e acabem com um antigo vilão, o russo Dreykov. Para ajudá-las, a dupla reúne Alexei Shostakov e Melina Vostokoff, duas figuras que fizeram parte da criação da heroína dos Vingadores. 
 
Rachel Weisz, Florence Pugh e Scarlett Johansson em "Viúva Negra" (2021) (Foto: Divulgação)

A oportunidade de se aprofundar na história da personagem é muito bem aproveitada pela diretora Cate Shortland. Anteriormente, Natasha era uma das poucas integrantes dos Vingadores que ainda não havia ganhado o seu filme e as suas motivações para escolher a profissão tinham sido explicadas com pouquíssimos detalhes ao longo das aparições que realizou até então, tornando o longa-metragem solo uma ótima ferramenta para adentrar na origem da heroína.

Além disso, a aparição da personagem em um flashback busca apresentar todas as respostas a respeito de sua trajetória antes de se juntar aos outros super-heróis, algo bem explorado pela cineasta. Em um primeiro momento, achei que a narrativa de Viúva Negra seria focada em seu treinamento militar durante o período em que passou sob o regime russo, característica similar a outros longas-metragens do gênero, como Operação Red Sparrow e A assassina. Entretanto, não foi esse o caminho escolhido pelo roteirista Eric Pearson.

O longa-metragem de ação da Marvel Comics apresenta breves aspectos da infância de Natasha, com a sua versão mirim sendo interpretada pela novata Ever Anderson, filha da atriz Milla Jovovich. Durante este trecho do filme, há uma menção ao treinamento militar, mas é passageira e não conta com explicações profundas a respeito do tema. Em seguida, já vemos uma Natasha experiente, o que torna a aquisição de suas habilidades uma informação implícita à trama. 
 
Cena de ação do longa-metragem "Viúva Negra" (2021) (Foto: Divulgação)

A construção da personagem de Yelena Belova também é um pouco vaga, assim como a de seus companheiros de cena interpretados por Rachel Weisz e David Harbour, tornando o entendimento de suas histórias mais fácil para os fãs dos quadrinhos. Apesar deste detalhe, o desenvolvimento do roteiro de Viúva Negra é extremamente ágil e o filme conta com cenas de ação bem coreografadas e inseridas no decorrer da trama. Em alguns momentos, inclusive, as cenas de combate corporal interrompem por completo o diálogo dos personagens.

O passado da protagonista não é abordado apenas como uma maneira de explicar as suas origens, mas também como uma forma para consertar antigos erros. Durante um diálogo entre Scarlett Johansson e Florence Pugh, a intérprete de Yelena satiriza a forma como Natasha costuma aterrizar durante as lutas com seus oponentes, algo que já foi abordado pela atriz como uma característica incômoda e que busca apenas sexualizar ainda mais a sua personagem.

Portanto, a diretora Cate Shortland utiliza este momento de descontração em Viúva Negra para fazer uma crítica à visão machista e masculina que existe nos longas-metragens de ação e de heróis em relação às personagens mulheres. Apesar da mensagem de peso, o clima em que a sátira foi inserida no filme torna o diálogo leve e despretensioso. Isso é auxiliado pela química impressionante que existe entre a dupla de atrizes.
  
Florence Pugh e Scarlett Johansson em "Viúva Negra" (2021) (Foto: Divulgação)

Scarlett já está acostumada a personificar a heroína e parece ter mais facilidade após viver tantos anos na pele de Natasha. Em contrapartida, a atriz Florence Pugh faz a sua estreia nos filmes de super-heróis com maestria. Sua personagem é forte e possui momentos de ação extrema, mesclado com cenas comoventes e que apresentam o lado mais experiente da atriz inglesa.

Já o ator David Harbour é responsável por aliviar a carga mais pesada e emocional do longa-metragem. Sob a caracterização do Guardião Vermelho, o ator brinca nos momentos de maior apreensão e, constantemente, afirma já ter lutado com o Capitão América durante os seus anos de juventude. Rachel Weisz é a que mais contracena com o ator nesses momentos de descontração, mas sua personagem possui uma função mais dramática no enredo.

Com um ritmo acelerado e uma narrativa bem distribuída no decorrer de mais de duas horas de duração, Viúva Negra cumpre o papel de apresentar detalhes da vida de Natasha Romanoff sem esbarrar em nenhuma referência a outros longas-metragens do gênero, algo difícil de se encontrar no cenário cinematográfico atual. A trama é envolvente e o elenco escolhido se encaixa perfeitamente nos personagens, mostrando um talento escondido, até então, na carreira da diretora australiana.

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