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Arte afirmativa têm em comum a poética e a potência estética

Exposição em cartaz no Sesc Ribeirão Preto revela a produção atual de artistas afro-brasileiros

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Obras que revelam a produção atual de artistas afro-brasileiros e têm em comum a poética e a potência estética. Assim é a exposição "Pretatitude: Insurgências, Emergências e Afirmações na Arte Contemporânea Afro-brasileira", em cartaz no Sesc Ribeirão.  

Reunindo trabalhos de 14 artistas, em diferentes áreas do fazer artístico - fotografia, desenho, pintura, gravura, escultura e novela gráfica -, a exposição busca traçar um pequeno, mas intenso panorama da diversidade e competência dos artistas descendentes.  

"Se a arte afro-brasileira constituiu hoje uma realidade incontornável, isto se deve ao trabalho e atitude persistente de toda uma coletividade de artistas, pesquisadores, curadores, instituições, museus, galerias e, claro, colecionadores", comenta o curador da exposição Claudinei Roberto.  

Ele ressalta que é trata-se de exposição afirmativa. "Fala da emergência e da insurgência e celebra a resistência e o resultado das demandas vitoriosas", define.  

Entre os artistas participantes está o paulistano André Ricardo, que traz duas séries à mostra. Ambas revelam a influência do seu percurso na cidade. Da série "Comboio Ferroviário" estão expostos seis desenhos produzidos entre os anos de 2009 e 2011, a partir de sua vivência no transporte público paulistano. "Realizava os desenhos nas minhas viagens de trem entre o bairro Grajaú e a Cidade Universitária, onde cursava Artes Visuais na USP. Levava 40 minutos nesse percurso e desenhava cenas que enxergava dentro do trem, como pessoas, arquitetura", detalha.  

Seus desenhos retratam comportamento e identidade corporal. Em um desenho homônimo da série, por exemplo, dois passageiros dormem debruçados sobre suas mochilas, ao final do dia. "Essa série tem um poder de se aproximar de um público mais amplo, de se comunicar com ele. Como muitos utilizam o trem, eles conseguem se projetar nos desenhos. Há uma identificação", define. "Ela [a série] tem um elo de identidade forte com minha origem e com a cidade [São Paulo]. Sempre andei de trem, vendo nessas pessoas a minha própria identidade", acrescenta Ricardo.  

A outra série, "Campo Limpo", mais recente e ainda em andamento, tem como base o bairro homônimo, periférico da zona Sul de São Paulo e vizinho do Capão Redondo, onde o artista morou nos últimos seis anos. "O ambiente foi invadindo minhas obras", revela ele, que já expôs também no Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto). 

Artistas participantes 

Aline Motta
André Ricardo
Eneida Sanches
Janaina Barros
Laércio
Lidia Lisboa
Luiz 83
Marcelo DSalete
Marcio Marianno
Peter de Brito
Sidney Amaral
Sônia Gomes
Wagner Celestino
Washington Silveira 

Marcio Marianno retrata sua própria origem  

A descendência afro-brasileira do paulistano Marcio Marianno está retratada em suas obras. O artista tem como temática o homem negro, como ele se encaixa na sociedade e como se vê perante ela. São obras críticas, que surgem a partir de um pensamento performático. "Penso em uma ação performática, peço para alguém registrar e, a partir desse registro fotográfico, pinto a tela", explica Marianno.  

Trabalhando com a técnica clássica de óleo sobre tela, o artista produz com uma visão crítica. "A principal função da minha pintura é colocar o ser humano negro como protagonista da obra. Discuto ao mesmo tempo o que a sociedade impõe a essas pessoas e os sentimentos que provoca nelas como de não reconhecer a sua identidade e a solidão que isso traz", comenta.  

Para Marianno, a mostra é uma oportunidade de reunir artistas negros em uma exposição coletiva. "Faltam espaços que se propõem a esse objetivo: de valorizar a afro-descendência na arte", finaliza.

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