Aguarde...

Cotidiano

Restaurador de São Carlos fala sobre paixão por rádios antigos

Sempre me fascinou, diz o locutor Indalecio Alves de Oliveira, que possui mais de 500 rádios em sua coleção e sonha em criar um museu na cidade

| ACidadeON/São Carlos


Restaurador de São Carlos fala sobre paixão por rádios antigos. Foto: Fabio Rodrigues/G1

Uma paixão que se divide ente aparelhos radiofônicos e o rádio como um comunicador. Para ativar as lembranças e deixar vivo esse sentimento, Indalecio Alves de Oliveira, de São Carlos, já restaurou mais de 500 rádios antigos e sonha em criar um museu.  

No Dia Mundial do Rádio, comemorado nesta quinta-feira (13), o portal ACidade ON e a CBN São Carlos entrevistaram o locutor e proprietário da Officina do Radio Antigo. 

Onde tudo começou
Em meados dos anos 80, a mãe de Indalecio já acordava com o rádio ligado nos programas de São Carlos, de cidades vizinhas ou até mesmo personalidades como Silvio Santos e Eli Corrêa, enquanto o pai, para conseguir complementar a renda familiar, montou uma pequena oficina para consertar relógios e rádios antigos.  

Foi nessa realidade que o locutor cresceu, em meio aos aparelhos antigos e as vozes marcantes, mas sem imaginar que um dia se tornariam sua maior paixão.   

Restaurador de São Carlos fala sobre paixão por rádios antigos. Foto: Fabio Rodrigues/G1

"O rádio sempre me fascinou. Como é que chegava a voz humana, de que forma, como vinha e de onde saía. A paixão é dupla pelos aparelhos e pela comunicação . É aquele vírus que a gente acaba contaminado", contou.  

Ao longo do tempo, o sentimento foi aumentando e o rádio atraiu sua total atenção. Em meio a trabalhos como locutor junto de seu irmão, Oliveira também se tornou restaurador de aparelhos antigos, um trabalho que requer conhecimento, dedicação e paciência.  

Em mais de 30 anos, Indalecio conseguiu criar sua coleção de rádios, mas já perdeu as contas de quantos possui. Em sua última contagem, eram mais de 500 aparelhos restaurados e valiosos.  

"A coleção é complexa porque já a algum tempo, se transformou em números que preciso parar para contá-los, faz muito tempo não faço essa contagem e a diagramação do que tenho ou não", contou.  

Restaurador de São Carlos fala sobre paixão por rádios antigos. Foto: Fabio Rodrigues/G1

Segundo ele, a intenção desde 2014 era construir um museu que contasse a história do rádio em São Carlos, desde seus equipamentos de transmissão até depoimentos de vozes que marcaram o dia-a-dia do ouvinte por anos.  

"Não só um museu de peças estáticas, mas que tivesse o depoimento das pessoas que trabalharam no rádio, que conheceram o rádio por dentro. [que mostre] processos que não existem mais, equipamentos que não existem mais e que hoje tenho comprado em sucatas, ferros velhos, alguns meios desmanchados. Tudo isso", disse o locutor.  

Para acrescentar em seu acervo, o fim da TV analógica despertou o interesse de Indalecio, que agora restaura também televisores antigos dos anos 60 e 70.   

Restaurador de São Carlos fala sobre paixão por rádios antigos. Foto: Fabio Rodrigues/G1

Um destaque de comunicação
Quando perguntado sobre o rádio ser um meio diferenciado de comunicação com as pessoas, a resposta vem carregada de sentimentos indescritíveis.

"Veja o seguinte, o tempo de você ligar o televisor e ficar preso diante dele, ou mesmo em um celular, tablete, ou qualquer outra plataforma que imaginarmos, o tempo vai consumir o audiovisual e você tem que parar, ouvir e ver. O rádio não, no rádio você tem a velocidade da informação. E um outro detalhe é que quando você tinha o rádio mais popular que ainda tenta sobreviver nas capitais, você não tem no comunicador apenas um cara te dando notícia, você tem um cara que está entrando na sua casa com horário marcado, ele é o seu amigo, vai estar lá contando uma história, falando que está na hora de acordar, do almoço ou seja o que for. Tudo isso fez da história do rádio esse meio de comunicação mais popular. É a minha verdadeira paixão", concluiu Indalecio Alves de Oliveira.

Mais do ACidade ON