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Cotidiano

População desaprova audiência pública online e critica abertura de processo licitatório do transporte

Audiência ocorreu na terça-feira (15) de forma virtual e teve baixa participação; previsão de abertura da licitação é para outubro, antes do plano de mobilidade urbana ser concluído

| ACidadeON/São Carlos

Ponto de ônibus do Mercado Municipal, em São Carlos (SP). Foto: ACidade ON

Cerca de 20 pessoas participaram da primeira sessão da audiência pública sobre o transporte coletivo de São Carlos (SP), que ocorreu na noite de terça-feira (15). Entre as manifestações, a reprovação de abertura de um processo licitatório neste momento foi o principal destaque.

As audiências públicas são obrigatórias para viabilizar o novo processo licitatório do transporte coletivo no município, mas por conta da pandemia, as reuniões serão realizadas em auditório virtual e serão transmitidas no site da prefeitura.

Nesta terça-feira (15), a primeira audiência contou com a participação de 20 inscritos previamente e foi realizada via Google Meet, serviço de comunicação por vídeo. Em cada uma, o participante pôde apresentar possíveis melhorias em relação ao transporte. (Veja na íntegra)

Porém, o método foi desaprovado pela maioria dos participantes. Segundo os discursos, o método online limitou o acesso de pessoas que de fato utilizam o transporte público. Além disso, eles também criticaram as interrupções e alegaram que tiveram falas cerceadas e perguntas restringidas.

Principais queixas
A abertura do processo licitatório está prevista para outubro, mas os participantes da audiência pública apontaram que a ação seria um erro da administração municipal por dois motivos: as eleições municipais e o plano de mobilidade urbana.

Os problemas com o transporte público se estendem desde 2014, mas nos últimos quatro anos se tornaram ainda piores, já que a Suzantur, empresa responsável pelo transporte no município, segue funcionando emergencialmente e sem licitação desde 2016.

Por conta disso, alguns participantes apontaram que a abertura do processo justamente em ano de eleições pode ser tratado como jogada política, já que a situação irregular perdurou nesta gestão.

Outro ponto também levantado pela população foi a criação do processo sem um plano de mobilidade urbana. Segundo as reclamações, a falta de um planejamento mostra que não há preocupação com a qualidade do transporte coletivo oferecida para a população.

"Precisamos ter um plano diretor antes do processo. O problema de mobilidade se resolve com uma cidade orientada para o pedestre, ciclista, usuários de transporte publico de qualidade e que tenha um preço justo", disse um dos participantes.

Além dessas, outras reclamações como a falta de linhas de ônibus em diversos bairros, a falta de acessibilidade, a alta tarifa para utilização do serviço e o subsídio pago também foram registradas.

Plano de mobilidade urbana
No mês de fevereiro, a Prefeitura Municipal anunciou a contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para elaboração de um plano de mobilidade urbana para a cidade. Através dele, a administração terá capacidade de fazer um diagnóstico de como as pessoas se movimentam dentro da cidade e quais são as condições do transporte público, da malha viária, de acessibilidade e meios de transporte.  

A previsão é de que o plano ficaria pronto em sete meses, no entanto, por conta da pandemia, esse prazo precisou ser estendido e não será possível utilizar o estudo como base para definição das linhas de ônibus neste novo edital que será lançado.  

Próxima audiência
A segunda audiência pública acontece no dia 6 de outubro, a partir das 19h. As inscrições para participação serão abertas próximas da data, pelo site da Prefeitura.

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