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Cotidiano

Bolsonaro critica ausência de 'tratamento precoce' em Manaus e diz que foi preciso interferir

Segundo cientistas, não existe tratamento precoce eficaz; medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada

| FOLHAPRESS

Nos primeiros cinco meses de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 676,89% para a cloroquina e 863,34% para a hidroxicloroquina. (Foto: Código 19/Arquivo)
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta terça-feira (12) que foi preciso intervir em Manaus porque não se faz na cidade "tratamento precoce" contra Covid-19. "Mandamos ontem [segunda-feira (12)] o nosso ministro da Saúde [general Eduardo Pazuello] para lá. Estava um caos. Não faziam tratamento precoce", disse Bolsonaro a apoiadores em vídeo com o selo do canal simpático a ele que geralmente divulga edições do que o presidente fala à sua claque.   

Desta vez, antes mesmo da divulgação pelo canal, o trecho de vídeo foi publicado na rede social de Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial da Presidência da República e integrante do chamado "gabinete do ódio".   

Segundo cientistas, não existe o que o presidente chama de tratamento precoce eficaz. Medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra o novo coronavírus.   

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta terça, a Prefeitura de Manaus está sendo pressionada pelo Ministério da Saúde a distribuir remédios sem eficácia comprovada para tratar seus pacientes, como cloroquina e ivermectina. Além disso, a pasta do ministro Eduardo Pazuello pediu autorização para fazer uma ronda nas Unidades Básicas de Saúde para encorajar o uso das medicações. A alternativa, não utilizá-las, é tratada como "inadmissível" em documento enviado para a secretaria municipal de Saúde de Manaus. A capital do Amazonas e o estado têm batido recordes de internações e mortes e têm sofrido com a falta de leitos e de equipamentos.   

"Aumentou assustadoramente o número de mortes. E mortes, pessoal, por asfixia porque não tinha oxigênio. O governo estadual e municipal deixou acabar oxigênio. É morrendo asfixiado. Imagine você morrendo afogado. Fomos para lá e ele interferiu. Estão falando já que interferiu. Então vai deixar o pessoal morrer?", afirmou.   

Pazuello foi até o Amazonas para anunciar medidas de enfrentamento à Covid-19. Pela segunda vez em oito meses, o sistema de saúde do estado opera com dificuldades por causa da alta de casos e mortes provocados pelo novo coronavírus. Após as festas de fim de ano, também houve um aumento no número de enterros, que tende a superar a média diária da primeira onda da doença, em abril do ano passado.   

No domingo (10), o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse que as empresas que fornecem oxigênio para os hospitais de Manaus não têm mais estoque suficiente para a demanda exigida. Na conversa com apoiadores nesta terça, Bolsonaro também elogiou Pazuello, alvo de críticas por conta da demora no início da vacinação contra a Covid-19. "O Pazuello é uma pessoa excepcional, é a pessoa certa no lugar certo", declarou.   

Em nota, o Ministério da Saúde disse que, na semana passada, providenciou o envio de 131 ventiladores pulmonares para o Amazonas, sendo 78 apenas para Manaus. O Ministério da Defesa, informou a Saúde, também coordena o transporte de 1.500 cilindros de oxigênio para o município. A pasta disse ainda que orienta a adoção de tratamento precoce como "medida é fundamental para evitar casos graves da doença".   

A Saúde afirmou, porém, que "o protocolo está a critério dos profissionais de saúde, em acordo com a vontade dos pacientes, e que cabe ao Ministério orientar as medidas preventivas e de atendimento precoce contra a Covid-19". O comunicado nega que Pazuello tenha coagido profissionais de saúde a usar medicamentos.


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