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Óculos medem níveis de glicemia, álcool ou vitaminas

Uma lágrima basta para fazer a reação. Pesquisadora da USP de São Carlos, Laís Brazaca, participou do trabalho de pesquisa desenvolvido na Universidade de Califórnia

| ACidadeON/São Carlos

Dispositivo microfluídico colocado nas plaquetas dos óculos. Foto: Divulgação
 

Preste atenção, porque em um futuro não muito distante os seus óculos podem ter a capacidade de medir os níveis de glicose álcool e vitaminas presentes no seu sangue. Para que essas informações sejam processadas, basta apenas que uma simples lágrima entre em contato com um dispositivo presente em uma das plaquetas de seus óculos. A leitura é feita em tempo real e transmitida por bluetooth para seu computador, ou mesmo celular.

O que acabamos de descrever constitui um trabalho de pesquisa realizado na Universidade de Califórnia San Diego (EUA) e que teve a participação da pesquisadora do IFSC/USP, Laís Brazaca, no decurso de seu doutorado "sanduíche" realizado entre julho de 2017 e abril de 2018, financiado pela FAPESP e sob coordenação do Prof. Joseph Wang. Com a intenção de aprimorar e compartilhar os avanços sobre biossensores para o diagnóstico médico que vinha desenvolvendo no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano/IFSC), liderado pelo Prof. Valtencir Zucolotto, Laís se confrontou na Universidade de Califórnia San Diego com uma linha de pesquisa diferente a área de microfabricação. Esta possui, como um de seus focos, o desenvolvimento de plataformas inovadoras que permitam a análise de poucos microlitros de amostra de maneira simples e portátil, onde se inclui a pesquisa acima citada.

"Nosso grupo de pesquisa é internacionalizado e praticamente todos os alunos de Pós-graduação ou Pós-docs têm realizado estágio em grupos de excelência no exterior", afirma o prof Zucolotto, coordenador do GNano.

"Foi desafiador desenvolver uma plataforma que tem o objetivo de fazer medidas de glicose, álcool, vitaminas, etc., principalmente utilizando uma lágrima. De fato, o processo é de certa forma simples, dentro de alguma complexidade. Desenvolvemos um dispositivo microfluídico super-hidrofóbico que é colocado nas plaquetas do óculos. Dentro deste, se encontra um eletrodo que este é modificado com uma determinada enzima, dependendo do que se deseja detectar. Para o caso da medição de níveis de glicose, por exemplo, utilizamos a glicose-oxidase. O sinal sem fio, que manda a resposta do biossensor em tempo real para um computador, é transmitido a partir de um dispositivo emissor presente em uma das hastes dos óculos.

Como funciona na prática

Na prática, como funciona o dispositivo? A pessoa escolhe que tipo de medição quer fazer glicose, álcool no sangue, tipo de vitamina -, e insere o dispositivo adequado na plaqueta dos óculos, sendo que cada dispositivo pode ler apenas um deles. Com os óculos na face, a pessoa utiliza um pequeno bastão com um produto sensível ao olho (tipo fragrância de mentol) para estimular a geração de lágrimas. Quando a lágrima escorre e entra em contato com o biossensor presente na plaqueta, a reação entre o analito e sua enzima ocorre, gerando uma variação na corrente do eletrodo sinal que é emitido pelo dispositivo instalado nas hastes para o computador da pessoa ou para o celular, facultando a leitura dos dados", elucida Laís. Com a possibilidade de poderem ser mudadas as plaquetas, conforme o tipo de leitura que se deseje, esta plataforma pode ser expandida para detectar diversas outras substâncias em lágrimas, trazendo vantagens especialmente por analisar um fluido de obtenção simples e não invasiva.

Com um artigo científico já publicado sobre este dispositivo, onde Laís Brazaca e o Prof Zucolotto são co-autores, o trabalho da jovem cientista e de seus colegas está disponível na Universidade de Califórnia San Diego para que outros pesquisadores possam dar continuidade ao mesmo, aprimorando-o ou abrindo portas para dar sequência a novos trabalhos similares. Apaixonada pela nova frente de trabalho, Laís Brazaca segue seu percurso acadêmico agora no Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), sob a coordenação do Prof. Emanuel Carrilho, atual diretor daquela Unidade.

Para acessar o artigo publicado, clique AQUI.

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