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Tusca 40 anos: veterano relembra como era o evento em 1990

"Eram jogos, muita rivalidade e diversão. Hoje não sei o que é o Tusca", diz ex-aluno ao lembrar da Tusca de antigamente.

| ACidadeON/São Carlos

Brown relembra sua época de Tusca em república da cidade - Foto: ACidade ON São Carlos


Hoje a Tusca é considerada a maior festa universitária do Brasil, mas nem sempre foi assim. Ainda em meados do século passado, o evento reunia exclusivamente estudantes de São Carlos, que passavam por uma intensa temporada de jogos, intercalada com discretas festas em repúblicas estudantis. Naquela época o "Corso de rua" ainda existia e passava despercebido pelas ruas da cidade. 

Se quisermos entender como a Taça Universitária de São Carlos evoluiu, é necessário voltar no tempo e, para isso, conversamos com um ex-universitário da cidade, que ainda guarda na memória e nos arquivos fotográficos, muitas lembranças da Tusca de décadas atrás. 

Claudio Toledo, mais conhecido como Braw, apelido que recebeu na sua época de graduação em 1995, conta como era a Tusca de antigamente. Apesar dos seus 47 anos de idade, a década de 90 continua bem viva em sua memória. "Antigamente eram só as universidades de São Carlos que participavam. De início tínhamos a UFSCar, a USP, a Faculdade de Direito [Fadisc], que hoje não existe mais, e também tínhamos a Faculdade de Educação Física, que agora faz parte da Federal [UFSCar]. Eram basicamente jogos, muita rivalidade e diversão. Hoje não sei exatamente o que é o Tusca", completa. 

O Corso  

Corso reunia milhares de pessoas pela cidade - Foto: arquivo pessoal


Alvo de muitas polêmicas no passado, o Corso era uma das comemorações da Tusca, mais precisamente era a cerimônia de abertura da Taça. Milhares de estudantes se concentravam no campus 1 da USP e caminhavam até a UFSCar, acompanhados por um trio elétrico e caminhões repletos de bebida alcoólica. 

Por conta do volume crescente de participantes dessa micareta - quase 30 mil em 2011, a Prefeitura de São Carlos proibiu a sua realização no ano seguinte, em 2012. Na 40ª edição da Tusca, bem como nas anteriores, o Corso se manteve, mas hoje é apenas o nome de uma das festas que abrem o evento. 

"Naquela época [anos 90] a gente nem chamava de Corso, era conhecido como O Dia da Invasão. Os alunos da USP caminhavam até a Federal e invadiam a faculdade. Esse era o início do Tusca, era o primeiro dia, quando começavam os jogos", explicou Braw. 

Guerra de Bexigas  

Foto de Tusca celebrado em 1998 na UFSCar - Foto: arquivo pessoal

O veterano conta que naquele tempo os estudantes da USP se muniam de bexigas amarelas e os da UFSCar vermelhas, todas cheias de água. No "Dia da Invasão", acontecia a tradicional guerra de bexigas no Diretório Central do Estudantes (DCE) da Federal. 

"Uma vez a gente entrou no cemitério, que era perto de onde o pessoal da USP passava e ficamos esperando eles por lá. Quando apareceram, a gente pulou o muro e começou a tacar as bexigas neles", relembra. 

O fato se repetiu mais vezes e, com o tempo, era normal os estudantes de UFSCar irem até a USP para chegarem juntos na UFSCar no dia da invasão. Com isso, o volume de estudantes no Corso foi aumentando. 

"Antes eram 50, 80 pessoas andando pela Avenida São Carlos. Depois foi aumentando. Colocaram um carro de som, aí veio um trio elétrico e assim chegou no que temos hoje", finaliza. 

Cajuzinho  

Cajuzinho contava com "tempero" bastante humano - Foto: arquivo pessoal

Cláudio Toledo também lembra de uma das bebidas e dos rituais mais emblemáticos da Tusca. Iniciado em 1990, o preparo do famoso "Cajuzinho" sempre despertou curiosidade, expectativa e nojo, já que parte dos ingredientes envolvidos variava entre saliva e grama. 

Segundo um dos fundadores do GAP, grupo que participava da organização do evento no passado, Johnny da Silva, o Caju foi criado por alunos da USP, com a ajuda de um funcionário do bar localizado dentro do campus. "Existia a batida feita pelo Raí, que tomava conta do bar do Caaso. Fazíamos pedágio no bandejão e comprávamos os ingredientes. O Raimundo (Raí) fazia a batida e todo mundo bebia, sempre de graça. Agora, o cerimonial que hoje existe no preparo do Caju foi criado depois", explicou o engenheiro. 

Membro da gestão do GAP, o aluno Pedro Olmos explica como a bebida é feita. "No ano em que entrei na faculdade, em 2015, o pessoal já fazia. Cheguei a tomar um pouco para experimentar e estava realmente nojento. Tinha pedras e terra no meio. Foi aí que descobri que a graça era justamente essa: estar nojento", pontuou o estudante. 

Braw confirma as falas acima. Ele mesmo já viu pessoas entrando na caixa d´agua onde era preparada a bebida para ser distribuída aos estudantes. "Apesar das bebidas e tudo o mais, naquela época era a diversão que mais contava e, claro, os jogos, isso sempre foi muito importante", ressalta. 

Evolução  

Veterano guarda fotos de tuscas antigos - Foto: arquivo pessoal

Ao todo, 24 anos se passaram desde que Braw foi a sua primeira edição da Taça Universitária São Carlos, que na época era conhecida como "torneio", por isso fala-se tanto em "o", em vez de "a" Tusca. Entretanto, não foi apenas o gênero definido pelo artigo que mudou com o tempo.
"O evento cresceu, hoje é apenas uma festa, uma grande festa. Eu vejo como um dos maiores encontros de universitários que a gente tem, mas é só uma festa". O veterano completa dizendo: "hoje a vontade de ir no Tusca passou". 

Braw se formou em Pedagogia pela UFSCar, cursou pós-graduação na Espanha e, apesar de ter entrado na faculdade em 1995, frequentou a Tusca até 2012, último ano do "Corso de rua".  

Entretanto, as boas marcas da faculdade o acompanham, seja pelos tuscas vividos ou nas lembranças do tempo em que morava na república Matadouro, a qual frequenta até hoje. Aliás, esta é a república mais antiga da cidade que ainda se mantém ativa.  

Nossa reportagem esteve lá e se quiser conhecer um pouco mais, acesse aqui.

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