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Após R$ 250 mil, Hospital de Campanha no Ginásio segue sem leitos

Local adaptado há 45 dias deveria abrigar 120 leitos de enfermaria para pacientes com Covid-19, porém nenhum foi montado. Prefeitura diz que não há demanda.

| ACidadeON/São Carlos

Um mês e meio após o início das obras, o hospital de campanha anunciado pela Prefeitura de São Carlos que está sendo montado no Ginásio Municipal Milton Olaio Filho, segue sem disponibilizar um leito sequer dos 120 espaços de enfermaria programados para o ginásio que poderá atender pacientes com Covid-19, caso a doença avance entre os moradores da cidade. 

As obras começaram na primeira semana de abril, o prazo na época estipulado pelo secretário de Esportes e Cultura e membro do comitê emergencial de enfrentamento ao novo coravírus, Edson Ferraz, era de duas semanas.  

No local foram investidos, de acordo com informações obtidas no Portal da Transparência, R$ 257 mil para a adequação dos espaços no ginásio. Os investimentos detalhados no portal revelam que os recursos foram destinados para troca de toda rede elétrica, hidráulica, reforma dos sanitários e adaptações, fechamentos dos anéis do ginásio e pintura.  

Porém, após 45 dias desde o início das obras o cenário não mudou. No local, aliás, existem apenas as divisórias e algumas instalações elétricas que já estão apresentando problemas. Diversas lâmpadas dos apartamentos que foram coladas com fitas dupla face, estão soltas, penduradas apenas pelo fio. Além disso, por todo ginásio existem apenas dois reservatórios de álcool em gel.  

Procurada, a Prefeitura de São Carlos justificou que os leitos serão efetivamente montados caso aumente a demanda para atendimentos na cidade. "A nossa média de internados não vem ultrapassando 30 pessoas, com um número ainda pequeno de utilização de leitos em UTI, mas precisamos permanecer atentos e com medidas de isolamento. Como iniciamos o isolamento social antes mesmo do Estado, conseguimos conter a curva ascendente para a doença", explicou o secretário de Saúde, Marcos Palermo.  

A prefeitura também informou que a quantidade inicial de leitos deve ser alterada, mas que tem uma empresa contratada e pronta para a montagem dos apartamentos em caso de emergência. "A capacidade total será para até 120 pacientes do SUS, porém vamos disponibilizar os leitos conforme a necessidade. Esperamos não precisar montar mais que os 30 leitos iniciais", finalizou o secretário. 

O médico infectologista e professor da Ufscar, Bernardino Alves Souto, afirma que o investimento na saúde neste momento pode ser baseado em cima das estruturas já existentes no município. "Eu acredito que a situação em São Carlos está relativamente controlada, porém sob pressão. Penso que investimento na estrutura de saúde já existente e no isolamento social seriam as melhores estratégias do ponto de vista de eficiência diante do custo benefício", declarou o professor.

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