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Profissionais barrados em 2ª dose de vacina apontam erros da prefeitura

Profissionais afirmam que não agiram de má fé, mas que seguiram orientações da prefeitura; administração diz que é impossível responder caso por caso

| ACidadeON/São Carlos

Foto: Governo do Estado de São Paulo
Após a prefeitura de São Carlos (SP) barrar a aplicação da segunda dose da vacina da Covid-19 em pessoas que apresentam dados com inconsistência, profissionais procuraram o portal ACidade ON nesta quarta-feira (3) para manifestar indignação.

A polêmica se deu após o portal ter acesso, junto à CBN São Carlos, a uma lista enviada às unidades de saúde contendo 495 nomes de pessoas que deveriam ser proibidas de tomar a segunda dose do imunizante.

Agora, alguns dos profissionais que foram citados entraram em contato para relatar os acontecidos, e muitos afirmaram que não agiram de má fé, apenas seguiram as orientações das Unidades de Saúde.

Um desses casos é da educadora física Aline Cavichioli de Souza Jorge. Ela foi vacinada no dia 6 de fevereiro, na unidade da Visa São José, após ser informada de que poderia tomar o imunizando.

"Nós tínhamos a orientação do nosso Conselho Regional. Por sermos profissionais de saúde, seríamos vacinados junto com os demais profissionais da saúde. Eu fui ate o posto da Vila São José e perguntei se os profissionais de educação física seriam vacinados, me disseram que sim e eu ainda questionei: tem outros postos que não estão vacinando, é certeza que seremos vacinados? Podemos mesmo? E disseram: sim, vocês podem", disse.

Para Aline, foram solicitados três documentos, o holerite, o registro profissional e o preenchimento de um formulário. Os documentos foram checados e autorizados pelos profissionais da Unidade.

"Entrei na fila como todo mundo e aguardei a minha vez. Entreguei os documentos para primeira funcionária que olhou meu RG, meu RG profissional, as cópias, meu holerite e o formulário, preencheu meu cartão de vacinação, eu entreguei então todos esses documentos para uma segunda funcionária no balcão, onde foi feito um registro eletrônico, os xerox de documentos ficaram retidos na unidade e os originais foram devolvidos para mim. Aguardei a minha vez e fui vacinada, e não burlei nada. Eu e muitas outras pessoas", relatou.

Porém, nesta terça (3), a educadora física procurou novamente a unidade para tomar a segunda dose do imunizante e foi impedida. Seu nome consta na lista de inconsistências da Prefeitura.

"Quando chegou nossa vez, algumas pessoas tinham seu nome lá e outras não. Não só educadores físicos, tinham vários profissionais da saúde, tanto é que tem uma lista gigantesca. E aí passamos essa vergonha lá, mas com a minha consciência tranquila procurei a vigilância epidemiológica, fomos recebidos, e o que foi dito é que estamos em análise porque teve muita denúncia, muito questionamento, e realmente essas pessoas que estão lá não estavam vinculadas a um estabelecimento de saúde, e foi onde questionei. A UBS recebeu os meus documentos, a UBS avaliou e me autorizou ser vacinada" 

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Zilda Rezende Mota também é uma dos profissionais citados na lista. Ela atua como enfermeira na escola Industrial e tomou a primeira dose no dia 6 de fevereiro, na unidade da Vila Isabel, mediante apresentação dos documentos exigidos pela prefeitura.

"Na primeira dose foi pedido o documento que comprovasse que você era enfermeiro, no caso o Coren ativo, então foi feito uma cópia, uma do comprovante de residência e uma de que eu estava trabalhando na instituição, que comprovasse. Passei por uma mesa de avaliação e a moça avaliou e disse: pode tomar", contou.

No entanto, Zilda foi impedida de tomar a segunda dose por ter seu nome n mesma lista. A enfermeira comenta que outras colegas de trabalho da mesma categoria foram imunizadas, diferente dela.

"Quando chegou minha vez, a moça tinha uma lista na mão que ninguém sabia o que significava, e ela me falou: você só pode vacinar se seu nome não estiver nesta lista. Ela foi checar com meu documento e meu nome estava na lista, mas ela não sabia explicar o porquê", disse.

A enfermeira ressaltou que tentou em contato com a Vigilância Epidemiológica tanto fisicamente quanto por telefone, mas até o momento não teve um retorno. Agora, ela teme não conseguir se imunizar.

"Até agora ninguém me ligou. Segundo a profissional da Vila Isabel, uma enfermeira ligaria para nós dando um retorno, e se isso não acontecesse, que era para a gente ir atrás porque eu vou perder minha imunidade se não for vacinada até sexta-feira", finalizou.

Além do constrangimento, outros profissionais também apontam que a lista nominal está circulando em aplicativos de mensagens instantâneas e está gerando críticas e até xingamentos por parte da população.

Posição do poder público
Questionada especificamente sobre esses dois casos, a prefeitura informou que é impossível responder caso a caso, e que assim como os demais, é preciso aguardar a decisão.

A administração ainda enviou uma nota ressaltando que o Comitê Técnico da Saúde vai deliberar até esta quinta-feira (4) sobre a aplicação da segunda dose da vacina, e quem tiver direito será imunizado na sexta-feira (5).


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