Aguarde...

cotidiano

Especialistas reprovam retorno presencial das aulas em setembro

Profissionais das áreas da Saúde e Educação de São Carlos (SP) avaliam a proposta como precipitada e insegura

| ACidadeON/São Carlos

Aulas estaduais presenciais devem retomar em julho. Foto: Ilustrativa/Getty Images
O anúncio do Governo do Estado de São Paulo referente ao retorno das aulas a partir de setembro, caso as cidades estejam na fase amarela da flexibilização, tem sido motivo de preocupação entre especialistas da área da Saúde e Educação de São Carlos (SP). Segundo eles, ainda é cedo para determinar uma data para algo que pode aumentar ainda mais a contaminação.  

A proposta anunciada na última quarta-feira (24) prevê que a volta ocorra para todas as cidades a partir da data quando, pelo plano, o estado estará há 28 dias na fase amarela de flexibilização da economia. Porém, ela só será possível se todas as regiões do Estado estiverem na fase três.  

A retomada proposta será realizada em três etapas. A primeira será com 35% dos alunos, a 2ª com 70% e a 3ª e última com 100% dos alunos.  

Os protocolos de higiene e distanciamento devem ser cumpridos pelas instituições, mas esse distanciamento tem exceções, como nas creches, já que não há como aplicar a medida entre bebês e cuidadores (a orientação para tais casos, entretanto, não foi apresentada pelo governo).  

O Governo também disse que irá disponibilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) aos funcionários das escolas e os alunos deverão usar máscaras. As orientações são válidas para todo o sistema educacional, privado e público, desde a educação infantil até o ensino superior.  

Medida é precipitada
Apesar das medidas, para o infectologista e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Alves Souto, é precipitada e nada segura a medida de retorno às atividades escolares.  

"A escola é um ambiente de auto risco para a contaminação de Covid-19, e tem uma chance grande de fazer com que percamos o controle da descida da curva, se naquele momento em que a escola voltar a curva estiver descendo. Podemos traçar várias estratégias na tentativa de trazer o retorno mais seguro possível, mas por mais seguro que planejemos, ainda é muito preocupante porque escolas aglomeram pessoas, principalmente crianças, que não lavam a mão e é difícil ter um isolamento social. Precisamos começar a planejar isso, mas marcar datas neste momento da ascensão da curva epidêmica eu acho muito precipitado", explicou.  

Os professores pertencentes ao grupo de risco deverão seguir com as atividades de forma remota. Haverá medição da temperatura dos estudantes na entrada da escola os pais também deverão medi-la antes de seus filhos saírem de casa, e, caso ela esteja acima de 37,5°, a recomendação é não ir à escola.  

Para o professor e chefe do departamento de Educação da UFSCar, Daniel Mil, a volta as aulas sem as condições adequadas de saúde pode ser prejudicial para a parte pedagógica.  

"A escola tem uma situação muito especial, é um ambiente muito complexo que envolve a permanência de pessoas por muitas horas e que são pessoas que não são como adultos, são pessoas que seguir regras não é comum, seguir protocolos não é fácil, tem questões que deveriam ser consideradas. Do ponto de vista pedagógico, seria bom em condições normais, mas do ponto de vista geral, tem algo inadequado. Esse retorno precisaria um pouco mais de segurança", disse.  

Ainda segundo o protocolo de retorno das aulas, no ensino técnico, no profissionalizante e no superior, os alunos formandos poderão ter aulas nos laboratórios para cumprir seus créditos e concluir os cursos no geral, o ensino superior terá regras específicas e ligadas ao Plano São Paulo.  

Já que haverá um sistema de revezamento com o Ensino a Distância (EAD), Daniel afirma que seria mais viável e seguro melhorar as condições do ensino virtual e assim continuar com as aulas online por mais tempo.  

"Daqui até setembro poderíamos planejar uma educação à distância com mais cuidado e postergar esse retorno, já que ficamos de janeiro a setembro sem aulas presenciais, mas precisaria de alguns cuidados como o Governo se preocupar um pouco mais com a condição de trabalho dos professores, as condições dos estudantes, principalmente os que não têm acesso, precisa de mais cuidado na implementação", explicou o especialista.  

Prejuízo com aulas online
Atualmente, as aulas das escolas estaduais estão sendo transmitidas por meio do aplicativo Centro de Mídias SP (CMSP) e dos canais digitais 2.2 Tv Univesp e 2.3 - Tv Educação.  

Os custos dos planos móveis de internet para que alunos e professores tenham acesso ao conteúdo são arcados pela secretaria estadual de educação, segundo o governo.  

Pais reclamam de dificuldades para acessar as plataformas digitais, já que sem acesso à internet, celular, TV e computador e alunos não têm acompanhado as aulas.  

As escolas particulares têm um protocolo de funcionamento pronto desde maio. Entre as medidas está a suspensão de atividades coletivas, redução do número de alunos em salas de aula e aferição de temperatura.

Mais do ACidade ON